segunda-feira, 15 de outubro de 2018

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Na NFL, temos que o Draft – o recrutamento anual universitário, representa a grande chance das equipes que foram mal na temporada anterior se reerguerem rapidamente. Por conta disto, franquias mobilizam dezena de homens e mulheres que se debruçam à análise minuciosa do maior número possível de jogadores universitários, compilando todas as informações sobre centenas de jogadores afim de buscar aquele talento onde ninguém mais vê. Fora as escassas escolhas feitas nas sete rodadas programadas do Draft, um oceano de jogadores que não são recrutados anualmente se abre aos dirigentes, que buscam neles a chance daquele jogador para completar um elenco, ou mesmo prover um reserva viável em determinadas posições.

Imagine o sentimento de um jogador atuando em divisões inferiores à primeira divisão do College Football. Olhando pela televisão outros jovens tendo seus nomes chamados pelo comissário da NFL e aplaudidos (ou vaiados) pela torcida de todo o país, que tendem a confiar o futuro de seu amado time a um jovem atleta que recém completou 20 anos de idade, ou nem isso. Aqueles atletas, atuando em conferências badaladas e programas tradicionais da primeira divisão universitárias já chegam com toda a pompa e expectativa de dias melhores para o time que o recrutou. Mais que isso, tais jovens foram e são vistos pela mídia em geral, enquanto eles são relegados à obscuridade e precisam iniciar a dura jornada como um calouro não-recrutado naquele ano.

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Mesmo que compilem desempenhos monstruosos durante a carreira, o nível de competição questionável das outras divisões sempre levanta uma pulga atrás da orelha dos dirigentes, receosos em gastar suas poucas escolhas de Draft em um jogador do tipo, o que muitas vezes é justificável, porém em outras cria histórias sensacionais de superação e trabalhado duro, como é o caso do WR Adam Thielen, do Minnesota Vikings.

Thielen atuou a nível universitário pela universidade de Minnesota State Mancato, da Division II, equivalente à terceira divisão universitária, que lhe deu uma bolsa parcial no valor de U$ 500 para que ele atuasse pela equipe de futebol. Nascido em Detroit Lakes no estado de Minnesota, ele optou por ficar “em casa” e atuar na universidade que era muito próximo de sua casa, o que lhe ajudou a se ambientar mais rapidamente. Foram três anos atuando pelo Mavericks (apelido da universidade) em que foi melhorando temporada após temporada, até que em 2012 ele teve 1176 jardas e oito recepções para TD pelo programa e resolveu tentar a sorte no Draft. Contudo, pelos motivos citados anteriormente, ele sequer foi convidado para o Combine, o período em que as próximas estrelas da NFL fazem todos os tipos de testes físicos e psicológicos para representantes das 32 franquias em Indianapolis. Em vez disso, ele participou de Combines regionais e foi capaz de colocar números muito bons, como o de 4.45 segundos no tiro de 40 jardas e 6.77 na prova dos três cones, ambas marcas seriam top 20 do Combine daquele ano.

Thielen não foi recrutado no Draft daquele ano, e foi lançado ao oceano de jogadores do tipo que anualmente povoam a NFL. Embora a grande maioria seja obrigada a perseguir outro tipo de carreira para o futuro, o WR estava obstinado não apenas à fazer parte do seleto grupo de jogadores profissionais da NFL, mas queria atuar pelo time de seu estado, o Minnesota Vikings.

O Vikings viu o talento do atleta e assinou um contrato logo após o Draft, porém após não se destacar na pré-temporada de 2012, ele foi dispensando na última onda de cortes (onde as equipes baixam seus elencos para os 53 que levam à temporada regular) e passou toda a temporada de calouro (e a próxima) no Practice Squad, o “time de treinos” da equipe.

Já em 2014, Thielen conseguiu finalmente integrar o elenco principal da equipe atuando quase que exclusivamente nos times especiais, e mesmo assim já conseguiu se destacar. Ele foi o jogador da semana da unidade em Novembro de 2014 e foi condecorado como o melhor jogador do Vikings em 2015 atuando no setor, o que só demonstra o trabalho duro que ele colocou para finalmente ganhar sua oportunidade atuando com a unidade ofensiva.

Tal oportunidade veio em 2016, e ele nunca olhou para trás.

A combinação de mãos confiáveis, velocidade mas principalmente o visível talento para cumprir todos os tipos de rotas com perfeição tornaram Thielen discutivelmente o melhor WR de toda a NFL. Ele não é o mais rápido e nem o mais forte, mas sim o mais equilibrado recebedor de toda a NFL, reunindo características intangíveis que o coloca como o principal WR do time de seu estado, o Vikings. A jornada do recebedor até o estrelado na NFL é uma ode ao trabalho duro e dedicação, e diz que nós somos os únicos empecilhos até chegarmos a nosso sonho. O WR escreveu uma carta aberta para a The Player’s Tribune recentemente, e a humildade dele em suas palavras também é digna de destaque:

“Ainda me dá arrepios chegar toda vez ao vestiário em um dia de jogo e encontrar uma camisa do Vikings com meu nome atrás dela. Digo, eu cresci assistindo este time mas nunca vi o Vikings vencer um Super Bowl. Eu senti o mesmo desapontamento e a mesma tristeza que todos os outros torcedores do Vikings tiveram nos últimos anos. “The Kick” em 1998. O NFC Championship Game de 2000. A interceptação lançada por Favre contra o Saints. Houveram tantos grandes jogadores por aqui que formaram tantas grandes equipes que eu tive a oportunidade de acompanhar e assistir como um torcedor, mas nunca fomos capazes de dar o salto final e conquistar o campeonato.”

O jovem de 23 anos que até então tinha um emprego como vendedor de equipamentos dentários em uma empresa de Minnesota é hoje o melhor WR de toda a NFL, e os números podem provar isso. Seu desempenho na última rodada – 11 recepções, 123 jardas e um TD na vitória contra o Arizona Cardinals foi o sexto jogo seguido que Thielen teve mais que cem jardas aéreas em uma partida para começar a temporada, simplesmente a maior marca na história da NFL “moderna”, ou seja, desde 1970. Em todos os tempos, somente Charley Hennigan pelo Houston Oilers no longínquo ano de 1961 tem mais jogos deste tipo, e são apenas sete. Thielen terá a chance de empatar este recorde histórico na próxima rodada e mais, não há motivos para crer que ele não quebrará tal marca e se isolará neste quesito como o melhor de todos os tempos. Seus números até agora incluem:

  • Liderança na NFL em jardas aéreas (712);
  • Liderança na NFL em recepções (58);
  • Está somente a dois jogos de empatar Calvin Johnson, que em 2012 teve oito jogos consecutivos com 100 ou mais jardas (recorde da NFL);
  • As 58 recepções em seis jogos são a maior marca da história da franquia;
  • Somente dois jogadores na história tiveram seis ou mais recepções para 100 jardas ou mais em seis partidas consecutivas em qualquer ponto da temporada – Isaac Bruce com o Rams em 1995 e Demaryius Thomas com o Broncos em 2015.
  • Se mantiver a média de 118 jardas por confronto, esta será a quinta maior da história da NFL e significará o recorde da franquia.

Pessoas de dentro da franquia ressaltam a humildade e companheirismo de Thielen diariamente, o que denota que ele sabe de onde veio e qual seu lugar na equipe. Do pedido de desculpas após um bloqueio ressaltado pelo DB George Iloka, do café feito para todos os WRs antes de assistirem à vídeos das defesas adversárias ressaltadas pelo coordenador ofensivo John DeFilippo, Thielen é um jogador especial, que teve um caminho especial até se tornar uma das grandes estrelas de uma das ligas mais rentáveis de todo o mundo.

Nada mal para o garoto de Detroit Lakes, que mesmo desempregado pagou do próprio bolso todos os custos para ir ao Combine regional e depois para o Super Combine estadual, onde chamou a atenção do Vikings e do Carolina Panthers que ofereceram uma oportunidade de atuar no minicamp dos calouros, não? A decisão de ir para o Vikings, o time de sua juventude foi óbvia e o resto foi história ou melhor, está sendo a história, concorda?


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