sexta-feira, 3 de agosto de 2018

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O Buffalo Bills chega em 2018 como um dos times mais questionados na liga, mesmo tendo conseguido uma vaga aos playoffs na última temporada. Seu ataque não contará com o limitado, porém consistente, Tyrod Taylor e tende a depender novamente muito do running back LeSean McCoy. Para ser seu quarterback para o futuro, selecionaram Josh Allen com a sétima escolha geral do draft, calouro com atributos físicos formidáveis porém extremamente crú. Além dele, A.J. McCarron veio do Bengals para servir como ponte até Allen se desenvolver. Além deles o time conta com Nathan Peterman para posição, jogador selecionado na quinta rodada do Draft de 2017 que mesmo sendo teoricamente o terceiro quarterback está recebendo muitas oportunidades de treinar com o primeiro time. E isso é preocupante.

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O training camp é importantíssimo para que o time construa sinergia e aprenda e se adapte da melhor forma possível o esquema de jogo proposto pela comissão técnica. Quando você é novo no time e ainda por cima é o quarterback, a importância aumenta exponencialmente. E nesta posição existe ainda outra preocupação: a sintonia com seu corpo de recebedores. Se um recebedor aumenta comprovadamente seu desempenho quando participa dos training camps, muito disso se dá a construção de sincronismo com seu quarterback. Sendo assim o jogador, enquanto quarterback, precisa conhecer seus wide receivers, saber seus vícios a ponto de prever o que irão fazer, saber quando pode lançar uma bola contestada que ele irá dar conta e fazer a recepção. E a única forma de conseguir isso, quando você acabou de chegar ao time, é nos treinamentos.

O próprio Aaron Rodgers, discutivelmente o melhor quarterback em atividade, já afirmou em entrevistas que as repetições em treinamentos são inclusive muito mais importantes que os próprios jogos de pré-temporada e a harmonia assim construída com os recebedores é indispensável. Por isso citei como preocupante o fato do terceiro quarterback do time estar lançando para o primeiro time. Não que isso não possa acontecer. A competição pela posição, especialmente em situações como a do Bills é importante. Mas alguém precisa ser o titular e ganhar mais repetições com os recebedores titulares. Porém durante o training camp as atividades com os recebedores titulares da equipe está sendo dividida de forma semelhante entre os três quarterbacks e isso não é bom, fazendo que quem quer que comece jogando na semana 1 não tenha a melhor sintonia possível com seus alvos. E quando a qualidade do grupo de wide receivers é no máximo mediana, qualquer vantagem que você possa ter faz a diferença e pode impactar no ano do time.

O desempenho de Josh Allen tem sido até agora de altos e baixos. Enquanto em alguns dias trouxe todas as características preocupantes que o acompanham desde suas avaliações antes do Draft, em outros foi consistente e desempenhou melhor que seus companheiros de posição. Mas pelo menos a princípio a ideia é deixá-lo como reserva para que consiga a experiência que precisa e corrija as falhas que ainda são claras em seu jogo. Já McCarron parece estar com dificuldades de se adaptar ao sistema do coordenado ofensivo Brian Daboll. Seu desempenho tem sido também inconsistente, com tendência a segurar demais a bola e dificuldades de progressão nas leituras das rotas dos recebedores. E seguindo o padrão, Nathan Peterman é outro que não está consistente. Enquanto algumas vezes mostra um bom braço com precisão no fundo do campo, em outras erra alvos fáceis e abertos no meio do campo.

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A essa altura da pré-temporada o Bills precisa tomar uma decisão. Uma opção, provavelmente a mais arriscada, seria desenvolver Allen para começar jogando em 2018 e tentar prepará-lo da melhor forma possível nesse pouco mais de um mês para o início da temporada . Caso este caminho seja seguido o mais importante é ter paciência com o calouro. Muitas das questões que eram reportadas antes do Draft como problemas na mecânica, precisão e na capacidade de decisão continuam a aparecer nos treinamentos. Allen ainda precisa de bastante desenvolvimento e mesmo que consiga chegar onde a direção do Bills acredita que ele é capaz precisará de tempo.

A opção mais sensata seria escolher, urgentemente, entre um dos dois veteranos. Mesmo que o desempenho de ambos esteja instável, McCarron ainda aparece na frente e seria no momento a opção mais óbvia. Além de ter tempo de experiência na liga, ficando quatro anos na reserva de Andy Dalton em Cincinnati e algumas vezes sendo cogitado para assumir seu lugar, o atleta precisa urgentemente se provar. Sua estadia em Buffalo tende a ser curta (já que selecionaram Allen para ser o quarterback futuro) de forma que desempenhar bem em 2018 pode garantir um futuro emprego na liga.

Independente da opção que for tomada, alguém precisa ser definido como quarterback titular logo. Essa indecisão pode prejudicar e muito o andamento da temporada do Bills.


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