quarta-feira, 1 de agosto de 2018

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Depois de seis meses sem futebol americano, é em Canton, Ohio, que a bola oval volta a voar. A pré-temporada tem um jogo antes de sua primeira semana oficial sendo disputado na cidade que hospeda o Hall da Fama da NFL, sempre servindo como homenagem para os novos imortais do esporte. Em 2018, o momento chegou: nessa quinta-feira (2/8), Baltimore Ravens e Chicago Bears se encontram.

Esse texto é mais um da série histórica sobre o futebol americano que tenho publicado em todas as quartas-feiras. Já falei sobre a criação da AFL, seu crescimento e sua fusão com a NFL, sobre as duas primeiras expansões da liga pós-junção, o Tampa Bay Buccaneers e o Seattle Seahawks, sobre a ida do Baltimore Colts para Indianapolis na calada da noite, a greve de 1982 e a free agency através dos anos. Agora, vamos aprender mais sobre a partida inaugural de todas as temporadas?

Canton é o berço do futebol americano profissional. Foi lá, em 1920, que foi fundada a APFL (American Professional Football League), precursora da NFL. Inclusive, o Canton Bulldogs chegou a vencer dois títulos, em 1922 e 1923. Era uma cidade pequena e naquela época os times não costumavam ter vida muito longa, então seu desaparecimento aconteceu em 1927. Porém, para um lugar que hoje conta ainda com apenas 73 mil habitantes, o orgulho de ter plantado a semente de um esporte tão amado pelo país sempre foi enorme.

Quando começou a existir uma ideia cada vez maior para um Hall da Fama do futebol americano profissional, a cidade viu nela a possibilidade de resgatar sua cultura do esporte. Foi em 1959 que o projeto de sediar esse museu foi apresentado e o clamor foi tão grande que não demorou para que a aprovação viesse. O início da construção do prédio que abrigaria tanta história aconteceu em 11 de agosto de 1962.

Após a cerimônia no futuro local do museu, que ainda não tinha nem estradas que levavam a ele, o Fawcett Stadium, ali perto, abrigou um jogo comemorativo: New York Giants e Green Bay Packers empataram em 21 a 21 naquele que seria o primeiro Hall of Fame Game. 14 mil pessoas compareceram ao acanhado estádio que abriga os jogos de uma high school local. Era a primeira vez em 35 anos que o futebol americano profissional acontecia na pequena Canton.

A tradição não permitiria que o jogo jamais parasse. Deixou de ser disputado em algumas ocasiões especiais (greves, temporadas encurtadas, condições ruins do tempo), mas quando existem condições normais, ele acontece. Ano após ano, a primeira partida que marca a chegada da NFL é o Hall of Fame Game, no Fawcett Stadium, em Canton, Ohio. E muita coisa já aconteceu nessa partida.

Foi nela que o Cleveland Browns, time do estado, voltou à NFL em 1999 após um período de inatividade. Que Jacksonville Jaguars e Carolina Panthers estrearam, em 1995, como duas franquias de expansão. Que Reggie Corner, ex-aluno da Fawcett High School, conseguiu uma pick-six – um atleta que nunca teve qualquer destaque. Que muitos e muitos jogadores importantíssimos sentiram pela primeira vez o gosto do que é estar na NFL.

É verdade que hoje é um jogo esvaziado – como é praticamente a semana 0 da pré-temporada, quase nenhum titular entra em campo para evitar riscos de lesão e desgaste. Um clássico da turma do terrão, sim, mas com enorme importância para esses jovens. O que mais vale é a cerimônia que acontece sempre antes da bola voar, colocando oficialmente aqueles que foram votados durante o ano como os mais novos membros do Hall da Fama.

A escolha dos times também não é por acaso: os dois nomes mais famosos da classe de 2018 do Hall da Fama da NFL são Ray Lewis e Brian Urlacher. Dois linebackers que fizeram muita história, respectivamente, por Baltimore Ravens e Chicago Bears. Junto com eles, Bobby Beathard, Robert Brazile, Brian Dawkins, Jerry Kramer, Randy Moss e Terrell Owens se tornarão imortais.

Para esses oito homens, para a população de Canton e para os calouros de Ravens e Bears, será uma noite absolutamente inesquecível. Para você, será o gostinho de ver o futebol americano de volta depois de seis meses, mesmo em um duelo que provavelmente terá baixíssimo nível técnico.

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