terça-feira, 2 de outubro de 2018

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A temporada da NFL é curta, e praticamente todos os jogos são importantes para alguma definição essencial, seja de vaga nos playoffs ou a ordem de uma escolha no próximo draft. Vimos, por exemplo, Steelers e Falcons perderem novamente, e quem perder o confronto direto entre eles no próximo domingo terá ido em um mês de candidato a Super Bowl para candidato a decepção da temporada. Mas o texto de hoje não é para falar de nenhum placar. A rodada do fim de semana ficou também marcada por lances que podem ser lembrados quando chegar a temporada de 2021 – e também as seguintes.

O motivo é o seguinte: daqui a 3 anos se encerra o atual acordo trabalhista entre a NFL e o sindicato dos jogadores, e um novo acordo deverá ser assinado entre as partes, podendo até mesmo a Liga parar em caso de divergências mais sérias. Uma das principais reivindicações dos atletas é por maiores valores garantidos em seus contratos com as equipes. O argumento deles quanto a isso é fácil de entender: os jogadores são o elo mais fraco na relação com os donos das franquias. Ainda que eles ganhem muito mais dinheiro que a maioria da população, ganham muito, mas muito menos que seus patrões, sendo que eles são as maiores estrelas do espetáculo. Sem contar que a carreira de atleta é curta, e muitas vezes algum infortúnio pode abreviá-la ainda mais e custar uns bons milhões aos jogadores. Isso porque quase todos os contratos da NFL tem um valor base + bônus de assinatura (a parte garantida) e o restante é dividido em outros possíveis bônus, relacionados a itens como performance individual e/ou presença no elenco. Uma lesão mais séria e todo esse dinheiro vai embora, e o valor que o atleta de fato recebeu não chega nem perto do número anunciado pela imprensa quando da assinatura, que geralmente é o valor total possível.

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Do outro lado da moeda, temos os donos que, evidentemente, não aceitarão ceder muitos milhões a mais tão facilmente e, a não ser que alguém ceda bastante, o desfecho mais plausível para essa história é mesmo uma greve dos jogadores em 2021.

Voltamos então aos jogos de domingo. O tight end Tyler Eifert, do Cincinnati Bengals, faz uma recepção e o defensor do Atlanta Falcons que tentou derrubá-lo acabou caindo com todo o peso do corpo sobre o seu tornozelo direito, causando uma fratura. Poucas horas mais tarde, o safety Earl Thomas, do Seattle Seahawks, também quebrou a perna na partida contra o Arizona Cardinals. Fim de temporada para ambos. Ambos serão free agents em 2019, e seus casos – especialmente o de Thomas – ajudam a entender a situação geral, e podem ser utilizados pelos jogadores na próxima negociação trabalhista.

Afinal, Thomas passou toda a última offseason em litígio com o Seahawks demandando um novo contrato, ou então uma troca para um outro time que acertaria consigo um vínculo de longo prazo. Ele só se reapresentou ao time às vésperas do início da temporada regular, porque perderia o dinheiro acordado para 2018 caso mantivesse sua greve. Mas em alguns meses ele se verá sem contrato nenhum, com 30 anos de idade e voltando de uma lesão grave, o que indica uma enorme desvantagem na mesa de negociações com os interessados em seus talentos. Claro que só saberemos os números concretos quando a hora chegar, mas Thomas pode ter potencialmente uma perda financeira em seu próximo contrato muito maior do que o que ele abriria mão neste ano caso mantivesse sua paralisação.

Situações como as deste domingo, ainda mais envolvendo um astro como Thomas (além de Eifert, um TE muito talentoso que viu lesões atrapalharem demais sua carreira), certamente são observadas por todos os atletas. Não pense que, por exemplo, Le’Veon Bell não considera essa possibilidade entre os motivos de ele não se apresentar tão cedo ao Steelers. Concordem as pessoas ou não, os atletas lutarão por cada centavo possível, e ainda ouviremos falar bastante dessa disputa fora dos campos.

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