sexta-feira, 11 de Maio de 2018

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Nos últimos anos, observamos um crescimento anormal do faturamento da NFL pelos mais variados motivos. Graças a isso, o teto salarial (valor máximo que cada equipe pode pagar em salários a cada temporada, uma ferramenta para manter o equilíbrio da liga) também aumenta vertiginosamente e uma coisa se tornou comum: Quarterbacks passaram a assinar contratos monstruosos, com milhões de dólares garantidos a cada temporada. Se a grande maioria deles são justos é conversa para outra hora, mas é esta a realidade que temos: em um mundo com mais de sete bilhões de pessoas, não há 32 capazes de serem QBs titulares de alguma franquia, daí o frenesi pela manutenção de um destes poucos seres humanos nas equipes da NFL.

O Dallas Cowboys se colocou em uma situação muito interessante quando recrutou o QB Dak Prescott, oriundo da universidade de Mississippi State na 4ª rodada do Draft de 2014 após grande carreira universitária. O então calouro provou que todos estavam errados à seu respeito: foram 13 vitórias como calouro e a certeza que a transição da era liderada pelo então QB titular Tony Romo seria feita da forma mais natural possível. Mais do que isto, graças ao acordo trabalhista assinado entre NFL e sindicato dos atletas em 2011, o contrato de calouros recrutados no Draft foi tabelado para facilitar as então extensas negociações entre jovens estrelas da NCAA. Com isto em mente, um atleta recrutado na 4ª rodada do Draft tem um peso no teto salarial ínfimo se comparado à outros atletas do time, quiçá os citados Quarterbacks, em sua maioria com contratos multimilionários ou ao menos recrutados na 1ª rodada do Draft e cumprindo seus contratos de calouros, que já garante milhões de dólares garantidos de forma integral.

De fato, a situação contratual de Prescott chega a beirar o ridículo. Ele assinou um contrato de quatro temporadas que pagará o total de U$ 2.7 milhões se cumprido de forma integral que o coloca atualmente como apenas o 35º jogador mais bem pago do elenco do Dallas Cowboys. À titulo de comparação, jogadores reservas como o DE Charles Tapper, C Joe Looney e o OT Chaz Green irão ter um peso no teto salarial maior que o de Prescott em 2018. O WR Cole Beasley, honestamente o 3º na lista do setor irá receber apenas neste ano o valor de U$ 3.25 milhões, mais do que Prescott receberá durante os quatro anos de seu contrato de calouro assinado lá em 2016.

Ao lado está a lista dos possíveis QBs titulares na abertura da próxima temporada e seu consequente peso dentro do teto salarial:

É isto mesmo que você está vendo. Prescott é de longe o Quarterback titular com o menor salário, sendo quatro vezes menor que o segundo atleta desta lista, o QB AJ McCarron, que competirá com o calouro Josh Allen pela titularidade do Buffalo Bills. Claro que em breve ele estará elegível para receber um novo contrato e de fato receberá, mas nesta atual fase da NFL, novos contratos para QBs significam monstruosos valores garantidos, que por sua vez simbolizam grande parte do teto salarial locado em um único atleta, logo, precisarão se reinventar para conseguirem jogadores baratos e de talento para todas as outras posições.

Com isso em mente, o Cowboys estaria em uma posição privilegiada para uma caminhada até o Super Bowl, se aproveitando desta situação que em breve não existirá mais e representa uma enorme vantagem na possibilidade de montagem da equipe, correto? Bom, não é bem assim. O Patriots foi capaz de juntar grandes talentos enquanto o QB Tom Brady abria mão de alguns milhões em busca de títulos em sua gloriosa carreira. O Seattle Seahawks usou o contrato de calouro do QB Russell Wilson (recrutado na 3ª rodada) para montar a melhor defesa desta década e competir por várias temporadas até passar por uma reformulação mais radical ao final da última, mas conseguiu seu título (o primeiro da franquia no Super Bowl 48), fator louvável este. Times como Los Angeles Rams e mais especificamente Philadelphia Eagles estão aproveitando que Jared Goff e Carson Wentz estão na mesma situação (embora com contratos bem maiores, porém totalmente maleáveis se analisados com outros veteranos) e construíram elencos poderosos capazes de serem apontados como os dois principais favoritos na NFC juntamente com o Minnesota Vikings para 2018. São times que aproveitam que a produção monstruosa de seus QBs ainda não condiz com o respectivo impacto no teto salarial, então investem todo o possível para atrair o maior número de talentos e competir imediatamente, isto é, antes da temível porém inevitável renovação com a face da franquia.

Mas o Cowboys, que deveria ser o time a liderar este movimento, está um pouco atrás disto, nem sendo citado como favorito dentro da sua divisão, a charmosa e igualmente disputada NFC Leste.

Vamos descobrir o porquê disto acontecer.

Péssimos contratos recentes e o consequente limitado espaço no teto

Obs: todas informações retiradas do Spotrac.com, site especializado em contratos das ligas esportivas dos EUA

O Cowboys tem no momento pouco mais de U$ 8 milhões disponíveis no teto salarial e ainda precisa assinar com toda a classe de calouros recrutada no Draft deste ano, o que demanda cerca de U$ 7 milhões, ou seja, o pouco espaço disponível será praticamente usado de forma integral para assinarem com todas as suas escolhas feitas neste ano, o que de certa forma é inadmissível.

