sexta-feira, 18 de maio de 2018

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Normalmente quando uma torcida termina uma temporada animada é porque seu time fechou o ano com uma campanha positiva, com aparição na pós-temporada. Mas e quando a franquia termina 6-10, isso é motivo de no mínimo um pouco de indignação, certo? Não. Pelo menos não se você começou a temporada com nove derrotas consecutivas. Esse é o caso do San Francisco 49ers. A arrancada no final da temporada após a chegada de Jimmy Garoppolo , com seis vitórias nos últimos setes jogos, empolgou e encheu de esperanças o torcedor.

A free agency foi interessante para a equipe californiana, adicionando bons jogadores em posições de necessidade. Jerick McKinnon cai como uma luva no esquema de Kyle Shanahan, Weston Richburg chega para assumir a titularidade na posição de center e o antigo rival Rishard Sherman, caso saudável, trás um salto de qualidade gigante para a secundária. Mas ainda assim restaram buracos no plantel e muitos (mas não todos) foram adereçados no draft.

A primeira escolha do time, nona geral, veio de uma disputa de cara ou coroa vencida sobre o Oakland Raiders e como essa pequena vitória veio a calhar, já que ambos os times estavam interessados no mesmo jogador para a escolha. Mike McGlinchey, tackle de Notre Dame, foi selecionado pelo 49ers e deve assumir a titularidade já na semana um como right tackle. Essa escolha surpreendeu muita gente já que tackle não era exatamente uma necessidade, com Joe Staley ainda com 2 anos de contrato e Trent Brown disponível para jogar no lado oposto. Porém dois pontos devem ser considerados aqui: Brown não se encaixa no estilo de tackle apreciado por Shanahan; e Jimmy Garoppolo precisa ser protegido. Desta forma esta seleção faz todo sentido, selecionando o melhor jogador disponível na classe em uma posição valiosa no elenco. E reforçando a justificativa da escolha, Brown foi trocado para o Patriots no dia seguinte.

Na segunda rodada, outra surpresa. Após uma troca para cima, o 49ers selecionou o WR Dante Pettis, de Washington. Há quem diga que foi um reach (ou seja, escolher um jogador antes do previsto) mas Garoppolo, além de proteção, também precisa de armas. Pettis é talvez o melhor corredor de rotas da classe, característica que Shanahan valoriza muito. Além disso tem ótimas mãos e se destacou como retornador de punts, com 9 retornos para touchdown em 2017.

Em sua primeira escolha na terceira rodada o linebacker Fred Warner de BYU foi o escolhido. Com toda a incerteza sobre o caso de Rouben Foster esta posição precisava de reforço e Warner é uma ótima adição. Era capitão em BYU e possui uma ótima inteligência de jogo, além de caráter impecável e espirito de liderança, características muito valorizadas pelo GM John Lynch. O jogador possui uma ótima habilidade para cobertura contra passes, mas precisa melhorar suas mecânicas de tackle. Quando em campo, deve ser utilizado como weak side linebacker.

Ainda na terceira rodada foi selecionado o safety Tarvarius Moore, de Southern Mississippi, jogador de braços longos, 1,88 de altura e muito atlético. A intenção do 49ers é fazer a transição do jogador para outside cornerback a fim de aproveitar seu tamanho e velocidade (correu o tiro de 40 jardas em 4,32 segundos em seu pro day). Ele possui experiência cobrindo slots receivers, mas precisará ganhar corpo para competir com recebedores mais fortes nas laterais do campo.

O terceiro dia de draft começou com o fantasma de Trent Baalke rondando a escolha. Seleção na quarta rodada, o linha defensiva Kentavius Street, de North Carolina State, rompeu o ligamento cruzando pouco antes do draft e deve perder toda a temporada de 2018. Saudável, deve trazer profundidade a linha defensiva (o que sempre é bom), mas deverá ser aproveitado apenas em 2019. De Kansas State, a próxima escolha foi o cornerback D.J. Reed, que deverá ser útil como retornador além de trazer profundidade à secundária, com habilidade para jogar marcando recebedores no slot. Marcel Harris, safety de Florida tem potencial, mas é outro com histórico de lesões. Saudável é um jogador muito físico que trás profundidade a posição de safety.

Os jogadores de linha defensiva de Temple tendem a ser ótimos atletas e muito bem treinados na universidade, e é daí que sai Jullian Taylor. O jogador ainda é bastante cru, porém tem um atleticismo impressionante. Caso consiga ser ensinado a jogar no nível exigido pela NFL pode ser um grande achado para uma escolha de sétima rodada. A última escolha foi usada no recebedor Richie James, de Middle Tennessee State, um jogador ágil e que é mais forte que sua baixa estatura demonstra. Tem capacidade para causar impacto imediato como slot receiver no esquema de Shanahan.

O segundo draft da era Lynch/Shanahan no 49ers foi de forma geral muito bom. Todas as necessidades foram supridas? Não. O time ainda precisa de um defensive end com habilidade de pressionar o quarterback adversário e, enquanto está muito bem de center e tackles, precisa de guards melhores (ainda mais quando você enfrentará Donald e Suh duas vezes no próximo ano). É claro que o time definitivamente está muito melhor para o início da próxima temporada, porém ainda se trata de uma equipe em reconstrução, com um grupo não muito diferente do que começou a temporada com nove derrotas consecutivas no ano passado. Não que seja impossível, mas talvez ainda não seja o momento do torcedor do 49ers pensar em pós temporada.


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