quinta-feira, 10 de Maio de 2018

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A pergunta “Joe Flacco é um quarterback de elite?” um dia foi levada a sério na NFL. Após uma excepcional campanha em 2012, o atleta conseguiu levar o Baltimore Ravens a vencer o Super Bowl e, de quebra, ainda ganhou o prêmio de MVP do jogo mais importante do futebol americano. Assim, ele recebeu um enorme contrato de seis anos, 120 milhões de dólares.

Exceto por um pequeno brilho em 2014, Flacco nunca mais foi o mesmo. Regrediu a cada ano, virando mais um game manager do que um quarterback capaz de decidir jogos. Para piorar, com a extensão assinada em 2016, seu contrato se tornou parasitário para a franquia, dificultando na chegada de novos talentos e fazendo com que Baltimore seja quase que refém do atleta. A luz do fim do túnel veio no draft de 2018, duas semanas atrás: a seleção de Lamar Jackson na primeira rodada mostra que os dias do homem que se popularizou pelos “arranha-céus” dos playoffs de 2012 estão contados.

Na coluna dessa semana, respondo ao questionamento enviado por Eduardo Manfredo (@ManfredoEdu): qual o futuro de Joe Flacco e Lamar Jackson em Baltimore? Para ter a sua pergunta analisada e debatida aqui na próxima quinta-feira, envie-a no Twitter para @massaricarlos!

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Flacco foi escolhido na primeira rodada do draft de 2008 e, logo de cara, mostrou promessa: foi votado calouro do ano naquela temporada. A evolução de seus primeiros anos parecia clara e culminou na já citada excelente campanha de 2012. Após um 2013 muito ruim, que começou a colocar uma pulga atrás da orelha dos torcedores do Ravens, a recuperação pareceu vir com tudo em 2014. Só que, desde então, só declínio. Confiram os números das últimas quatro temporadas:

2014: 334-554 (62,1%), 3986 jardas (7,2 por tentativa), 27 touchdowns, 12 interceptações, rating de 91 (décimo sexto melhor da NFL).
2015: 266-413 (64,4%), 2791 jardas (6,8 por tentativa), 14 touchdowns, 12 interceptações, rating de 83,1 (trigésimo melhor da NFL).
2016: 436-672 (64,9%), 4317 jardas (6,4 por tentativa), 20 touchdowns, 15 interceptações, rating de 83,5 (vigésimo quarto melhor da NFL).
2017: 352-549 (64,1%), 3141 jardas (5,7 por tentativa), 18 touchdowns, 13 interceptações, rating de 80,4 (vigésimo quinto melhor da NFL).

A imagem construída de Joe Flacco é a de um quarterback de braço forte e que castiga nos passes longos. Porém, ela não passa de pura fantasia e de uma memória falsa criada pela apresentação nos famosos playoffs de 2012. O atleta do Ravens nunca na carreira teve uma média de jardas por tentativa maior do que 7,4 (que, só em 2017, doze signal callers alcançaram). Na verdade, é um dos jogadores mais conservadores da posição.

O único número que melhorou de 2014 para frente foi a porcentagem de passes completos e isso se deve justamente por esse conservadorismo – Flacco ama os passes curtos, na profundidade da linha de scrimmage, e raramente arrisca. Essa é uma tendência que se destaca cada vez mais – observem a queda brusca em jardas por tentativa nos números acima. Ele também ficou sempre na segunda metade em rating nos últimos três anos, mostrando que hoje é um dos piores titulares da NFL. Sua nota do ProFootball Focus de 2017 também o coloca na vigésima quarta posição entre os quarterbacks.

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Nesse momento, não parece haver esperança de que Flacco volte a atuar em bom nível. Em 2018, Baltimore ainda é refém do atleta – seu corte resultaria em um dead money de absurdos 28 milhões de dólares. Para 2019, apesar de ainda haver dead money de 16 milhões, já aconteceria uma liberação de 10,5 milhões no cap – que seriam muito necessários para uma equipe que, um ano antes de chegada do próximo ano da liga, tem apenas 32 milhões disponíveis.

Parece favas contadas que 2018 é a última temporada de Joe Flacco com o Ravens. Mesmo que aconteça um milagre e ele volte a jogar como em 2012, a seleção de Lamar Jackson deve encerrar seu ciclo com o time. Sua chance seria encarnar Tom Brady ou algo do tipo, chegando a um nível que nunca chegou. E não poder cortá-lo agora, na verdade, mata dois coelhos com uma cajadada só para a equipe.

Por um lado, há um quarterback garantido, mesmo que fraco, para a temporada. Por outro, dá um ano para que Lamar Jackson possa se desenvolver e aprender melhor o jogo profissional. O produto de Louisville tem um potencial absurdo, é uma ameaça pelo ar e pelo chão, é veloz e explosivo, mas não está pronto. Precisa trabalhar bastante ainda, principalmente em sua precisão.

A má notícia é que Baltimore precisará aguentar mais um ano de Joe Flacco – o que provavelmente significa ficar fora dos playoffs. A boa notícia é que isso tem data para acabar e que, em 2019, a franquia finalmente estará livre dessa parasitagem.

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Só existe um grande “e se?” nessa história: O que acontece se Jackson aparecer bem na pré-temporada e Flacco começar a fazer um ano terrível, regredindo ainda mais, causando sucessivas derrotas? Poderemos ver o calouro em campo logo? Seria um cenário muito ruim – um quarterback cru dentro de campo, operando um ataque que foi desenhado para um jogador com estilo totalmente diferente, com o homem que toma quase o espaço salarial da franquia sentado no banco de reservas. Caso seja isso que o futuro nos traga, porém, a temporada estará perdida de toda forma.

O futuro do Baltimore Ravens é Lamar Jackson e esse futuro chega em 2019. Um novo ataque será desenhado e haverá mais espaço salarial para trazer bons complementos. A franquia, que recentemente esteve quase sempre entre as mais fortes da NFL, terá uma chance para voltar ao topo da NFL. Para isso, precisará que o quarterback vingue e que os demais investimentos sejam bem feitos.

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