segunda-feira, 22 de outubro de 2018

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Na montagem de um time competitivo para alçar grandes voos na difícil temporada regular da NFL, a presença de um ou mais grandes atletas é crucial para qualquer aspiração que não seja as escolhas iniciais de uma edição Draft, isto é fato. Se por um lado, grandes comissões técnicas como a do Rams liderada pelo HC Sean McVay conseguem mudar o desempenho e aspirações de um time de um ano para outro, como o Los Angeles Rams, o mesmo acontece ao contrário. Vimos casos e mais casos nos últimos anos (e até atualmente) de grandes jogadores carregando comissões técnicas inteiras, mascarando erros gritantes de tomadas de decisões dentro da partida e montagem de um elenco, com vitórias sendo mais méritos destes grandes jogadores que o plano de jogo em si.

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Pois bem, esta é uma grande verdade na NFL. Quantas vezes não vimos um HC tomando decisões questionáveis semana após semana e tendo seu prazo de trabalho estendido graças ao desempenho fenomenal daquele Quarterback ou Wide Receiver? Exemplos não faltam e vamos debater alguns neste texto.

Chuck Pagano e Andrew Luck

Este é com certeza o exemplo mais clássico dos últimos anos. Quando o próprio treinador admite que certo atleta deu a ele “mais anos do que merecia” no cargo temos uma noção exata do quão questionável foi o desempenho de Pagano enquanto técnico do Colts no começo desta década. Os erros gritantes tomados na administração do time e principalmente no tratamento à lesão de Luck em seu ombro direito custaram não apenas o bom desempenho do Colts, mas uma temporada inteira do QB sem sequer aparecer numa partida, apenas se recuperando de seguidos procedimentos em seu ombro usado para lançar a bola, refazendo todo o processo de aprendizagem de algo totalmente corriqueiro para um jogador de sua posição – lançar um passe.

A habilidade de Luck é tão grande que diversos erros de montagem de elenco e treinamentos eram mascarados durante o começo de sua carreira, marcado por três classificações seguidas aos playoffs, incluindo uma aparição na final da AFC. “Ele está em grande condição para voltar e jogar de maneira muito interessante nesta temporada e nas próximas. Eu amo Andrew Luck. Ele me deu mais anos que eu provavelmente merecia. Ele é um fenômeno.” Disse Pagano antes desta temporada a um canal que cobre NFL.

Mike McCarthy e Aaron Rodgers

Outro clássico exemplo também. Nós talvez não vimos a real capacidade de Aaron Rodgers em seus vários anos como Quarterback titular, muito devido ao conservadorismo de McCarthy na montagem do plano de jogo, mesmo nas melhores temporadas do QB de Green Bay. Merece destaque também a administração da equipe, marcada por anos de conservadorismo na montagem do time em si, muito devido ao “sucesso” das temporadas capitaneadas por Rodgers que relegavam muitas vezes a necessidade de contratar jogadores veteranos prontos para contribuir imediatamente. Ao ignorar a possibilidade de contratar jogadores na free agency e apostar única e exclusivamente no Draft, o time pode ter custado à Rodgers os melhores anos de sua carreira.

O fato de ele já ser apontado como um dos melhores da história nestas condições já denota a real capacidade do QB em guiar um time de futebol americano à grandes voos na temporada, mas o fato de ter tido apenas uma aparição em Super Bowl nos mais de dez anos como o QB titular (após suceder o lendário Bret Favre) é um bom indicativo do quão culpado é o HC em seguidos insucessos nos playoffs, onde vemos a real capacidade de treinadores.

Jim Caldwell e Calvin Johnson Jr

Um exemplo de anos anteriores é a era Jim Caldwell no Detroit Lions. À época o time de Michigan tinha um ótimo núcleo de atletas e a temporada de 2012 foi simplesmente mágica, com o Megatron (seu apelido) quebrando o recorde de jardas recebidas em uma temporada (que perdura até hoje). Matthew Stafford tem uma de quatro temporadas na história da NFL que um Quarterback não se chame Drew Brees e tenha lançado para mais que 5000 jardas em 16 jogos, mas um prolífico ataque terrestre e o melhor recebedor de sua geração não foram suficientes para catapultar o Lions a grandes desempenhos na pós-temporada. Foi apenas uma aparição na parte final da temporada em diversos anos e há quem diga que a súbita aposentadoria do agora ex-WR aos 30 anos e após nove temporadas como profissional foi por conta dos devidos insucessos anuais de seu time (o mesmo caso do lendário RB Barry Sanders que se aposentou após grandes temporadas individuais não serem suficientes para evitar o fracasso do Lions como equipe).

Calvin Johnson era um membro do time que ficou 0-16 na temporada de 2008 e após isso a equipe até melhorou seu desempenho, mas nunca chegaram a realmente competir e serem favoritos na temporada. O conservadorismo de Caldwell (conhecido de seus tempos treinando o Indianapolis Colts) é um dos reais motivos disso, e talvez o responsável por não estarmos vendo um grande WR como o Megatron atuando até hoje… realmente uma pena.

Foram apenas três exemplos do lado ofensivo do quanto um atleta de elite pode mascarar deficiências de um time e carregar uma comissão por vários anos – em um dos casos, até os dias de hoje. Se por um lado é injusto nós cobrarmos que atletas ou treinadores definitivamente inferiores a um citado jogador de elite terem um desempenho igual ou parecido com o melhor jogador da equipe, por outro é uma pena vermos alguns deles terem seu auge “desperdiçado” por não terem o mínimo de talento humano possível ao redor dele. A ideia de não termos a noção do quão grandioso tal jogador poderia (ou pode) ter sido graças a um péssimo treinador com decisões no mínimo questionáveis é realmente triste, e relegar ao exercício da imaginação pensarmos o nível que um certo jogador podia ter alcançado é uma pena.

Mas este é um dos lados do esporte coletivo. Esportes individuais reduzem este risco à praticamente zero, pois mesmo contando com uma equipe mobilizada e trabalhando nos bastidores antes, durante e após uma partida, na hora do “vamos ver” é somente um atleta contra outro e ambos lutando pela hegemonia. Cada um tem suas particularidades além de pontos positivos e negativos, e este com certeza é um dos principais pontos negativos de esportes coletivos, concorda?


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