segunda-feira, 3 de setembro de 2018

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O mundo da NFL assistiu – alguns de maneira incrédula, a situação contratual entre Khalil Mack e o Oakland Raiders, em que a estrela máxima da franquia simplesmente decidiu que merecia um contrato melhor que o seu atual, e fez uma greve em busca disso. Por todos os meses que isto se arrastou, o Raiders pareceu não se importar muito com esta situação, mesmo quando veio a pré-temporada e Mack abdicou dos treinamentos obrigatórios previstos em contrato. A situação, como você deve saber, foi uma troca ensandecida entre o Oakland Raiders e o Chicago Bears, em que a franquia de Illinois, que já conta com uma bela defesa, simplesmente adicionou o melhor jogador defensivo da NFL na temporada de 2016, e com certeza um dos melhores da atualidade. Vamos analisar um pouco melhor o impacto deste movimento nas duas equipes.

Termos da troca

Oakland Raiders recebe: 1ª rodada do Draft de 2019, 1ª rodada do Draft de 2020, 3ª rodada do Draft de 2020 e 6ª rodada do Draft de 2019.

Chicago Bears recebe: DE Khalil Mack, 2ª rodada do Draft de 2020 e uma escolha condicional de 5ª rodada do Draft de 2015.

Obs: o Bears estendeu o contrato dele por mais seis anos no valor total de U$ 141 milhões com U$ 90 milhões garantidos, ou simplesmente o maior contrato para um jogador de defesa da história.

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Oakland Raiders

“Temos muitas necessidades, estamos esfarelados. Não temos um Linebacker que conhece exatamente nosso sistema jogo; nossa secundária, enfim, penso que foi remontada. Não sei quem é o Right Tackle. (O LT) Donald Peen está machucado. Precisamos de noomes em todas as posições… já não há um jogador remanescente da classe de 2013 do Draft, nem um único jogador. E não fizemos um bom trabalho em jogadores (recrutados em) 2015, 2016 e 2017. Precisamos gerar alguma competição e profundidade do elenco.

Estas foram as palavras do HC John Gruden para um repórter de uma conceituada revista norte-americana, a Sports Illustrated. Bem, não sei por onde começar.

Gruden, um HC que montou a famosa defesa do Tampa Bay Buccaneers campeão da temporada de 2002 da NFL mas que após isso não conseguiu uma única vitória em playoff, passou a última década nas cabines de transmissão da ESPN, comentando o tradicional Monday Night Football. Ao oferecer um contrato de dez anos, o Raiders confiou em Gruden a montagem do elenco de certa forma competitivo por um grande período de tempo, e ao que tudo indica deu a liberdade para ele sobre tais decisões de montagem do plantel.

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Bem, o último HC com métodos pouco ortodoxos, que tinha controle de gerente geral sobre o elenco foi Chip Kelly no Philadelphia Eagles, e caso você já acompanhava a NFL naquela altura, foi um verdadeiro desastre. Não estou comparando os dois técnicos nem definindo qualquer padrão de expectativa de desempenho do Raiders de Gruden, mas a história está aí para ser observada (e aprendida, porque não?!). Gruden tomou algumas decisões no mínimo questionáveis em poucos meses no cargo e já levanta algumas dúvidas sobre seu potencial de comando, afinal, não estamos no começo dos anos 2000, onde ele viveu seu auge. São tempos diferentes, a NFL está diferente.

O Philadelphia Eagles foi campeão com uma boa classe no Draft e recorrentes atletas talentosos assinados na free agency e adquiridos via troca, ou seja, movimentos necessários para adquirir atletas – muito em contratos manuseáveis, em troca da oportunidade de competir de forma imediata. O Raiders está fazendo exatamente o contrário: decisões questionáveis no Draft, como a seleção do OT Kolton Miller na primeira rodada e também na free agency, como gastar uma escolha de 3ª rodada no Draft para adquirir o WR Martavis Bryant meses atrás apenas para dispensá-lo esta semana, apenas para começar.

Tentando entender o que está acontecendo lá, e incluindo a troca de Mack nesta análise, podemos pensar que o Raiders (leia-se Gruden) tem uma ideia clara na mente: este não é o time que ele deseja para trabalhar a médio e longo prazo. Então temos uma análise óbvia desta situação: se este não é o time que acreditam poder competir de forma imediata na AFC Oeste, e estariam dois ou três classes talentosas no Draft e algumas peças interessantes na free agency de tal situação, por que não capitalizar sobre um atleta único, em conhecida disputa contratual que está no auge da forma física e técnica? No cenário descrito acima, Mack estaria se aproximando de seu aniversário de trinta anos e com toda a certeza (caso tivesse estendido seu vínculo com o Raiders) seria um dos, senão o atleta mais bem pago de todo o elenco, a incluir o QB Derek Carr. O capital adquirido para esta construção da equipe aos moldes de Gruden é realmente soberbo como o descrito acima e se bem usado, pode ser a base de um grande elenco, mas daqui alguns anos.

Há uma questão que outrora passou despercebida: o Raiders está de mudança. A franquia, que há anos procura uma outra alternativa além do ultrapassado Coliseu em Oakland (que divide com o Oakland Athetics, time de beisebol da cidade) encontrou em Las Vegas, Nevada, sua nova casa. A construção do estádio na Cidade do Pecado está a todo vapor e ao que tudo indica, em 2020 a equipe já jogará em seu novíssimo estádio e deixará Oakland órfã de um time de futebol americano profissional. A aceitação da torcida ao fato da mudança que já está no horizonte e a subsequente troca do principal jogador é algo a ser analisado aqui também.

Chicago Bears

Para o Bears, o cenário do futuro próximo é ao menos, animador. Mack trará mais do que 36.5 sacks nas três últimas temporadas: aos 27 anos idade, a equipe finalmente tem sua nova mega estrela na unidade defensiva, que carece de substitutos desde a aposentadoria do lendário MLB Brian Urlacher há alguns anos. Mack se torna de forma imediata o melhor jogador da defesa, quiçá a nova face da franquia de Illinois. O impacto dele dentro de campo será óbvio. Ele é um atleta único, que aparece apenas de tempos em tempos na história da NFL e instantaneamente é capaz de fazer seus companheiros subirem de desempenho.

A defesa do Bears já foi uma das dez melhores da NFL em termos de jardas cedidas na última campanha, e com um terror para os QBs adversários vindo pelas extremidades da linha ofensiva, não há motivos para acreditar que esta defesa não possa ser uma das cinco melhores pelo menos. O fato de atletas talentosos como o LB Leonard Floyd e o DT Akiem Hicks não precisarem enfrentar marcações duplas com tanta frequencia com certeza elevará o nível desta unidade, ou seja, o Bears tem tudo para ser especial.

Do ponto de vista administrativo, foi uma jogada de mestre do GM Ryan Pace. Ao ter dois atletas em contratos de calouro – muito mais manuseáveis, em posições críticas do elenco: O QB Mitchell Trubisky e o LB Leonard Floyd, o Bears teve o espaço necessário dentro do teto salarial para fazer este enorme investimento em um atleta talentoso como Mack. A média contratual do salário de Mack será de U$ 23.5 milhões a cada temporada. Dependendo da forma como o contrato foi montado e a porcentagem do aumento do teto salarial a cada ano, podemos colocar na média de 10 a 14% dele alocado no principal atleta da defesa. Em outras palavras: times normalmente alocam metade do teto salarial nos dez principais jogadores enquanto o Bears, por conta das condições citadas acima, tem cerca de 35% do limite máximo. Mesmo que extensões contratuais para Trubisky e Floyd estejam no horizonte, tal margem não deverá ser ameaçada da forma como o teto salarial aumenta, e mesmo que isso aconteça, simbolizará que as duas posições mais caras de um elenco (QB e pass rush), estarão em contratos longos com a franquia.

Chicago abruptamente se coloca como um dos bons times a se acompanhar em 2018 e a NFC Norte por sua vez, reúne todas as intangíveis para se colocar como a melhor e mais competitiva divisão de toda a NFL, em que todas as equipes tem razões (cada uma a sua maneira) para sonhar com os playoffs.

De certo modo, a troca foi boa para o Raiders, porém sensacional para o Bears, não acha?


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