terça-feira, 11 de setembro de 2018

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O Pittsburgh Steelers começou sua temporada sem um de seus três pilares ofensivos. O running back Le’Veon Bell, descontente em ter que jogar mais uma temporada sem ter a garantia de um contrato longo em vigor, não se apresentou à equipe para o duelo da semana um contra o Browns. Essa atitude causou um grande mal estar entre seus companheiros de equipe, em especial os de linha ofensiva. Eles contavam com a presença do All-Pro para o início da temporada, apesar do protesto contra sua situação contratual já se arrastar desde o início da preparação da equipe para 2018.

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No momento, não se sabe quando Bell se juntará aos seus companheiros e a diretoria da equipe não tem muito o que fazer enquanto isto não acontecer.  Antes de analisarmos as possibilidades disponíveis ao Steelers em relação a como lidar com sua descontente estrela, vamos entender um pouco melhor a situação:

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A última tentativa de acordo

Após o Steelers aplicar a franchise tag no running back pelo segundo ano consecutivo, Bell recusou uma oferta de 5 anos e $70 milhões. Uma oferta que pareceria muito interessante, não fosse pelo baixo valor de apenas $10 milhões garantidos. Isso significa que caso Bell sofresse uma grave lesão no primeiro ano de contrato e a equipe decidisse cortá-lo, esses 10 milhões seriam todo o dinheiro que ele receberia desse acordo. Nada bom se considerarmos que Todd Gurley recebeu do Rams $45 milhões garantidos por quatro anos de contrato e David Johnson acabou de assinar um novo acordo na última semana, lhe garantindo $30 milhões em três anos.

Mas o que é a franchise tag?

A franchise tag é um contrato de um ano usado pelas franquias para evitar que um de seus principais jogadores se torne agente livre caso não haja acordo entre as partes. Seu valor resulta da média dos cinco maiores salários pagos a jogadores da posição em questão ou será 120% do valor do salário anterior do jogador. Dentre as duas opções, o maior valor prevalece. Bell já jogou a temporada passada com a franchise tag e receberia esse ano o valor total de $14,5 milhões caso já tivesse assinado o acordo. Esse seria o maior salário de um running back na NFL nessa temporada, então o que incomoda Bell? O risco de sofrer alguma lesão que o desvalorizaria em negociações futuras.

O que o jogador quer com essa atitude?

Bell e o Steelers não podem negociar outro contrato até o fim da atual temporada, no dia 30 de dezembro. Isso mostra que esse holdout não se trata mais do jogador estar forçando a franquia a fazer uma oferta melhor, mas sim dele estar evitando o desgaste de mais uma vez ser usado de maneira excessiva, correndo o risco de lesão e desvalorização, visando a free agency de 2019. Bell estará com 27 anos e, com o que já produziu na liga até aqui, não se discute sua capacidade. Porém após tocar na bola 406 vezes na temporada passada, de longe o jogador mais acionado na liga, não há razões para pensar que Pittsburgh irá monitorar seus toques com mais cuidado nesse ano. Esse alto volume não seria benéfico para o jogador visando seu próximo contrato.

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O Steelers não pode multar ou trocar Bell porque, tecnicamente, ele não está sob contrato. Isso só pode acontecer após ele assinar a franchise tag e, no momento, ninguém tem certeza de quando isso acontecerá. Porém a cada semana que passa, o descontente running back perde seu pagamento de $855,859 mil, ou seja, ele está abrindo mão de quase um milhão de dólares por jogo em troca de sua liberdade na próxima temporada.

Ainda que Bell continue com tal estratégia, a semana 10 muito provavelmente será o limite desse holdout. O dia 13 de novembro marca a data final para que os jogadores que receberam a franchise tag assinem seus acordos. Caso ele continue com o mesmo comportamento após essa data, perderá a temporada de 2018 e o Steelers poderá usar a franchise tag novamente em 2019, pelo mesmo valor de $14,5 milhões. Não é isso que o jogador quer, então será primordial para seus planos que ele assine o contrato, forçando a franquia a gastar em torno de $25 milhões caso decida mantê-lo usando a franchise tag pelo terceiro ano consecutivo. Esse é um valor que muito provavelmente será julgado como muito alto pela diretoria do Steelers, o que garantiria a liberdade do running back no próximo período de free agency.

