sexta-feira, 12 de outubro de 2018

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Em 2005 Nick Saban chegou ao Miami Dolphins para assumir como técnico principal depois de uma carreira de mais de 30 anos como técnico, predominantemente em equipes de futebol americano universitário mas com passagens pelo antigo Houston Oilers (hoje Tennessee Titans) e pelo Cleveland Browns. Depois de somar apenas 4 vitórias em 2004, Saban levou o Dolphins a uma ótima recuperação em sua temporada de estreia, terminando com uma campanha positiva de 9 vitórias e 7 derrotas. Após 2005, o head coach decidiu que o time precisava de um quarterback experiente para substituir o então titular Gus Frerotte.

Em San Diego, Drew Brees foi selecionado pelo Chargers na segunda rodada do Draft de 2001. Seus três primeiros anos de carreira foram complicados, com um Brees muito diferente do jogador que estamos acostumado a ver doutrinando defesas, incluindo um começo de temporada como titular em 2003 para depois ser substituído por Doug Flutie. Em 2004 ele viu sua posição ser ainda mais ameaçada com Philip Rivers sendo selecionado na primeira rodada do draft pelo Chargers. Porém Rivers não jogou sua temporada de estréia devidos a complicações em seu contrato (que acabou sendo assinado na última semana de treinamento). Brees pegou esta nova chance e estourou na temporada de 2004, melhor de sua carreira até o momento, levando o Chargers a uma campanha de 12 vitórias e ganhando o prêmio de Comeback Player of The Year.

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Em 2005 o contrato de calouro de Brees chegou ao fim e o Charges (que acabara de negociar um acordo alto com Rivers) aplicou a franchise tag no quarterback, mantendo-o como titular para o ano. Porém, no último jogo da temporada contra o Broncos, Brees tomou uma pancada do tackle Gerard Warren quando já estava no chão e rompeu seu ligamento de glenoide no ombro. Mesmo com a lesão o Chargers ofereceu um contrato mais longo para Brees, de 5 anos e 50 milhões, porém com valores base muito baixos e muitas cláusulas com incentivos baseados na performance do jogador. Brees tomou isto como um sinal de que a franquia não confiava nele (e em seu ombro) indo então ao mercado atrás de melhores propostas.

Na intertemporada de 2006 o Dolphins de Saban e o Saints do recém contratado Sean Payton eram os principais interessados em Drew Brees. No caso de Miami ainda havia interesse Daunte Culpepper, também voltando de lesão. No final, o departamento médico do Dolphins chegou a conclusão que Brees não estava recuperado a ponto de passar em seus testes físicos, com a franquia optando por Culpepper para assumir o posto naquele ano. O quarterback foi titular apenas durante seus 4 primeiros jogos sendo colocado na injured reserve e saindo do time antes da próxima temporada. Já Brees, foi jogar sob a tutela de Payton e o resto é história.

“Nós escolhemos o Drew Brees. Eu nunca falei sobre isso em público e acho que muitos jogadores sabem disso. E há muita lealdade dentro da organização, os jogadores não falam sobre esse tipo de coisa. Nós achávamos Drew Brees um jogador espetacular, foi para ele que fizemos a primeira oferta.” Nick Saban
Com a decepcionante temporada de 2006 (campanha de 6 vitórias e 10 derrotas) e com a consciência de que Culpepper não conseguiria ser um jogador digno de Pro Bowl novamente, Nick Saban pediu demissão da posição no Dolphins em 3 Janeiro de 2007, assinando com a universidade de Alabama para assumir a liderança de seu programa de futebol americano. Esta demissão até hoje é vista com maus olhos pelos torcedores da franquia, afinal Saban havia afirmado ainda em 2006 que não tinha interesse de deixar o Dolphins para treinar o Alabama Crimson Tide.
A decisão de Nick Saban mudou o college football na última década. Ao contrário da maioria dos técnicos, que prometiam mundos e fundos para atrair jogadores a seus programas, Saban tinha uma abordagem diferente. Ele nunca prometia titularidade, não prometia posição ou tempo de jogo. Sua promessa era de dar uma chance do atleta competir pelo seu lugar e estar junto dos melhores. Essa filosofia acabou atraindo jogadores que queriam se provar, que desejavam competir no nível mais alto. E essa filosofia funcionou.

Desde seu primeiro ano como treinador em Alabama Saban estabeleceu um processo baseado em disciplina. Disciplina para acreditar em cada jogada. Para esquecer uma jogada ruim. Para jogar um jogo de cada vez. Para focar em todos os detalhes, não importa o quão pequenos. Para eliminar distrações e se concentrar na execução de tudo o que está sendo feito. Disciplina a qual sempre deu o exemplo e foi o molde para seus jogadores.

E todo este processo deu certo, extremamente certo. Com os dois primeiros anos para a aplicação e aprimoramento do projeto, foi apenas em 2009 que Alabama explodiu. Em uma temporada perfetia, de 14 vitórias, o Crimson Tide foi campeão nacional universitário sobre Texas. Dois anos depois, novamente campeões em 2011, sobre LSU. E no ano seguinte? Campeões de novo, com Notre Dame sendo a vitima da vez! Em 2015 venceram Clemson para levar o quarto título da era de Saban. Ano passado, a vitória sobre Georgia garantiu o quinto título na década do técnico a frente de Alabama. No último julho, Saban assinou um contrato que o mantém em seu cargo até 2025, para desespero de seus rivais no college.

Se Brees tivesse sido contratado pelo Dolphins, Saban poderia ter continuado em Miami, nunca ter ido para Alabama e essa dinastia não se formaria. A dupla Brees e Payton não teria trago as alegrias que trouxe a New Orleans. Acabou que uma “simples” decisão entre dois quarterbacks feita por Miami em 2006 mudou não só a história do Saints ou de Alabama, mas do próprio college football.


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