quarta-feira, 4 de julho de 2018

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Tendo a sua importância incomparável com qualquer outra posição dentre todos os esportes, os Quarterbacks são vitais para o sucesso de uma equipe na NFL. A dificuldade para se encontrar um bom QB faz com que as equipes que possuem um jogador confiável, permaneçam com o atleta, em muitos casos, até a sua aposentadoria. No entanto, Alex Smith, que é um bom jogador da posição, possui uma trajetória que contraria esta tendência. Hoje iremos tentar entender este curioso caso de Alex Smith.

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Escolhido pelo 49ers na primeira posição geral do Draft 2005 (o mesmo que contava com Aaron Rodgers), Smith jogou suas primeiras 8 temporadas em San Francisco. Em seus 5 primeiros anos na liga, Smith conviveu com lesões que, além de dificultarem a sua evolução, só permitiram ao jogador disputar uma temporada completa. Analisando seus números neste período, podemos notar as características que viraram quase que uma marca (injusta) do estilo de Alex Smith até os dias atuais: o desempenho mediano.

Se este texto estivesse sendo escrito antes de 2012, não seria injusto chamar Smith de mediano, talvez fosse até um elogio. No entanto, se consideramos o seu desempenho entre 2012 e 2016, muito provavelmente, uma avaliação para o atual QB do Redskins como um jogador apenas regular, já seria injusta. E, por fim, ao analisarmos o desempenho de Smith na temporada 2017 – sobre a qual falaremos mais a frente – podemos notar que Alex foi muito acima de qualquer média de desempenho. Um dos pontos curiosos em relação a Smith está relacionado exatamente a isto. Muitos fãs da NFL criaram uma imagem do jogador e não conseguem perceber a evolução do atleta.

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Outro ponto curioso da carreira de Smith são as trocas de equipe. Como mencionado no início do texto, a dificuldade de se conseguir um QB confiável, leva as equipes a permanecerem longos períodos com o mesmo jogador. No caso de Alex, o Redskins será a sua terceira equipe na liga. O fato mais curioso é que o jogador deixou as suas duas equipes anteriores exatamente quando estava no melhor momento de sua passagem por estes times. Em 2012, Smith tinha os melhores números de sua carreira em aproveitamento de passes, rating e média de jardas por passe; quando sofreu uma concussão, dando lugar a Colin Kaepernick. Após a sua recuperação, Alex esperava retornar ao time, no entanto, Jim Harbaugh, então treinador da equipe, decidiu pela permanência de Kaepernick. Na temporada seguinte, Smith se transferiu para o Chiefs.

Em Kansas City, foram 5 temporadas em que Smith se manteve em um bom nível. No entanto, no Draft 2017, o Chiefs decidiu por fazer uma troca para selecionar o QB Patrick Mahomes, na 10ª escolha da primeira rodada. Com este movimento, a equipe demonstrava claramente que Alex não estava nos planos em longo prazo, o que veio a se concretizar com a troca do atleta para o Redskins durante a offseason. Na última temporada em Kansas City, já tendo Mahomes como seu reserva e futuro substituto, Smith teve o melhor desempenho de toda a sua carreira. Foram 4042 jardas, 26 TDs, 8 jardas de média por tentativa, apenas 5 interceptações e, de quebra, a liderança entre todos os QBs da liga em Rating (104,7). É obvio que o desempenho do QB nas temporadas anteriores, que na visão do Chiefs havia sido insatisfatório, motivou a escolha de Mahomes. De toda forma, não deixa de ser curioso que, mais uma vez, após uma temporada excelente, Smith receba como “presente” a troca para outra equipe.

A imagem de Smith é sempre associada à de um “Game Manager”. No linguajar do esporte, seria o QB que sabe controlar uma partida, leva seu time a algumas vitórias e, eventualmente, conduz a equipe aos playoffs. Contudo, este jogador, teoricamente, não seria capaz de levar uma equipe ao título do Super Bowl. Esta é uma avaliação que pode realmente estar certa, porém ela se torna injusta, principalmente, se pararmos para questionar quantos QBs fariam tudo que Smith faz, e também já venceram o campeonato? Certamente serão pouquíssimos. Além disto, todos já estão empregados e sem qualquer perspectiva de disponibilidade. Ainda vale acrescentar que, obviamente, é muito especulativo afirmar que Smith nunca venceria o Super Bowl – até porque jogadores tecnicamente inferiores a ele já venceram.

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Outro peso que o QB carrega é o seu retrospecto em jogos de playoffs. Como sabemos, o futebol americano é um dos esportes mais coletivos que existem. Dito isto, se considerarmos apenas os resultados dos jogos, temos um desempenho de 2 vitórias e 5 derrotas, o que é, incontestavelmente, ruim. Todavia, caso a ideia seja avaliar o desempenho individual de Smith, os números não demonstram um jogador que “desaparece” nestas partidas. Em 7 jogos de playoffs, Smith acumula 1745 jardas, 14 TDs, apenas 2 interceptações, e um rating de 97,4.

Aos 34 anos, Smith está no melhor momento de sua carreira. Como pode ser visto no vídeo abaixo, até a teoria de que Smith não demonstrava nenhum arrojo foi quebrada na última temporada. A conexão com seus principais alvos como Tyreek Hill e Travis Kelce funcionou perfeitamente. Até nos passes longos onde, teoricamente, Smith seria deficiente, a evolução foi incontestável. Segundo o Pro Football Focus, Smith foi o QB mais preciso em passes profundos (acima de 20 jardas) da temporada. A campanha mostrada no vídeo em destaque é bem interessante para exemplificar esta mudança de atitude. Vale destacar também a dificuldade do início do Drive, com o QB saindo da linha de 1 jarda de seu próprio campo, e concluindo com um belo passe para TD. O passe final, inclusive, merece ser visto por um segundo ângulo na repetição da imagem. Repare que a bola é colocado precisamente para Hill que – sem precisar diminuir sua aceleração – consegue completar a recepção. E este foi apenas um exemplo do que foi comprovado estatisticamente pelo Pro Football Focus.

É importante mencionar que não estamos afirmando que Alex Smith joga como Peyton Manning, longe disso, mas é curioso que um jogador com a sua qualidade tenha essa trajetória peculiar. É honesto reafirmar que parte da “fama” que Smith carrega, é resultado de seu próprio desempenho em um período de sua carreira. Entretanto, não reconhecer suas qualidades técnicas e, especialmente, sua evolução, é realmente injusto. Para efeito de comparação, vale tentar lembrar quando um QB, após uma temporada deste nível, esteve disponível para negociação; a resposta, provavelmente, será nunca.

Agora em Washington, Smith começa uma nova caminhada em seu 3º time na NFL. Mesmo jogando em uma divisão complicadíssima, não se surpreenda caso a equipe da capital Americana chegue aos playoffs, pois, por mais que alguns não concordem, o Redskins tem um bom QB, e isto é fundamental na NFL. No Redskins, ao que parece, Alex Smith está sendo reconhecido como o bom jogador que já provou ser. Após a sua troca com a equipe de Washington, o QB assinou um grande contrato que renderá cerca de $71 milhões de dólares totalmente garantidos. Na próxima temporada, teremos a oportunidade de acompanhar se o QB, enfim, se tornará o rosto de uma franquia, ou se teremos mais histórias para contar sobre o curioso caso de Alex Smith.


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