quarta-feira, 25 de Abril de 2018

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Estamos na véspera do Draft de 2018 e diversos times já foram analisados por aqui ao longo das últimas semanas. Em uma das oportunidades finais antes do recrutamento começar, seria interessante observar o caso de uma franquia que não recebeu muita atenção ao longo da offseason, mas que passou por uma série de desdobramentos relevantes e mudanças em seu elenco. Estamos falando do Baltimore Ravens.

O primeiro aspecto a ser destacado é o anúncio da aposentadoria do General Manager Ozzie Newsome. Um dos nomes mais icônicos na função na história da NFL, ele teria seu lugar garantido no Hall da Fama pelo incrível trabalho no cargo desde 2002 caso não tivesse sido selecionado para receber a jaqueta dourada por seus feitos como jogador. Esta é será sua última temporada na ativa e ele pretende deixar a franquia em uma situação estável para seu sucessor, Eric DeCosta. Ele foi uma das figuras mais procuradas ao longo dos últimos anos para ocupar posições vagas de GM ao redor da liga, mas sempre recusou as oportunidades tendo em mente um futuro no Ravens. Agora, seu momento finalmente chegou.

No entanto, enquanto não chega a hora de DeCosta tomar as rédeas das operações de Baltimore de vez, ele e Newsome trabalham em conjunto para deixar o elenco na melhor situação possível. Estes esforços puderam ser vislumbrados na intensa busca por WRs feita no mercado durante a offseason. Após a não renovação de Mike Wallace e Michael Campanaro e do corte de Jeremy Maclin, o Ravens contará com um grupo completamente renovado, composto por Michael Crabtree, John Brown e Willie Snead, recém assinado como free agent restrito. Antes extremamente conectado a Baltimore por conta da necessidade por recebedores e pela predileção de Newsome em selecionar atletas de Alabama, Calvin Ridley começa a perder força como potencial escolha de primeira rodada por parte da franquia.

Com a necessidade por WRs já atacada durante a Free Agency, esta parece ser uma posição que só deve receber investimento no Draft nos dois últimos dias. Assim, abre-se uma brecha para outras escolhas interessantes, a começar pela linha ofensiva. Nos últimos três anos, o Ravens perdeu jogadores que se tornaram os mais bem pagos de suas posições no momento, no OG Kelechi Osemele, OT Rick Wagner e C Ryan Jensen. De qualquer maneira, a equipe ainda possui um grupo com muitas opções, embora várias sejam pouco testadas. O LT Ronnie Stanley e o RG Marshal Yanda são os destaques e os únicos com posições garantidas nessa OL. Para disputar as outras posições, estão Matt Skura, James Hurst, Jermaine Eluemunor, Nico Siragusa e Alex Lewis. É possível encontrar uma combinação viável para a temporada com estes nomes, mas ela não inspira muita confiança. Por isso, Baltimore pode estar de olho nas trincheiras ofensivas durante o Draft, com o OT Mike McGlinchey (Notre Dame) surgindo como um dos principais candidatos a ser a 16ª escolha e o OG Isaiah Wynn (Georgia) como outra opção.

Mesmo com uma defesa que atuou em muito bom nível em 2017, o Ravens ainda precisa solucionar algumas fraquezas na unidade. No entanto, a única que potencialmente pode ser atacada na primeira rodada é a de LB. Com a aposentadoria de Zach Orr, o time ficou sem nenhuma opção para jogar ao lado do ótimo CJ Mosley, com Kamalei Correa e Patrick Onwuasor alternando na vaga ao longo da última temporada. Entretanto, nenhum deles deve ser considerado uma solução, sobretudo pela falta de habilidade na cobertura de passes, já que a equipe sofreu com passes para TEs no meio do campo no ano passado. Conciliando isto com a já conhecida estratégia de Newsome de investir no melhor jogador disponível, uma improvável queda de Tremaine Edmunds (Virginia Tech) ou Roquan Smith (Georgia) pode fazê-lo puxar o gatilho.

Para encerrar o cenário das potenciais escolhas de primeira rodada, é preciso discutir a situação de QBs. Desde que teve sua mágica sequência na corrida para a vitória no Super Bowl XLVII e se tornou o quarterback mais bem pago da NFL, Joe Flacco tem deixado muito a desejar. Seu contrato é a maior desvantagem competitiva da liga, uma vez que ele tem oferecido um desempenho abaixo da média durante os últimos anos e recebe como um jogador de elite. Contudo, como seu contrato torna um corte ou troca proibitivo nessa temporada, é garantido que ele fará parte do time em 2018, independente das reclamações dos torcedores.

O que torna este cenário interessante é que a partir de 2019 já é possível dispensar Flacco sem comprometer de forma irreparável a folha salarial da equipe. Com certamente um ano ainda para se provar, ele pode mostrar o nível que costuma alcançar durante os playoffs durante a temporada. Todavia, esta – remota – possibilidade não pode impedir o Ravens de cogitar selecionar um QB na primeira rodada. Com a chance de Lamar Jackson (Louisville) chegar até a escolha de Baltimore, tem-se uma situação interessante caso ele seja escolhido, já que poderá se aproveitar um ano no banco para se acostumar com o clima da NFL, trabalhar em alguns dos defeitos que apresenta nas mecânicas e ganhar alguma massa muscular, o que pode beneficiar seu jogo. Logo, é possível acreditar que o Ravens considerará um QB com a 16ª escolha.

Depois de expor as principais fraquezas do elenco e potenciais estratégias do Ravens para a primeira rodada, se fosse preciso ordenar como acredito que está a preferência da diretoria da equipe, diria que se desenharia algo como: Roquan Smith, Tremaine Edmunds, troca para baixo, Mike McGlinchey, Lamar Jackson, Calvin Ridley e Isaiah Wynn. Sendo assim, o palpite é de que a franquia acabe selecionando McGlinchey para ocupar o posto de RT.

Falando de necessidades que devem ser analisadas depois da primeira rodada, outro buraco no plantel de Baltimore é um TE com características de recebedor. A equipe conta com Nick Boyle, com habilidade como bloqueador e que pode, ocasionalmente, sair para fazer rotas, mas precisa de um alvo alto e atlético para assustar defesas. Maxx Williams foi selecionado em 2015 com esse papel em mente, porém tem dificuldades para ficar saudável e não é produtivo quando está em campo. Como ele está em seu último ano de contrato, essa é a sua chance de mostrar valor e para o Ravens é prudente pensar em uma competição para ele. Dessa forma, a escolha de segunda ou terceira rodada pode ser usada em Mike Gesicki (Penn State), Dallas Goedert (South Dakota State) ou Mark Andrews (Oklahoma).

Outra possibilidade é a escolha de um quarterback entre a terceira e a quinta rodada como Kyle Lauletta (Richmond), Mike White (Western Kentucky) ou Riley Ferguson (Memphis) para disputar o posto de reserva com o recém-contratado Robert Griffin III. Além de TEs e QBs, outra possível aquisição ofensiva é um RB no dia 3 para se juntar a Alex Collins e Kenneth Dixon na rotação, o que pode ser o caso de Nyheim Hines (NC State), John Kelly (Tennesssee), Ito Smith (Southern Miss) ou Akrum Wadley (Iowa).

Já no lado defensivo, além da necessidade por um LB com habilidades de cobertura citada anteriormente e que pode receber investimento ainda no dia com a seleção de Fred Warner (BYU) ou no dia 3 com Skai Moore (South Carolina) ou Christian Sam (Arizona State), a secundária pode ganhar reforços. Em 2017, tanto Eric Weddle quanto Tony Jefferson jogaram acima de 99% dos snaps, o que os torna mais suscetíveis a lesões e evidencia o quanto a equipe precisa de um reserva de bom nível para substituir os dois. Se o pensamento for de longo prazo, também é uma opção trazer novos CBs, pois, apesar de uma rotação profunda, são muitos contratos expirantes, e EDGEs, já que Terrell Suggs está cada vez mais próximo do fim de sua carreira. Contudo, vale ressaltar que o Ravens conta com a presença de Matt Judon, que teve uma temporada muito boa no ano passado, e também selecionou Tyus Bowser e Tim Williams para exercerem esta função com escolhas de dia 2 no Draft de 2017, o que torna a posição de pass rusher uma que talvez seja atacada apenas se um valor muito interessante estiver disponível.

Com essa passagem geral pela situação do elenco do Ravens, a situação de transição que a franquia está passando em sua diretoria e também com a enumeração de potenciais alvos do time no Draft, é possível perceber como Baltimore é o lar de uma das escolhas mais intrigantes do primeiro dia e é mais uma evidência da imprevisibilidade do processo deste ano. E a melhor parte é que tudo se elucidará nesta quinta-feira!


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