quinta-feira, 28 de junho de 2018

Compartilhe

Nas últimas duas semanas, falei sobre a criação da AFL por homens ricos descontentes com não conseguirem franquias de expansão na NFL e sobre como a nova liga cresceu e fez com que uma fusão com a gigante do futebol americano se tornasse inevitável. O Super Bowl I, que ainda não tinha esse nome, foi disputado em janeiro de 1967, com a vitória do Green Bay Packers sobre o Kansas City Chiefs.

Embora já houvesse o acordo para a fusão em 1970, as ligas continuaram acontecendo separadamente, com apenas o jogo de final de temporada para decidir o “campeão mundial”. A temporada de 1967 da AFL contou com nove equipes: Houston Oilers, New York Jets, Buffalo Bills, Miami Dolphins, Boston Patriots, Oakland Raiders, Kansas City Chiefs, San Diego Chargers e Denver Broncos. Na NFL, eram dezesseis franquias: Dallas Cowboys, Philadelphia Eagles, Washington Redskins, New Orleans Saints, Cleveland Browns, New York Giants, St. Louis Cardinals, Pittsburgh Steelers, Los Angeles Rams, Baltimore Colts, San Francisco 49ers, Atlanta Falcons, Green Bay Packers, Chicago Bears, Detroit Lions e Minnesota Vikings.

Mais uma vez, o Packers de Vince Lombardi e Bart Starr dominou a NFL e ficou com o título, derrotando o Dallas Cowboys na decisão por 21 a 17. Na AFL, o Oakland Raiders de Al Davis terminou seu enorme crescimento após ser um time quase falido em seu início para levantar o troféu, após um massacre por 40 a 7 sobre o Houston Oilers. O Super Bowl II mostrou mais uma vez que ainda havia uma grande diferença entre as duas ligas, com o time de Wisconsin ganhando o bi-campeonato com um triunfo por 33 a 14.

Porém, isso acabou no Super Bowl III: apesar de o Baltimore Colts ser favorito por nada menos que dezoito pontos contra o New York Jets, a zebra aconteceu e mostrou que, de fato, a fusão entre AFL e NFL era urgente – o alviverde nova-iorquino levantou o caneco com uma vitória por 16 a 7 em um duelo extremamente defensivo. O Colts cometeu cinco turnovers e nem o lendário quarterback Johnny Unitas resolveu alguma coisa.

Em 1968, o Cincinnati Bengals se juntara à NFL, fazendo com que o número total de equipes entre as duas ligas ficasse par novamente. As ligas continuavam acontecendo separadamente em questões de contratos televisivos, de jogadores, patrocínios e divisão de jogos, mas já mantinham desde 1967 um draft em comum, encerrando assim a guerra pelos atletas e começando a gerar um maior equilíbrio que já se vira no Super Bowl III.

LEIA MAIS: Existe racismo contra quarterbacks negros na NFL?

Um problema para a fusão era a questão dos mercados compartilhados: nas conversas iniciais, a NFL exigia que Raiders e Jets se mudassem, evitando disputa com 49ers e Giants. A AFL recusou, mas a necessidade que a principal liga tinha da fusão era tanta que ela acabou aceitando duas equipes nas mesmas cidades ou regiões. Assim, as propostas em manga de que esses times deveriam ir, respectivamente, para Portland e Memphis, não saiu do papel.

A AFL voltou a vencer no Super Bowl IV, empatando o placar geral em 2 a 2. O Kansas City Chiefs derrotou o Minnesota Vikings por 23 a 7, ou seja, um placar bem mais dilatado do que o aplicado pelo Jets sobre o Colts. Esse seria o último antes da fusão.

Para a temporada de 1970, AFL e NFL seriam uma só liga. Elas se tornariam conferências diferentes, a American Football Conference (AFC) e National Football Conference (NFC), referindo-se às antigas American Football League e National Football League. Como a primeira tinha dez equipes e a segunda dezesseis, era necessário ser feito um balanceamento.

Baltimore Colts, Cleveland Browns e Pittsburgh Steelers foram os três times que aceitaram migrar da NFC para a AFC, deixando os dois lados com treze times. Houve muitos problemas para realinhar as equipes da antiga NFL em três divisões, duas com cinco equipes e uma com quatro, já que eram quatro com quatro antes da fusão. Foi necessário um sorteio para decidir o alinhamento, e das grandes rivalidades de hoje, algumas já existiam, outras foram criadas pelo poder das bolinhas.

Um novo enorme contrato televisivo foi assinado, incluindo até mesmo a criação do Monday Night Football. A NFC ainda era mais forte, mas nem tanto: foram disputados 60 jogos entre as ligas na temporada de 1970, com 39 vitórias da liga mais antiga e 21 da AFC. Mas das franquias que migraram de conferência, apenas o Baltimore Colts chegou aos playoffs.

E ele acabaria vencendo também o Super Bowl V: 16 a 13 contra o Dallas Cowboys, em mais um show de turnovers – a equipe campeã cometeu nada menos do que sete, contra quatro dos adversários. Mas o que importava é que a maior liga de futebol americano do mundo se tornava incrivelmente mais forte, lucrativa e abrangente. E bem parecida com a que conhecemos hoje.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply