quinta-feira, 21 de junho de 2018

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Na semana passada, falei sobre como um grupo de homens ricos e poderosos se juntou para criar uma liga alternativa à NFL no final da década de 50. Surgia ali a AFL, que desde o princípio era uma pedra no sapato da então hegemônica liga de futebol americano – muito dinheiro, contrato grande de televisão, “roubo” de estrelas universitárias. Vamos entender como essa situação se desenrolou até o primeiro Super Bowl?

A primeira temporada da AFL acabou em 1 de janeiro de 1961, com o Houston Oilers derrotando o Los Angeles Chargers por 24 a 16 e ficando com o troféu. Pode-se considerar que houve sucesso, mas também motivos para preocupação. A diferença financeira entre times mais fortes e mais fracos causava um grande desequilíbrio e o público foi abaixo do que se esperava. Ainda assim, nenhum time se desfez para a segunda temporada, que novamente traria as mesmas oito franquias.

Dois times sofriam bastante – o Oakland Raiders, que tinha a média de público mais baixa da liga e, sem donos tão poderosos, não conseguia montar um bom elenco, e o New York Titans, que decretou falência após 1962. Para impedir a perda de um membro, a liga assumiu o controle da franquia até aparecer um comprador, Sonny Weblin, que mudou o nome da equipe para New York Jets.

O Dallas Texans venceu a segunda temporada, mas também tinha pouco público em seu estádio – o motivo principal era a concorrência com o Dallas Cowboys, gigante estabelecido da NFL. Assim, a mudança era necessária – em 1963, foi para Kansas City e assumiu o nome de Chiefs. No terceiro ano, o troféu foi para o San Diego Chargers, que também havia se mudado.

Aos poucos, as coisas foram entrando nos eixos para a AFL. Os times fracos já começavam a se encontrar e o público se interessava pela nova liga. O passo final para o sucesso absoluto, porém, veio com o segundo contrato de televisão assinado: depois de um de 2 milhões em 1960, um de 36 milhões em 1964. Com a mídia dando atenção para as equipes, não demorou para que as arquibancadas se enchessem – uma partida entre New York Jets e Buffalo Bills levou mais de 60 mil torcedores para o Shea Stadium.

Com dinheiro da televisão e das bilheterias, a AFL deixava de ser uma liga de homens ricos para ser uma liga lucrativa. Se já conseguia roubar estrelas universitárias, isso se tornou corriqueiro. Em 1965, New York Jets e St. Louis Cardinals, da NFL, selecionaram o quarterback Joe Namath, de Alabama, nos drafts. Ele foi para o alviverde nova-iorquino com um contrato profissional recorde de 427 mil dólares.

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Surgiram as primeiras expansões da nova liga: o Miami Dolphins e o Cincinnati Bengals. O golpe final para realmente roubar a atenção e preocupar a NFL veio quando o Oakland Raiders, que havia se estruturado com um homem genial chamado Al Davis como general manager, começou a não só pegar prospectos universitários, mas também a contratar estrelas estabelecidas da liga mais antiga.

Em segredo, donos de equipes tradicionais da NFL começaram a se encontrar com Lamar Hunt e outros chefões da AFL para discutir uma fusão. O primeiro passo para isso seria uma disputa de título entre os campeões das duas ligas. O primeiro “world championship game”, que ainda não receberia o nome de Super Bowl, aconteceria em 1967. Se tudo desse certo, a junção completa, com um draft em comum e 28 equipes, seria em 1970.

O hoje conhecido como Super Bowl I foi jogado em 15 de janeiro de 1967. Era sabido que os times da AFL, apesar de estarem se aproximando cada vez mais em qualidade, ainda não podiam competir com os da NFL. A expectativa era de um massacre, e foi o que aconteceu.

O Green Bay Packers era o campeão da NFL e tinha os lendários Vince Lombardi como técnico e Bart Starr como quarterback. Do outro lado, estaria o Kansas City Chiefs. Em Los Angeles, a partida até que teve um primeiro tempo equilibrado, com placar de 14 a 10 para os verdes e amarelos. Mas não havia como o nível ser mantido e o placar final foi de 35 a 10. Starr foi o MVP do duelo.

Mas a tendência era de que cada vez mais houvesse um equilíbrio de forças e a NFL sabia disso, por isso (e pelos enormes ganhos financeiros que seriam gerados), a fusão. E como já sabemos, a AFL surgiu após expansões da maior liga do esporte serem negadas aos homens que a criaram. Após uma resistência de sucesso e um contra-golpe digno de nota, a missão estava completa – todos eles teriam suas franquias.

Na próxima quinta-feira, terminaremos essa história, falando de como a fusão se consolidou.

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