quarta-feira, 18 de Abril de 2018

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Uma das grandes surpresas da última temporada foi a campanha do Buffalo Bills, que encerrou sua série de 17 anos sem avançar para os playoffs. Isto veio após uma offseason na qual o time dispensou e trocou diversas peças de destaque e parecia estar no começo de um processo de reconstrução. Com nove escolhas no próximo Draft, sendo seis no top 100, a franquia pode causar um grande impacto com potenciais trocas, como tem sido especulado que pode acontecer quando a equipe for atrás de seu novo quarterback. No entanto, a pergunta a ser tratada é: vale a pena para o Bills subir e perder tantos recursos por um QB?

Para começar a analisar esta questão, é preciso fazer uma breve observação do elenco do time. Apesar da vaga na última temporada, é possível argumentar que o Bills não tem um dos plantéis mais profundos da NFL. O grupo de WRs é fraco, a linha ofensiva perdeu diversos nomes importantes e trouxe substitutos de baixo escalão, o grupo de TEs é inconsistente e os RBs contam com LeSean McCoy, que ainda é ótimo, mas terá 30 anos quando a temporada começar. Já na defesa, os DTs são um ponto forte, a rotação de pass rushers tem opções, apesar de nenhum nome de grande destaque, os LBs não são ruins, mas podem melhorar e a secundária parece estar bem posicionada no momento. Assim, mesmo sem nem tratar dos QBs, já é possível ver que o arsenal de escolhas de alto valor que o time possui no Draft pode ser utilizado para suprir várias outras fraquezas.

Com isso, chegamos ao ponto principal desse texto, que é a principal posição do futebol americano, o quarterback. Dificilmente uma equipe ganhará sem ter um bom e precisará de muito talento para superar a ausência dele, algo que o Bills ainda não tem. Entretanto, uma vez que o QB da franquia aparece, ele é capaz de mascarar inúmeras falhas em um elenco, como pode ser visto no Packers atualmente ou no Colts levado por Andrew Luck até a final da AFC em 2015 e que definhou sem ele nos anos seguintes.

Quando olhamos para a posição em Buffalo, encontramos apenas AJ McCarron e Nathan Peterman sob contrato atualmente. O primeiro chegou em um vínculo de 2 anos por um total de US$10 milhões, um valor razoável, e deve ser o titular no começo da temporada após servir como reserva de Andy Dalton no Bengals. Já o segundo teve um ano de calouro desastroso quando teve ação limitada e lançou uma quantidade incrível de 1 interceptação a cada 9,8 passes. Dessa forma, é seguro dizer que tanto McCarron quanto Peterman não são o futuro do Bills entre os QBs e estão entre as piores opções para titulares da NFL no momento.

Por isso, ganha força a teoria de que o Bills, com tanto capital acumulado, trocaria um pacote de escolhas para subir ao top 5 com um QB da franquia em mente. As fontes da liga dizem que a maior parte das equipe estão contando com o desespero de Buffalo para conseguir um baú do tesouro. Especulam-se trocas que envolveriam as duas escolhas de primeira rodada desse ano, além da do ano que vem e ativos no dia 2 para um salto da posição de número 12 no Draft para a 2 ou 4, de posse do New York Giants e Cleveland Browns, respectivamente.

Contudo, imagine o seguinte cenário: O Bills cede ao pedido de uma das equipes no top 5 e escolhe seu QB, seja ele Sam Darnold, Josh Rosen, Josh Allen ou Baker Mayfield. Agora, pense nele sendo colocado no meio de uma partida na semana 6 quando McCarron tiver dificuldades e entrar com um grupo de recebedores composto por Kelvin Benjamin, Zay Jones e Andre Holmes e com os péssimos Vladimir Ducasse, Russell Bodine e Marshall Newhouse bloqueando. Esta é uma situação infinitamente distante da ideal e, quando somada ao histórico defensivo do técnico Sean McDermott, é uma receita com grande potencial para queimar o calouro, o deveria causar algum receio no torcedor de Buffalo.

Adicionemos ao cenário o seguinte aspecto. Ao mesmo tempo que o time pode trocar diversas escolhas e acabar com Baker Mayfield ou Josh Allen, por exemplo, ele pode se manter na 12ª posição e selecionar um jogador para a sua linha ofensiva, como Mike McGlinchey ou Isaiah Wynn, ou então ainda pode investir no lado defensivo e trazer um pass rusher como Harold Landry. Com a 21ª, um WR, como Courtland Sutton, DJ Moore ou, quem sabe, Calvin Ridley. Pensando nas escolhas de dia 2, mais um jogador de OL, um DT para rotação, um LB e talvez um QB ou pass rusher podem ser opções. Deixaria o elenco mais profundo e seria uma ampla infusão de talento, por mais que a principal posição ainda tenha problemas.

Todavia, não pense que estou advogando para que este seja o caminho a ser tomado pelo time. A ideia aqui é levantar um cenário alternativo e que tem ficado esquecido dada a avidez com a qual as franquias têm discutido a classe de quarterbacks. Assim, talvez a rota mais prudente seja aquela que não envolva realizar uma troca muito agressiva nem esperar de forma passiva.

Nesta possibilidade, o Bills aguardaria o desenvolvimento do top 5. Caso algum QB de interesse escape dessa faixa, o que não parece nada absurdo, poderia ser realizado um movimento para subir para a 7 ou 8 pagando um valor muito menor e que ainda deixaria uma quantidade boa de recursos nas mãos da diretoria da equipe. Outro cenário viável é esperar na 12 para ver se Lamar Jackson pode surgir como uma opção e ainda manter todo o resto das escolhas, o que parece ser um mundo ideal para a franquia.

Por fim, é possível perceber como o Bills é um dos times com a maior quantidade de opções nesse Draft e como sua narrativa está completamente voltada para a aquisição do próximo QB da franquia após uma troca volumosa, o que realmente parece ser o cenário mais provável. No entanto, é preciso sempre ter em mente que o Draft é uma ciência inexata e que o processo sempre traz diversas surpresas, então é sempre interessante analisar a maior variedade possível de trajetórias que ele pode tomar, como algumas das que foram apresentadas aqui. Além disso, vale a pena concluir que, caso o time realmente ceda um grande capital para chegar ao top 5, o grande preço pago sempre valerá a pena se o quarterback escolhido for bem sucedido. Este é o valor desta posição na NFL atual.


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