terça-feira, 30 de outubro de 2018

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A segunda-feira seguinte ao último dia da temporada regular é conhecida por quem acompanha a NFL como a Black Monday, por causa das várias demissões que costumam ocorrer nas comissões técnicas e diretorias dos times ao redor da Liga. O Cleveland Browns fez ontem a sua própria Black Monday. Sim, na metade da temporada. Foram demitidos o técnico principal, Hue Jackson, e o coordenador ofensivo, Todd Haley. O técnico interino será Gregg Williams, que era o coordenador defensivo, e o ataque será comandado por Freddie Kitchens, promovido da posição de técnico dos RBs.

Que o trabalho de Jackson era ruim, é praticamente impossível discordar. Foram 40 jogos comandando o time, com apenas 3 vitórias. É a pior campanha de um técnico neste espaço amostral em toda a história da NFL, que inclui uma temporada 1-15 em 2016, seguido pelo segundo 0-16 da história da Liga, com seguidas trocas de QB titular que aparentavam um controle zero sobre o seu plantel. Mas mesmo com números tão lamentáveis, o timing da demissão ainda consegue ser questionável, por incrível que pareça. A pergunta que fica é: se o Browns considerava que Hue Jackson era parte crucial das péssimas campanhas, por que então já não começaram o ano com um novo treinador? E se a franquia julgou que ele merecia uma chance, o que mudou em meia temporada que não pudesse pelo menos esperar até dezembro? Difícil explicar.

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A justificativa dada pelo dono Jimmy Haslam e pelo GM John Dorsey é de que o time regrediu, e também pela liderança exercida por Jackson, que não seria a desejada pelos seus chefes. A parte da regressão é particularmente complicada de se assimilar. A equipe vem em queda durante o mês de outubro se comparada com setembro, OK. Mas essas oscilações são bem compreensíveis, afinal trata-se de um elenco jovem comandado dentro de campo por um quarterback calouro que assumiu a titularidade com a temporada já em andamento. Uma coisa seria dizer que Jackson é um limitador para esses jovens evoluírem. Há argumentos para isso (ver próximo parágrafo), e é algo que já era visível desde o ano passado, no mínimo. Mas regressão? De um time que acaba de vir de um 0-16? Não cola.

Chegamos então na parte da liderança. Se você assistiu a última temporada do Hard Knocks, certamente reparou nas várias discussões bobas, com argumentos rasos, algo que certamente não combina com um perfil de líder. E nas últimas semanas veio a disputa que acabou se tornando pública com Todd Haley pelo comando do ataque. O então coordenador ofensivo chamava as jogadas sem a interferência de Jackson, que queria chamar para si essa responsabilidade e não mediu muito as palavras quando questionado pela imprensa sobre o assunto, dizendo que queria “ajudar Todd (Haley)” no que fosse necessário. A situação evidentemente se tornou insustentável. Dorsey queria demitir Jackson. Haslam queria se livrar de Haley. No final das contas, ambos rodaram. Mas bato no ponto novamente: a personalidade de Hue Jackson não mudou do dia para a noite. Se John Dorsey chegou na franquia no meio do ano passado, Haslam acompanhou o técnico por todo seu período em Cleveland. Se o temperamento dele era um problema, por que não o demitiram antes?

E a coisa só fica ainda mais contraditória quando você para pra pensar que o time será comandado por Gregg Williams. Pra quem não sabe (ou não se lembra), Williams foi o protagonista do escândalo chamado Bountygate nos seus tempos de New Orleans Saints (resumo bem rápido: o Saints pagava bônus extracontratuais para seus defensores que machucassem os QBs adversários). Belo exemplo de liderança, não? E como se isso não bastasse, por ele ser uma mente defensiva no comando do time, e com um técnico de RBs como coordenador ofensivo (além do vestiário em chamas), temos um cenário longe do ideal para o desenvolvimento de Baker Mayfield. No fim das contas, o Browns conseguiu transformar uma temporada em que eles tinham zero expectativas de pós-temporada em um ano perdido.


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