quarta-feira, 25 de julho de 2018

Compartilhe

Na semana passada, falei sobre a greve dos jogadores de 1982 e como ela trouxe algumas importantes inovações para que eles não ficassem mais tão reféns dos donos das franquias. Continuando a série histórica, na qual também já trouxe a formação da AFL, seu crescimento e sua fusão com a NFL, tal como as implementações de Seattle Seahawks e Tampa Bay Buccaneers e a mudança do Baltimore Colts para Indianapolis, contarei um pouco sobre como a free agency se desenvolveu pelo tempo!

Os primórdios do profissionalismo no futebol americano não davam aos jogadores muitas possibilidades. Eles ficavam eternamente presos aos times que davam a eles um contrato, sem qualquer chance de negociação. Uma vez que um atleta fosse parte de uma equipe, só poderia sair dela por troca ou quando se aposentasse. Por mais absurdo que isso pareça hoje, foi como funcionou até 1946.

Óbvio que havia descontentamento com a situação. Toda a questão de ser um atleta profissional ainda era muito nova, mas já parecia errado passar toda a carreira sem poder mudar de time ou buscar salários melhores em outro lugar. Em 1947, tivemos a implementação de algo parecidíssimo com a free agency atual: era chamado de “regra do um ano”, e dizia que todas as franquias, após o encerramento do contrato de um atleta, tinham direito a renovar com ele por mais um ano automaticamente, caso quisessem, e após esse período, haveria liberdade para que esse atleta fosse para qualquer outra equipe.

Só que não havia ainda tanto dinheiro rolando pela NFL nessa época, que como já contamos, demorou para alcançar o nível de popularidade da MLB. Assim, as ofertas não eram tão incríveis e os jogadores preferiam, quase sempre, continuar na mesma casa. Foi só em 1961 que um atleta decidiu trocar de time após a regra do um ano: o wide receiver RC Owens, que era do San Francisco 49ers, resolveu assinar com o Baltimore Colts após o fim de suas obrigações com o time californiano.

 

Os donos das franquias entraram em choque ao ver um jogador mudando de casa de forma tão simples. E ficaram revoltados com a possibilidade disso se tornar padrão. Assim, foi instituída uma nova regra pelo então comissário Pete Rozelle (que, por sinal, levou seu nome: “Regra Rozelle”) dizendo que, se alguém mudasse de time ao final do contrato, deveria haver uma compensação. Outro atleta, escolhas no draft ou dinheiro, não importava, mas quem perdia um atleta não poderia ficar de mãos abanando.

Parece pouco, mas estávamos de volta ao início da década de 40. Principalmente porque essas compensações eram escalonadas, ou seja, quanto maior o valor do jogador, maior seria a compensação. Trocar de time ao final do contrato ficou mais uma vez quase impossível. Isso ajudou, é claro, o crescimento da AFL, já que não havia como bloquear transferências de uma liga para outra e havia poder financeiro na rival da NFL. Mas, na verdade,  era outra época…

Aos poucos, começaram a surgir processos contra a NFL. O caso mais famoso veio na década de 70, “Mackey vs. NFL”. E o atleta venceu. Por um tempo, houve uma tentativa de disfarçar essa regra, com uma tabela escalonada de qual deveria ser a compensação pela perda de um atleta baseada em seu novo salário – e agora não poderia ser mais outros jogadores ou dinheiro, mas sempre escolhas no draft. Na prática, tudo continuava igual. E foi nesse contexto que aconteceu a greve de 1982.

Por mais que a greve tenha conseguido alguns direitos aos jogadores, especialmente os 55% dos lucros totais da liga, assistência médica e de aposentadoria, a questão da free agency não foi resolvida. Houve, porém, um grande fortalecimento da NFLPA (Associação de Jogadores da NFL), que passou a agir fortemente como sindicato, cobrando melhorias nas condições do profissionalismo.

Mais ameaças de greve e, principalmente, muitos processos vieram. Os jogadores já sabiam que tinham o poder nas mãos e que eles eram os reais donos do espetáculo. E assim, foi questão de tempo para que houvesse a instauração da free agency como conhecemos hoje: ela veio em 1993, mesmo com executivos afirmando que representaria a destruição da NFL.

Para impedir super times (cof, cof, NBA), foi instaurado um severo teto salarial. E, aos poucos, mais alterações foram feitas, como na duração dos contratos, no dinheiro escalonado e padronização na hora de assinar com os calouros e no aperfeiçoamento da franchise tag. E vem aí, muito em breve, mais um acordo entre proprietários e jogadores. Aguardem mais novidades nessa história toda – ou, quem sabe, mais uma greve.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply