terça-feira, 12 de junho de 2018

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Estamos na semana da abertura de mais uma Copa do Mundo de futebol, e naturalmente as atenções de uma parte significativa da população estão voltadas para a Rússia ao longo do próximo mês. Ao contrário do que acontece com o primo da bola redonda, a Copa do Mundo de futebol americano evidentemente não é o evento mais importante do esporte. Mas ela existe e tenta aos poucos ganhar corpo, o que é muito difícil para um esporte que é essencialmente amador fora dos Estados Unidos. A última edição, inclusive, ganhou relativa notoriedade aqui no Brasil (com alguns jogos transmitidos na Internet pela ESPN), devido a participação de estreia dos Onças, apelido pelo qual é conhecido a Seleção Brasileira da modalidade.

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O torneio, organizado pela Federação Internacional de Futebol Americano (IFAF, na sigla em inglês), acontece desde 1999 e desde então é realizado a cada quatro anos. Os jogos são disputados sob as Regras da Federação Internacional – que são essencialmente as mesmas regras da NCAA. A primeira edição do torneio foi realizada em Palermo, na Itália, teve apenas seis países participando (os Estados Unidos não disputaram, devido a enorme disparidade deles para o resto do mundo). As equipes foram divididas em dois grupos com três integrantes cada,que se enfrentaram em turno único. México e Japão foram os vencedores das chaves e disputaram a final, vencida pelos asiáticos pelo placar de 6×0.

Quatro anos depois, na Alemanha, a competição diminuiu de tamanho, participando apenas quatro países. Mas houve avanço na estrutura da competição, com México e França se classificando como campeões continentais. Além dos anfitriões germânicos, a França representou a Europa. Os quatro países se enfrentaram em um mata-mata simples, com semi final e final, e mais uma vez México e Japão fizeram a grande final, novamente com vitória japonesa: 34×14.

A grande novidade da edição de 2007, sediada pelo bicampeão Japão, foi a primeira presença dos Estados Unidos, que entraram como convidados. O mundial voltaria a ter seis participantes: além de Japão e EUA, Suécia (campeã da Europa), Coreia do Sul (campeã da Ásia/Oceania), França e Alemanha foram os competidores. O formato de disputa seria o mesmo da primeira edição. Como já seria o esperado, Japão e EUA venceram seus grupos e disputaram a final. Em um jogo equilibradissimo, os norte-americanos se sagraram campeões apenas na segunda prorrogação (lembrando que as Regras são similares às da NCAA, não as da NFL), graças a um Field Goal errado dos japoneses: 23x 20.

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A edição de 2011 foi a maior já disputada até hoje. Oito países participaram da competição na Áustria. Além dos anfitriões, estiveram lá: Estados Unidos (defendendo seu título), Canadá (estreando na competição), México, Alemanha (campeã da Europa), França (vice campeã da Europa), Japão (campeão da Ásia) e Austrália (Oceania). Os oito participantes foram divididos em dois grupos com quatro países cada um, e os campeões de cada grupo fariam a final, que seria disputada no Ernst-Happel Stadion, o maior estádio do país, em Viena. Canadá e Estados Unidos venceram seus grupos e jogaram a decisão diante de um público de 20,000 pessoas, o maior público já registrado nos Mundiais de futebol americano. Dentro de campo, não houve a mesma emoção de quatro anos antes: tranquila vitória dos EUA por 50×7.

A edição de 2015 foi especial por dois motivos: um deles foi a sede da competição. A IFAF tinha definido inicialmente que o torneio aconteceria em Estocolmo, na Suécia. Mas em dezembro de 2014, o comitê organizador local anunciou que não conseguiu patrocínios para erguer a estrutura necessária e abriu mão de receber a competição. A Federação dos EUA interveio, e garantiu a disputa do mundial em Canton, Ohio, sede do Hall da Fama do Futebol Americano Profissional.

O segundo motivo foi a estreia da Seleção Brasileira. O continente americano tinha direito a quatro vagas. Três delas foram para EUA (defensores do título), Canadá e México (vice e terceiro colocados em 2011, respectivamente). A última vaga seria disputada entre o vencedor do Central American Bowl e o Brasil, único representante apto da América do Sul naquele momento. O Panamá venceu a Costa Rica no Bowl e seria então o adversário dos Onças, em jogo a ser disputado no Panamá, em 31 de Janeiro de 2015. E deu Brasil: com uma bela vitória por 26×14, os Onças carimbaram seu passaporte para os EUA.

Depois do incidente com a Suécia, a Copa do Mundo estava salva, mas houve sequelas: Alemanha e Áustria desistiram de participar, alegando que não conseguiriam arrecadar dinheiro suficiente para viajar aos Estados Unidos tão em cima da hora, tendo o mesmo acontecido com a então anfitriã Suécia. Marrocos (que seria o primeiro representante africano) e Canadá também abriram mão da disputa. Assim, dos 12 participantes previstos inicialmente, apenas 7 disputaram a Copa do Mundo.

A participação do time brasileiro foi bastante digna. Os Onças perderam para a França por 31×6 na estreia, mas venceram a Coreia do Sul por 28×0 na sequência, antes de se despedirem em uma apertada derrota para a Austrália por 16×8. No entanto, mesmo com a vitória sobre os coreanos, o Brasil acabaria o torneio na última posição, devido a uma bizarrice no regulamento provocada pela desistência de última hora do Canadá. Vamos tentar explicar: Brasil, Austrália e Coreia do Sul perderam na estreia e disputariam uma repescagem para definir suas posições finais na classificação. Brasil e Coreia se enfrentaram, e o vencedor jogaria contra a Austrália. Como vimos, a Austrália venceu o Brasil, e se classificou para a disputa de quinto lugar, contra a… Coreia do Sul, que deveria ter enfrentado os canadenses, mas acabou ganhando passe livre. Parece estranho, e é.

Na outra ponta da tabela, os Estados Unidos venceram todos os seus jogos com muita tranquilidade, e garantiram o terceiro título consecutivo após uma acachapante vitória por 59×12 contra o Japão na final.

A próxima edição do Mundial está marcada para 2019, e ainda não tem uma sede definida. A intenção da IFAF é que agora 12 países realmente disputem o torneio. As eliminatórias europeias serão disputadas a partir de 29 de Julho, na Finlândia. Ainda não há informações sobre a classificatória das Américas.

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