quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Compartilhe

Cada vez mais, a NFL é reconhecida como uma liga dominada pelo ataque aéreo. Uma equipe que representa essa tendência de forma precisa é o Detroit Lions. Desde que Matthew Stafford conseguiu ficar saudável e se estabeleceu como o QB da franquia, ela foca quase exclusivamente nos passes para gerar sua produção ofensiva, com ótimos números. Contudo, a expectativa é que os movimentos realizados pela diretoria do time nessa offseason apontam para um desejo de tornar seu plano tático mais equilibrado.

Desde 2014, o Lions está entre as cinco piores equipes da liga em jardas terrestres por jogo, sendo a com pior média em 2015 e 2017. Além disso, o número de jardas por carregada deixa muito a desejar, sendo de 3,4 na última temporada. O lado positivo para os torcedores do time é que a diretoria parece totalmente consciente de que esse é um dos principais problemas que o afeta atualmente. Quando perguntado qual o motivo da baixa produção de Detroit em corridas, o GM Bob Quinn disse: “É a combinação de todos os fatores. É  jogo terrestre. É o esquema. São os bloqueios. É a saúde. É a durabilidade. É tudo isso em um. Me sinto confiante agora de que será muito melhor.”

A declaração foi dada antes do Draft, quando Quinn já tinha se movimentado para adquirir o RB LeGarette Blount na Free Agency em um contrato de um ano. Durante o recrutamento, o GM ainda selecionou o RB Kerryon Johnson na segunda rodada e o FB Nick Bawden na sétima. Depois do processo, em entrevista coletiva, justificou os investimentos ao afirmar: “Ao olhar para o time no ano passado, em todas as situações críticas, como uma de goal line, não conseguíamos correr com a bola nem por meia jarda, o que me incomodava muito.”

Johnson se trata de um RB muito físico, capaz de assumir justamente a responsabilidade dessas jogadas descritas por Quinn. O mesmo vale para Blount, que fez uma carreira disso nos últimos anos e pode servir como um bom tutor para o calouro na NFL. Além deles, a presença de um FB apenas enfatiza o desejo que o Lions apresenta de correr muito mais com a bola. Ao somar estes nomes com os de Ameer Abdullah, Zach Zenner e Theo Riddick já presentes no elenco, é possível perceber que agora se trata de um grupo muito mais diverso e que, por mais que deva contar com muita rotação e dificilmente rompa com a sequência de quatro anos da franquia sem um RB ultrapassar as 1000 jardas em uma temporada, deve ter uma eficiência muito ampliada.

Isto leva para a linha ofensiva. Em 2017, investimentos foram feitos na Free Agency para adquirir o RT Rick Wagner, que se tornou o mais bem pago da NFL, e o RG TJ Lang, ótimo na proteção para o passe. O Lions ainda contava com o LT Taylor Decker, escolhido na primeira rodada do Draft de 2016. Contudo, Decker sofreu uma lesão e perdeu uma parte da temporada no ano passado, o que obrigou a equipe a utilizar nomes como o gigantesco bust Greg Robinson e o DE convertido em OT Brian Mihalik para proteger o lado cego de Matthew Stafford, o que gerou diversos problemas.

O que o Lions fez no Draft de 2018 foi trazer mais dois nomes que podem causar grande impacto em sua linha ofensiva e trazer uma maior profundidade para o setor, o que torna o gerenciamento de lesões menos preocupante. Na primeira rodada, a escolha foi o C Frank Ragnow, um jogador extremamente físico, que adora finalizar seu bloqueios e deve assumir a vaga de titular de forma imediata, trazendo mais atitude para a OL e provocando uma melhoria no jogo de corridas. Já na quinta rodada, após uma queda inesperada, foi a vez do LT Tyrell Crosby ser selecionado. No entanto, ele é projetado para realizar uma mudança de posição na NFL e provavelmente competirá pela vaga de LG com Graham Glasgow, além de poder ser um reserva para a posição de RT.

Com todas essas contratações desde a offseason do ano passado, o Lions conseguiu reformular sua linha ofensiva, montar um grupo com opções e um quinteto titular que será capaz de cumprir o objetivo da equipe de trazer seu ataque terrestre de volta para um papel relevante. A chegada do novo técnico Matt Patricia também teve peso nas transações, uma vez que ele e Quinn trabalharam em conjunto para moldar o Lions da melhor maneira possível para a temporada, com o intuito de adequar o elenco à filosofia do treinador, por mais que o coordenador ofensivo Jim Bob Cooter tenha permanecido.

Da mesma forma, estas movimentações também ajudam Stafford, que passa a ter um pouco menos de responsabilidade de carregar o ataque por conta própria, uma vez que precisará lançar a bola com menos frequência, tornando o plano tático da equipe menos previsível. O impacto também poderá ser sentido na defesa, uma vez que um jogo de corridas mais eficiente é capaz de contribuir para um maior tempo de posse de bola, mantendo os defensores mais descansados. Por isso, o pensamento de Quinn e Patricia esteve voltado para esta necessidade do Lions e os primeiros sinais são positivos, mostrando que a equipe está caminhando no sentido correto. Resta saber se o plano funcionará na prática.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply