quinta-feira, 17 de Maio de 2018

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Na tarde desta última quarta-feira, 16 de Maio, a venda do Carolina Panthers foi concretizada por 2,2 bilhões de dólares para o empresário David Tepper. O antigo dono, Jerry Richardson, foi forçado a vender a equipe após surgirem denuncias de um esquema de assédio dentro da franquia, sujando seu nome e fazendo necessária a vinda de novos áreas. Uma venda não acontecia na NFL desde o Buffalo Bills em 2012, quando o empresário Tony Pegula pagou 1,4 bilhões de dólares pela franquia, e essa veio no momento certo.

O Carolina Panthers precisava dessa balançada. Vemos diversas franquias desorganizadas sofrerem nas mãos de donos irresponsáveis e não qualificados, o que não inclui a franquia de Charlotte. No entanto, o risco era grande com seu antigo dono e eles agora se encontram em uma situação de ouro para mudar o rumo da equipe.

Desde de que Dave Gettleman, antigo GM da equipe, foi demitido as vésperas da temporada 2017 se iniciar, a instabilidade em Carolina tem aumentado bastante. Após a demissão, os Panthers contrataram de forma interina Marty Hurney, que já tinha trabalhado com a equipe de 2002 a 2012. O novo GM passou a temporada no comando da equipe e em fevereiro de 2018 foi efetivado, apenas para efeitos de Draft, uma vez que com a venda da equipe já anunciada, a probabilidade dele permanecer com o novo dono é baixa. E esse é o ponto crucial. Desde 2015 quando foram ao Super Bowl 50, o time não conseguiu realizar sua maior missão, que não, não é apenas voltar aos playoffs, mas sim ajudar o seu Franchise Quarterback, Cam Newton.

Ron Rivera é um reconhecido Head Coach da NFL. Ganhou o premio de melhor treinador nas temporadas 2013 e 2015, no entanto, faz um trabalho superestimado graças a suas grandes estrelas. É inegável que o treinador arrumou a defesa da equipe. Trouxe grandes peças e implementou um sistema de gerar pressão para aliviar a secundaria que funciona muito bem. O problema é que a sua Super Estrela joga do outro lado da bola e está completamente esquecida.

Cam Newton não é ajudado como deveria e é “desperdiçado” ano após ano. Desde a temporada do Super Bowl 50, onde foi MVP, sua situação só piorou. Ainda naquele ano, Cam Newton não contava com muita coisa além de uma linha ofensiva regular e seu próprio talento. Seu principal alvo, Kelvin Benjamin, que já nem está mais com a equipe, se machucou na pré-temporada e não teve reposição a altura. Para se ter uma ideia, os dois principais WRs de Cam naquela temporada foram Ted Ginn Jr e Jerricho Cotchery. Os anos passam e nenhuma unanimidade chega para a posição. Um show de Devin’s Funches e Russell’s Shepard que nunca irão resolver nada e impedem que Cam se desenvolva como passador.

E esse é outro questionamento. Mike Shula, antigo coordenador de ataque, foi demitido por não saber como desenvolver o talento de Cam. Além de um péssimo trabalho no design e chamada de jogadas, Shula não conseguiu trabalhar a mecânica e a precisão de Newton. Desta forma, o QB continua fazendo com que suas pernas sejam seu ponto de maior confiança e motor do ataque de Carolina. Para seu lugar, Norv Turner foi o contratado. Treinador conhecido pelo seu esquema retrogrado, baseado em estabelecer o jogo terrestre e explorar bombas no fundo do campo. Jogo esse que continuará escondendo o melhor que Cam ainda poderia oferecer.

Essa é uma culpa que também recai sobre Rivera. Não montar uma comissão técnica competente e capaz de extrair o melhor de seus jogadores. Isso torna o potencial da equipe, que deveria ser altíssimo, em medíocre. O excelente trabalho que realizou desde o início de sua passagem em 2011, hoje é antiquado. Foi excelente quando precisou tirar a equipe do ostracismo de alguns anos, porém, talvez seja o nome errado para dar um novo salto de qualidade para a equipe buscar rumos mais altos.

O cenário para 2018 é de transição, mas ela precisa ser feita da maneira certa. Atualmente com um GM chamado as pressas efetivado, um HC que não ajuda sua maior estrela e um novo dono que ainda precisa conhecer sua compra, a expectativa da torcida não está em alta. E a oportunidade de se acertar é excelente. Com a chegada de Tepper, novas ideias e filosofias serão implementadas, e um novo Front Office poderá ser montado do zero. Seja com um nome forte na posição de GM da equipe para passar confiança, ou uma pessoa especializada para ajudar Newton no ataque. Não são muitos times que tem essa oportunidade, e a que vemos hoje em Charlotte é de ouro.

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