Jerry Jones tem muita culpa disto. O Cowboys simplesmente não aproveitará o contrato de Prescott pois ainda paga por contratos horrorosos assinados em um passado não tão distante assim, quando Jerry Jones mandava e desmandava dentro da formação de elenco. De certa maneira, Prescott sendo titular é um fator crucial para que a equipe permaneça dentro do limite com todos estes contratos pesados dentro do elenco então, em vez de uma benção, Prescott é um desafogo. São mais de U$ 23 milhões em “dead money”, isto é, dinheiro pago à atletas que sequer estão no time, com a lista sendo encabeçada por Tony Romo, Dez Bryant, Orlando Scandrick, Jason Witten, Cedric Thornton e Nolan Carroll.

A equipe está atrasada em um ano na montagem do elenco devido à estes contratos pesados de jogadores até aposentados (como Romo e Witten), então este ano deverá ser crucial para as pretensões. Claro, haviam aspirações de Super Bowl para o time em 2017, mas a suspensão do RB Ezekiel Elliott e a exposição de alguns problemas de Prescott extirparam qualquer chance, mas não há desculpa para esta temporada que se aproxima.

Para quem Prescott lançará em 2018?

Sim, talvez cortar o WR Dez Bryant tenha sido a melhor solução, afinal ele não chegava perto de desempenhar um papel de destaque que seu salário demandava. Mas, a equipe não fez nenhum movimento correspondente no Draft, perdendo a oportunidade de recrutar o WR Calvin Ridley e esperando até a terceira rodada para escolher um jogador do setor. Acredite em mim, Allen Hurns não substituirá Dez Bryant. Simples assim.

Então, Jason Witten se aposenta de forma súbita, deixando um verdadeiro buraco na posição de TE. Sem nenhuma alternativa viável e segura, como Prescott lidará com isso, já que historicamente jovens QBs adoram se apoiar em TEs veteranos, que trabalham tão bem rotas pelo meio do campo e representam uma válvula de escape para momentos de pressão? Ao que tudo indica, a equipe não está nem um pouco interessada em trazer veteranos como Coby Fleener ou mesmo Antonio Gates para atuarem em situações específicas, isto é, vão confiar nos atletas que la estão e na possibilidade criarem uma conexão com o jovem Quarterback. Sem os dois principais recebedores de sua curta carreira, o ataque aéreo será alvo de bastante análises até Setembro, afinal, por mais talentosa que seja a linha ofensiva e por mais brilhante que seja o RB, a equipe não poderá correr para sempre, principalmente sem uma ameaça viável no ataque aéreo para deixar a defesa adversária honesta.

Não vimos a equipe fazer grandes contratações

Honestamente, não vejo um plano para Dallas nesta altura. Com péssimos contratos pesando, a equipe simplesmente tenta fazer o melhor possível e vai naquela do “ver o que vai dar”. A incapacidade de renovarem com o DE DeMarcus Lawrence (melhor atleta da defesa) resultou na franchise-tag que pagará mais de U$ 17 milhões nesta temporada. O corpo de LBs recebeu a adição de Leighton Vander Esch para ajudar na rotação, mas contar com Sean Lee pelos 16 jogos parece surreal nesta altura da carreira e é uma pena que talvez jamais veremos Jaylon Smith atuando com seu potencial total após uma lesão devastadora de ligamentos em seu último jogo na universidade, ainda nos tempos de Notre Dame. A secundária também tem seus questionamentos e o ataque aéreo, conforme descrito anteriormente, também é uma incógnita nesta altura da temporada, então, a ausência de grandes jogadores reforçando a equipe também pesa nesta desperdício da pechincha que seu QB titular custa, ao menos nesta temporada.

O próprio Spotrac, explicitando seu lado vidente, faz uma previsão que Prescott assinará um contrato de cinco anos e U$ 124 milhões ao término da temporada de 2019, que o colocará como um dos atletas mais bem pagos de toda a NFL e com ao menos uma década de atuação soberba pela frente da carreira. Para o jogador e para a franquia parece ser um bom acordo, afinal, é a garantia de segurar a face dela por vários anos com a tão sonhada estabilidade da posição, mas ao custo salgado de comprometer quase 15% daquilo pago à 53 jogadores em apenas um, mesmo sendo o principal deles.

Vale o destaque que isto pode mudar em breve, com a eminente renovação do QB Aaron Rodgers, do Green Bay Packers, que pode ser utilizada pelo lado de Prescott para garantir alguns milhões a mais na sua conta bancária afinal, com o QB Matt Ryan, do Atlanta Falcons, sendo o primeiro a avançar a barreira de U$ 30 milhões de média durante um contrato, haverá um tempo que isto será o padrão dentro de toda a liga e não há motivos para não imaginar Prescott no meio deste padrão também.

Enquanto isto, direção parece sinceramente contratar e torcer para que dê certo, o que é muito pouco em um esporte de tão alto rendimento e preparação como é a NFL. Um QB titular ao preço de U$ 700 mil dólares por uma temporada (e não por dois quartos de um jogo) deveria ter sido melhor aproveitado por uma equipe tão tradicional e vitoriosa em um passado que já começa a ficar distante, e talvez tal constatação seja a razão por isto não ter sido tão aproveitado, concorda?

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