quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Compartilhe

Dentre todas as ligas esportivas do mundo, a NFL pode ser considerada uma das mais imprevisíveis. Não é incomum que boa parte das previsões de especialistas não se concretizem, motivadas pelo impressionante equilíbrio da liga. Dentro deste cenário, é comum que times não apontados como favoritos, acabem surpreendendo, mesmo após uma temporada anterior ruim. Dito isto, hoje iremos falar de uma equipe que tem boas possibilidades de ser uma destas surpresas, o Denver Broncos.

LEIA MAIS: Apesar de favorito, Jaguars terá bons desafios na interessante AFC Sul

Acostumada a ser umas das protagonistas da AFC nos últimos anos, a equipe de Denver teve uma temporada decepcionante em 2017. Após um começo promissor, em que conquistou 3 vitórias e sofreu apenas uma derrota em seus 4 primeiros jogos, o Broncos retornou de sua semana de bye acumulando 8 derrotas consecutivas. A trágica sequência custou o emprego do ex-coordenador Ofensivo, Mike McCoy, e também gerou surpresa por alguns placares elásticos contra a respeitável defesa do time. No entanto, em 2018, algumas movimentações interessantes da equipe trazem boas perspectivas para a temporada vindoura.

As primeiras mudanças que precisam ser mencionadas são no ataque. A citada demissão de Mike McCoy gerou a promoção do então treinador de QB, Bill Musgrave, ao posto de Coordenador ofensivo. Em um primeiro momento de forma interina, Musgrave foi confirmado como o efetivo titular do cargo para a próxima temporada. Para quem não se recorda, Musgrave era o coordenador Ofensivo do Raiders em 2016. A temporada em questão foi a melhor do QB Derek Carr, que chegou a possuir status de candidato a MVP e futuro top de sua posição. Case Keenum, por sua vez, chegou ao Broncos nesta offseason após a melhor temporada de sua carreira no Vikings. Jogador contestado e com pouco destaque até então, Keenum foi titular em Minnesota após a lesão de Sam Bradford e pode ser considerado a maior surpresa em relação a desempenho em 2017.

Obviamente, é impossível afirmar que a dupla terá sucesso imediato em Denver, entretanto é inegável que, para quem começou a última temporada com Mike McCoy e Trevor Siemian, o cenário é mais promissor. E isto tem relação também com o momento, pois Musgrave tem um trabalho recente de sucesso, e Keenum vem de sua melhor temporada; cenário oposto ao de seus seus antecessores.

LEIA MAIS: Conheça alguns calouros que podem surpreender em 2018

Sobre Keenum, geralmente as análises sobre o desempenho do jogador na temporada passada se resumem a duas vertentes: existem os que consideram que foi apenas um momento em que tudo deu certo, onde o QB estava cercado por bastante talento, e ainda dispunha de um ótimo suporte defensivo. Porém, outros levam em consideração que alguns jogadores demoram mais a se destacar e, no caso específico de Keenum, as muitas mudanças de time e a falta de estabilidade nas poucas vezes em que foi titular, prejudicaram este processo. Neste segundo cenário, e analisando, principalmente, o desempenho técnico em 2017, é possível notar uma evolução considerável de Case como QB. Na visão pessoal deste que vos escreve, Keenum é um jogador que, obviamente, teve uma estrutura que o ajudou, mas me alinho com a segunda forma de avaliar; houve uma evolução considerável em seu desempenho individual, algo que vai além de uma situação favorável.

No Broncos, com a ajuda de Musgrave, o arquiteto do ótimo ataque do Raiders em 2016, Keenum tem condições de desempenhar sua função em um nível semelhante ao que executou no Vikings. As informações sobre o Training Camp dão conta, inclusive, de um ótimo desempenho de Keenum que rapidamente tem entrado em sintonia com seu (bons) alvos. É fato que estamos falando apenas de treinos e que nada disto será importante se o desempenho não se repetir na temporada. Entretanto, é interessante saber do bom desempenho do jogador e de seu entrosamento rápido com os novos companheiros. Algo muito elogiado (com justiça) na última temporada foi a dupla de WRs do Vikings, Adam Thielen e Stefon Diggs, contudo é justo afirmar que Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders também formam uma excelente dupla. Keenum ainda terá o apoio dos promissores calouros Courtland Sutton e DeSean Hamilton.

Leia textos exclusivos a cada semana sobre todos os times da NFL. Seja um assinante L32

Outro ponto importante da equipe que parece estar em um cenário mais animador em relação à última temporada é a linha ofensiva. Apostando na evolução de Garett Bolles como LT, a equipe tem mantido, na grande maioria dos treinos, a mesma formação da OL. Além do segundo-anista, completam a provável OL titular: Ron Leary, Matt Paradis, Connor McGovern e Jared Veldheer. A estabilidade do setor é fundamental para Keenum e, principalmente, para o jogo corrido que terá Devontae Booker e Royce Freeman como os principais RBs.

Do outro lado da bola, a saída de Aqib Talib é relevante. Todavia, é importante relembrar que o CB, aos 32 anos, continuaria tendo um impacto grande contra o Salary Cap, e a troca, do ponto de vista financeiro, foi interessante para o Broncos. A vaga deixada por Talib será de Bradley Roby, que já demonstrou a capacidade para ter um papel mais relevante nesta defesa. O ex-jogador de Ohio State tem tudo para se destacar no lado oposto a Chris Harris JR.

No Draft, o Broncos adicionou alguns jogadores que têm potencial para contribuir de forma relevante na equipe já no primeiro ano. A seleção de Bradley Chubb, com a 5ª escolha geral do último Draft, é cirúrgica e complementa de forma brilhante o pass rush da equipe no lado oposto ao craque Von Miller. A chegada de Isaac Yiadom também é interessante, seja pela saída de Talib, como também pela incerteza em relação a durabilidade do veterano Tramaine Brock, contratado na última Free Agency. Em linhas gerais, a defesa do Broncos, embora não tenha mais a mesma imponência de temporadas anteriores, ainda é respeitável e, caso as expectativas – principalmente sobre Bradley Chubb – se confirmem, tem tudo para voltar a ser uma das mais ameaçadoras da AFC.

Olhando o que foi feito nesta offseason, o Broncos tem totais condições de realizar uma campanha bem superior ao deprimente 5-11 da última temporada. O tamanho desta evolução passa, principalmente, pelo desempenho de Case Keenum. De toda forma, acreditando que o QB terá uma performance satisfatória em mais uma temporada, o Broncos tem o talento necessário para competir em padrão de igualdade com todas as equipes da AFC.

De maneira discreta, o Broncos vem se reformulando e com alguns movimentos seguros – principalmente no Draft – adicionou bastante talento para o seu elenco. Em uma AFC que costuma ter um nível de competição inferior se comparado a Conferência Nacional, não se surpreenda caso a equipe de Denver retorne aos playoffs já na próxima temporada.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

 

Compartilhe

Leave A Reply