sexta-feira, 4 de Maio de 2018

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Já nos foi mostrado na história recente da NFL que os jogos são vencidos nas batalhas nas trincheiras. Seja ofensiva ou defensivamente, a habilidade de se sobrepor fisicamente sobre o adversário nos 60 minutos de cada partida é a chave para um time que constrói caminhadas regularas nos playoffs daqueles que enfrentam uma intertemporada de questionamentos e incertezas, que muitas levam à reconstrução completa de um elenco.

Você que acompanhou com mais afinco a temporada do Seattle Seahawks em 2017 viu exatamente isso. A linha ofensiva anêmica e a falta de talento crônica na posição de RB levou o Quarterback Russell Wilson a literalmente correr pela sua vida durante toda a temporada. Mesmo times com um pass rush fraquíssimo como o Indianapolis Colts foram capazes de pressionar Wilson em diversas partes do jogo, e o resultado foi de certa esperado:  a franquia nunca conseguiu estabelecer uma sequencia de vitórias e não se classificou para a pós-temporada pela primeira vez desde 2011. Tal fato gerou diversas dúvidas se atual geração, cujo auge foi a vitória esmagadora contra o Denver Broncos no Super Bowl 48, haveria chegado ao seu ápice. De certo, veremos um time bem diferente daquele das últimas temporadas, a começar pela ausência do CB Richard Sherman, dispensado após oito gloriosos anos comandando a secundária da equipe, em que neste período ninguém interceptou mais passes que o agora jogador do San Francisco 49ers.

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Mas este é o cenário da NFL, em que nada é garantido e tudo muda constantemente. Pete Carroll e John Schneider, HC e GM respectivamente tinham no Draft a esperança de rápida reconstrução da equipe, mesmo não munido de tantas escolhas, principalmente após a troca que levou o LT Duane Brown para lá, que custou uma preciosa escolha de terceira rodada.

Alguns, talvez até a maioria, classificam o Draft do Seahawks como fraco após não recrutar nenhum atleta da linha ofensiva até o final da quinta rodada durante a última semana, o que eu não condeno.

Claro, eles poderiam ter escolhido o OT Austin Corbett ou o OG Will Hernandez em vez do RB Rashaad Penny com a escolha de primeira rodada, mas o investimento no setor foi feito nas últimas temporadas e obviamente a comissão acredita que Mike Solari, o novo técnico da unidade, irá fazer um trabalho muito melhor que Tom Cable, o antigo técnico, entregou. Prova do desempenho tão errático da unidade foi que apenas o Detroit Lions teve menos jardas terrestres se excluirmos os Quarterbacks que o Seahawks – vale destacar que o sempre móvel e ágil QB Russell Wilson e suas 845 jardas terrestres (melhor marca da equipe) levaram o Seahawks a ser a 11ª melhor no geral, mas é um exemplo perfeito de estatística que precisa ser analisada em um contexto sistêmico, isto é, mais geral.

Solari terá a seguinte relação de atletas para trabalhar: um atleta de 1ª rodada, dois de 2ª e dois de 3ª nos últimos Drafts, além de contar com jogadores que já tiveram seus grandes momentos, como o LT Duane Brown e o C Justin Britt. Enquanto técnico da OL do San Francisco 49ers no começo desta década (e com um talento muito parecido com o que contará em Seattle), a equipe foi respectivamente: 8ª, 4ª e 3ª no intervalo de 2011 à 2013, que como deve se lembrar foi o auge do QB Colin Kaepernick na titularidade, que culminou em três aparições consecutivas no NFC Championship Game e um Super Bowl disputado, grande feito para aquele saudoso time comandado por Jim Harbaugh.

Com Brown, Britt, Ethan Pocic e Germain Ifedi retornando de lesões, o Seahawks terá a rara oportunidade de continuidade no setor. 2018 deverá ser a primeira temporada desde 2013 que eles devem repetir ao menos quatro titulares da linha ofensiva. Bem, ao menos terão a oportunidade de fazer isso com o retorno do quarteto ao elenco. O veterano DJ Flucker, que já atuou como Guard e Tackle na NFL também foi contratado e conhece bem o esquema de bloqueios agressivos por zona que Solari tanto gosta.

Será interessante ver atletas jovens como Ifedi e Pocic neste tipo de esquema, que particularmente necessidade que atletas do interior da linha (Guards e Center) sejam extremamente atléticos e agressivos.

O Guard Justin Britt, atleta que está a mais tempo no elenco deste setor, acredita na continuidade como o principal reforço para 2018.

“Pense sobre mim e Ethan (Pocic): jogamos juntos pela última metade da temporada e no final do ano estávamos realmente começando algo especial, estávamos jogando bem. (…) Com Duane (Brown) continuando conosco por mais um ano e nos conhecendo melhor, com Germain (Ifedi) ficando mais confortável na posição de RT e vendo jogadores novos se desenvolvendo… Realmente precisamos nos adaptar ao esquema de Solari, mas com Fluker atuando também, é uma grande oportunidade.”

Ao que tudo indica, a linha ofensiva da equipe em 2018 deve ser:

LT Duane Brown;
LG Ethan Pocic;
C Justin Britt;
RG DJ Fluker e
RT Germain Ifedi

Além disso, a possibilidade de contar com alguns jogadores que podem vir do banco em caso de lesão ou mal desempenho também vale o destaque. George Fant deve competir com Ifedi pela vaga de RT, o calouro Jamarco Jones pode roubar a vaga de RG de Fluker e veteranos como Rees Odhiambo, Joey Hunt e Jordan Roos se apresentam como opções e devem ter a oportunidade de disputar a titularidade. A versatilidade também é muito maior: com a exceção de Brown, todos os outros atletas se apresentam com possibilidade de atuarem em outras posições. Com todos os treinamentos de intertemporada a serem feitos, Solari tem nas mãos um leque de opções para combinar o melhor time titular deste importante setor, o que eu acredito que será feito, afinal é difícil vermos um desempenho tão lamentável quanto o visto em 2017 deste setor.

Esta conjuntura: esperança no novo treinador, possível continuidade dos titulares e a versatilidade que praticamente todos eles apresentam podem servir de resposta ao fato da direção ficar confortável para recrutar o RB Rashaad Penny com a escolha de primeira rodada, em vez de optarem por reforçar a linha ofensiva. Penny inclusive, pode se aproveitar desta melhora e, frente a vários outros RBs que não foram capazes de ter um bom desempenho nos últimos anos, deve ser o titular primário (tem todos os atributos físicos e técnicos para isto) e pode se colocar entre os candidatos à calouro do ano, ao menos no começo da temporada.

De qualquer maneira, deverão ser novos tempos em Seattle. Aquela base gloriosa do começo desta década se reduziu à poucos nomes remanescentes, e a comissão técnica juntamente com a diretoria fez o possível para recuperar rapidamente o status de potência da NFC. O CenturlyLink Field, estádio hostil para os adversários deve ser mais importante que nunca para o Sehawks, porém mais imponente que um estádio barulhento é o desempenho razoável da linha ofensiva, e sinceramente é o que espero ver na próxima temporada, concorda?

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