Qual é a solução para o Steelers?

É uma situação bem complicada e, ao meu ver, a franquia de Pittsburgh tem duas opções. A primeira seria esperar pelo jogador e aproveitá-lo, novamente, o máximo possível visando uma campanha de playoffs e o Lombardi Trophy. Após o término da temporada, analisar novamente os prós e contras e tentar um acordo que mantenha sua estrela em Pittsburgh pelos próximos anos.

Por outro lado, caso o segundo anista James Conner consiga manter o alto nível de produção apresentado na semana um, correndo atrás da ótima linha ofensiva da equipe, talvez a melhor opção seja decidir seguir em frente sem Bell. Não me entenda mal, não vejo nenhum running back na liga à frente dele e Conner não é um substituto à altura. Porém há um motivo para a franquia não estar nem perto de oferecer o tipo de contrato que o running back espera e caso não vejam uma saída, melhor conseguirem o que for possível numa troca do que perder seu ótimo jogador de graça.

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Essa não seria uma tarefa fácil por depender de Bell aparecer e assinar seu contrato, e ainda achar alguma equipe disposta a mandar algo de valor em troca de um “empréstimo” de um ano, já que o contrato longo só poderá ser negociado ao fim da temporada e Bell tem se mostrado muito feliz com a idéia de se tornar agente livre. Mas vejo a possibilidade de alguma equipe estar disposta a oferecer uma escolha de segunda ou terceira rodada pela oportunidade de ser a primeira a colocar uma ótima oferta na mesa para o All-Pro, assim que a temporada terminar. Essa seria a melhor maneira de seguir em frente sem o fantástico running back, minimizando o prejuízo e não investindo no que a franquia julga arriscado demais.

4 downs

1st & goal: Se você não sabia o que significa o termo “arm talent”, muito utilizado pelos comentaristas americanos, na noite de domingo Aaron Rodgers fez questão de mostrar do que se trata. Após lesionar o joelho esquerdo e ter que jogar literalmente apoiando-se em uma perna só, Rodgers mostrou todo o talento de seu braço, conseguindo arremessar com velocidade e precisão mesmo sem ter condição nenhuma de por em prática a mecânica perfeita. Foi puro braço, coisa de futuro jogador de hall da fama que é.

2nd & goalA decisão do Oakland Raiders de dispensar o talentoso wide receiver Martavis Bryant antes do início da temporada, após terem mandado uma escolha de terceira rodada pra Pittsburgh por seus serviços no dia do último draft, pegou muita gente de surpresa. Porém começam a surgir os boatos de que a franquia de Oakland já temia uma nova suspensão ao problemático jogador. Essa será a terceira suspensão por uso de substâncias proíbidas de Bryant, que deve ficar um ano fora da liga e poderá ter sua promissora carreira encerrada com este novo incidente.

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3rd & goal: $53,3 milhões. Esse é o valor que o Buffalo Bills tem de dinheiro morto na sua folha salarial. É de longe o maior valor na liga, com nenhum outro time tendo mais do que $27,8 milhões. É o preço pago em Búffalo para dar ao time a possibilidade de investir pesado no próximo período de free agency, já no segundo ano do quarterback Josh Allen e no terceiro do processo de reconstrução da equipe. Mas enquanto esse período não chega, o Bills muito provavelmente continuará sofrendo, especialmente com a falta de uma linha ofensiva que ofereça qualquer condição para LeSean McCoy e Josh Allen trabalharem.

4th & goal: Foi uma ótima semana para times que estrearam novos quarterbacks nessa temporada. Independentemente de serem veteranos como Kirk Counsins no Vikings, Alex Smith no Redskins e Case Keenum no Broncos, ou jovens promissores como Patrick Mahomes no Chiefs e Sam Darnold no Jets, os resultados foram os mesmos. Vitórias e atuações convincentes. Até mesmo Tyrod Taylor, da sua maneira nada convencional, contribuiu para um empate do Browns contra seu rival Steelers. Um avanço para uma equipe que terminou 0-16 na temporada passada. A única exceção foi Sam Bradford no Cardinals, que levou a pior no duelo contra Smith e o Redskins. No geral, os estreantes combinaram para 15 touchdowns (1 terrestre) e apenas 6 interceptações. Nada mal para as novas esperanças das franquias.


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