sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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Faltavam 1 minuto e 45 segundos para o final da partida. O Packers liderava o jogo por 29 a 21. O ataque do Vikings estava em campo no momento apenas na sua própria linha de 25 jardas, com praticamente um campo todo pela frente e um desafio gigante para o quarterback Kirk Cousins. O snap acontece. Clay Matthews, alinhado na extremidade da linha conta com um ótimo trabalho de Reggie Gilbert que anula tanto o right guard quanto o right tackle do Vikings, cruza entre o guard e o center e chega fazendo pressão em Cousins. O quarterback, antes de ser atingido, solta um passe no fundo do campo buscando o WR Stacy Coley, mas acaba interceptado pelo calouro Jaire Alexander. Foi uma jogada vital para o Packers na partida, que estava selando a vitória do time sobre o rival de divisão. Até que uma flanela amarela voou.

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Em uma marcação que foi extremamente criticada durante a semana, a arbitragem considerou que Matthews chegou com força demais em Cousins e o penalizou com uma falta de roughing the passer, dando 15 jardas e uma primeira descida automática para o Vikings, que acabou culminando em um touchdown seguido de uma conversão de dois pontos, fato que levou o jogo para prorrogação (partida acabou empatada em 29 a 29). Mas afinal, o que essa regra diz? Vamos analisá-la brevemente por partes:

  1. O quarterback não pode ser atingido após lançar a bola: basicamente, o pass rusher deve estar ciente de que a bola já saiu da mão do quarterback e evitar sempre que possível que o contato seja feito.
  2. O pass rusher não pode cair sobre o quarterback: quando o pass rusher derrubar o quarterback, ele deve evitar a todo o custo cair com seu peso sobre o corpo do quarterback, parte que existe na regra desde 1995 mas que tem recebido muita ênfase nesta temporada. Além disso, o pass rusher não pode erguer o quarterback e derrubá-lo no chão.
  3. O quarterback não pode ser atingido na cabeça ou abaixo dos joelhos: bastante clara. O quarterback não pode ser atingido na cabeça, seja por capacete, facemask, mãos, cotovelos, ombros ou qualquer outra parte do corpo do defensor. Além disso, qualquer pancada abaixo dos joelhos é faltosa.

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Quando Matthews chegou sobre Cousins ele estava terminando o movimento de lançar a bola. O defensor não tinha tempo nem espaço para alterar a direção de seus 116 Kg, de forma que acabou aplicando um tackle no quarterback. Um tackle que foi protocolar de como deve ser aplicado: uma pancada limpa com o ombro/braço entre o peito e barriga, buscando na queda cair sobre os próprios braços para evitar depositar seu peso sobre a “vítima”. E mesmo assim a flanela voou e a falta foi marcada.

Segundo o árbitro Tony Corrente, a falta não teve relação com alguma pancada com capacete ou sobre a queda do defensor sobre o quarterback, mas sim por  Matthews ter erguido Cousins e jogado-o no chão. Algo que o linebacker discorda completamente e que não aparenta transparecer nas imagens da jogada.

Outra marcação também questionável aconteceu na semana 1 no confronto entre Steelers e Browns. Myles Garret consegue encontrar Big Ben de uma forma não muito amigável e o derruba logo após dele ter lançado a bola. Garret cai mais ao lado do que sobre Roethlisberger, porém mesmo assim a arbitragem enquadrou a pancada na regra de roughing the passer. Ao invés do Steelers chutarem um field goal, eles ganham nova oportunidade e conseguiram finalizar o drive com um touchdown. Esta marcação inclusive foi criticada por Alberto Riveron (chefe de arbitragem da NFL) que a considerou um erro.

É claro que toda a preocupação sobre a segurança dos jogadores é extremamente importante. Até porque esta regra está sendo tão destacada este ano (a pedido das próprias franquias) devido especialmente a uma jogada específica de 2017: a pancada de Anthony Barr sobre Aaron Rodgers que quebrou a clavícula e acabou com a temporada do quarterback. Mas um equilíbrio precisa ser encontrado, afinal o futebol americano é em sua essência um esporte de contato.

Quem apostava que a regra do capacete (que foi assunto na pré temporada) seria o que mudaria a forma como o futebol é jogado se enganou. No final, esta tentativa da NFL manter suas maiores estrelas saudáveis é quem está tempestuando a liga. A questão aqui é como os atletas conseguirão se adaptar a esta nova aplicação da regra, de forma que uma grande jogada da defesa não acabe, vez após vez, como um ganho de 15 jardas para o ataque.


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