sexta-feira, 15 de junho de 2018

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Quem acompanha a NFL com mais afinco (ou talvez nem isso), se surpreendeu com uma notícia inesperada durante a última semana. Após mais de 500 dias de abstinência, o QB Andrew Luck, do Indianapolis Colts, finalmente voltou a fazer aquilo que lhe era totalmente habitual desde que era uma criança no Texas: ele lançou uma bola de futebol americano. Com isto, é possível afirmar não apenas que o melhor e mais importante jogador da equipe há seis anos finalmente estará saudável para atuar no Training Camp que se iniciará daqui algumas semanas, como também o fará da melhor maneira possível, ou seja, a seu potencial máximo.

É totalmente compreensível o ceticismo da maioria ao lidar com essa situação. O próprio Colts insinuou seu retorno durante boa parte da temporada regular de 2017, apenas para introduzi-lo à alguns treinos em Outubro e o colocar na lista de machucados, encerrando sua temporada antes mesmo de ter começado. A comissão técnica parecia realmente não ter a menor ideia de como lidar com a recuperação de sua superestrela  e finalmente alinhá-la na formação inicial, e isto irritou demais a base de fãs.

Contudo, há um motivo significativo para acreditar que o processo de recuperação que ele fora submetido desta vez finalmente é o correto nesta situação. Têm-se que o veterano teve algumas etapas queimadas na última temporada, isto é, teve sua difícil recuperação acelerada em virtude de uma torpe esperança em contar com ele na campanha de 2016, definida apenas como melancólica para o time que venceu apenas quatro jogos e herdou discutivelmente o pior elenco entre todas as 32 franquias que integram a NFL. Chris Ballard, o GM do Colts fez questão de evitar que qualquer coisa do tipo se repetisse.

Entre os motivos de chacota que a franquia se tornou, viagens para a Holanda no difícil processo de recuperação e a dúvida no horizonte se ele será capaz de voltar a ser o dominante atleta de outrora, muita coisa aconteceu. Houve uma profunda alteração do elenco em todas as posições e mesmo sem grandes investimentos na free agency, a promissora classe no Draft parece ser o precursor de tempos melhores para a combalida franquia, outrora acostumada aos grandes estágios, principalmente na década passada.

Ao dar todo o tempo necessário e suficiente para que Luck vencesse os próprios bloqueios mentais que uma traumática lesão causa nas pessoas, o time não apenas reafirmou sua fé no 1° jogador recrutado no Draft de 2012, mas também garantiu que nenhuma etapa seria pulada até que ele finalmente retorne à 100% de sua melhor forma física, o que é encorajador.

Luck em 2017 e em 2018.

Foram cerca de vinte passes por dia (durante dois dias consecutivos), a maioria para o ex-companheiro Reggie Wayne (lendário recebedor do Colts que trabalha como técnico voluntário) e que mal ultrapassaram as vinte jardas de distância, porém o suficiente para acreditar que dias melhores esperam pela franquia, que novamente passará a ser liderada por seu capitão e sucessor de um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Em entrevista concedida após a sessão, Luck foi questionado acerca do pior momento durante os diferentes estágios que ele passou. Após abaixar a cabeça e pensar por alguns segundos, ele foi enfático:

“Houve um tempo, provavelmente algumas semanas atrás de iniciar o tratamento na Holanda, lá no começo de Dezembro, que foi difícil para mim enxergar coisas positivas nesta situação toda. Eu felizmente passei por isso e ministrei toda a energia para ver as coisas positivas em função das negativas naquela hora.”

Não se pretende dizer que o Colts é o gigante adormecido dentro da AFC e que competirá com Patriots, Steelers e Jaguars pelo campeonato da conferência. A equipe ainda é muito limitada e sequer é favorita dentro da outrora criticada AFC Sul, mas que agora apresenta três times bem montados no papel e com potencial de gozarem de relativo sucesso ao longo da próxima campanha. Contudo, ao analisarmos um passado nem tão distante, podemos dizer que o Colts poderá contar com o melhor Quarterback dentro da divisão, e na liga do passe que vivemos nos dias de hoje, isto é de grande valia na hora de analisarmos e fazer qualquer prognóstico.

No final das contas, um otimismo moderado é totalmente palpável com o final dos treinamentos da intertemporada. Não foi um sinal de que Luck retornará à forma de Pro Bowler tão imediatamente, mas sim que está seguindo os passos corretos na difícil estrada da recuperação. Após isso, a caminhada pela redenção parece aguardar por Luck e seus companheiros, sedentos para demonstrarem que são ao menos capazes de competir com as forças da conferência, juntamente com a nova comissão técnica.

A chance dele retornar ao status de saudável é muito boa. A grande questão é se ele conseguirá se manter assim quando sofrer o primeiro ou o décimo sack, concorda?

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