segunda-feira, 11 de junho de 2018

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Vimos nos últimos anos o surgimento emergente de um WR que prometia ser um dos melhores de sua geração. A combinação de velocidade e força parecia perfeita e então a chance de dominar todos os DBs adversários a cada domingo parecia de certa maneira, inevitável. O atleta poderia então representar o núcleo principal da montagem de um sistema de jogo incrível para seu time e simbolizaria a entrada em uma nova fase na combalida franquia. Claro que pelo título você já sabe que falo de Josh Gordon, o WR do Cleveland Browns que teve uma tribulada carreira entre os profissionais e apesar de ter sido recrutado no Draft suplemental de 2012, ainda está eu seu contrato de calouro.

Isto pois os problemas extra-campo que atormentaram a carreira do atleta custaram várias temporadas até agora. Apesar de ter feito sua estreia em 2012, ele atuou em apenas 40 jogos como profissional: foram duas temporadas inteiras suspenso e mais três em que perdeu boa parte delas devido a suspensões, principalmente por consumo de substâncias proibidas. Contudo, ele retornou na parte final da temporada passada pela primeira vez desde 2014 e representou um alento para os torcedores, afinal, mesmo com uma pequena amostra de desempenho, tem-se que ele é um dos atletas mais talentosos a vestir a tradicional camisa do Browns desde a ressurgimento do time em Cleveland, no ano de 1999.

Não acredita? Analise a temporada de 2013 do veterano WR. Foram 87 recepções para 1646 jardas (melhor marca da NFL) e nove TDs em apenas 14 jogos em que atuou. Mais impressionante que isso, é que naquele ano o Browns teve Brandon Weeden, Brian Hoyer e Jason Campbell como Quarterbacks titulares. Se compilar estatísticas do nível que Gordon teve já é muito difícil, alcançar tais números com este trio lançado a bola para si é algo que realmente merece louvor. Gordon é um jogador diferente.

Contudo, ele jamais foi capaz de recriar tais estatísticas depois disto. Muito por conta das várias suspensões, que o impediram de criar qualquer sintonia e continuidade com o elenco em constante rotatividade, mas isto já está no passado. Gordon está tendo uma intertemporada completa para trabalhar com seus novos companheiros e ao que tudo indica, estará no elenco na abertura da temporada e assim permanecerá até o final da mesma.

Quando ele retornou na parte final da última campanha, pareceu finalmente estar arrependido de seus erros cometidos. Ele treinou, enquanto suspenso, com Tim Montgomery, um ex-atleta que conquistara a medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney em 2000 no revezamento 4×100 metros e que já teve o recorde mundial nos 100 metros rasos, mas perdeu todas as medalhas e recordes por confessar o uso de esteroides anabolizantes. Ao ser condenado a oito anos de prisão por venda e consumo de heroína, Montgomery pareceu ter chegado ao fundo do poço. Ele sabe mais que ninguém o quão perigoso é o mundo das drogas e além de toda a ajuda nos treinamentos físicos, parece ter ajudado Gordon psicologicamente também, afinal nada melhor que um exemplo vivo do quão perigoso é o mundo das drogas.

Parece que finalmente todos estes problemas já ficaram no passado e ele terá a oportunidade de atuar por toda a temporada pela primeira vez desde 2012. Melhor que isto, ele estará presente em todos os treinamentos para entrar e permanecer em forma para a desgastante e exigente temporada regular da NFL. De fato isto é muito importante, pois a cada retorno de suspensão, o jogador parecia não estar na melhor forma física, parecia estar usando a própria temporada para se recuperar e adquirir ritmo de jogo.

Ao passar muito tempo com a comissão técnica, ele poderá entrar nas partidas totalmente preparado para isso. A temporada de 2013 nos mostrou que a principal característica do atleta é a explosão física combinada com sua altura (ele tem 1,91m), o que o torna praticamente indefensável contra CBs que raramente alcançam esta altura. Ser capaz de vencê-los na velocidade ao mesmo tempo que possui a vantagem física para subir no terceiro andar a e fazer a recepção o tornam a arma perfeita para a posição. Tais atributos são muito mais fáceis de serem alcançadas durante os treinamentos de Junho à Agosto e não durante as partidas, onde era seu dever chegar no auge físico e técnico.

Abordamos recentemente a remodelação do ataque do Cleveland Browns como um tudo, e como a unidade tem tudo para surpreender em 2018, e isto também terá muita valia. Em 2013, o TE Jordan Cameron era a solitária ajuda que Gordon tinha para equiparar as ações no ataque aéreo, o que levou a enfrentar muitas marcações duplas durante toda a temporada. Em 2018, graças ao variado arsenal ofensivo que Cleveland conseguiu reunir, ficará muito difícil para o ataque adversário dobrar a marcação a todo instante e caso isto ocorra, abrirá um leque de possibilidades para atletas como Jarvis Landry, Corey Coleman e David Njoku emergirem e castigarem pelo ar.

Mesmo com tantas opções ofensivas que o QB Tyrod Taylor terá em 2018, um saudável e igualmente motivado Josh Gordon é de longe a melhor delas. A ameaça vertical que o jogador adiciona a montagem do plano de jogo do coordenador Todd Haley também será primorosa e essencial para retomarem o caminho das vitórias, já que o biênio de 2016 e 2017 foi discutivelmente o pior da história para qualquer franquia da NFL, com apenas uma vitória em 32 partidas disputadas, incluindo um histórico recente de dezessete derrotas consecutivas, o que também os coloca na lista de piores marcas da rica história da NFL.

Este que vos escreve torce sinceramente para que Gordon volta ser aquele atleta que fora por apenas uma temporada, no longínquo ano de 2013. Não porque o Browns vem sendo uma fábrica de decepções ultimamente ou planejo escolhê-lo em meu time no Fantasy da NFL, mas honestamente odeio ver um talento tão grande sendo perdido para o mundo das drogas.

Todos merecemos uma segunda chance, e é hora de Josh Gordon aproveitar a sua.

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