sexta-feira, 25 de Maio de 2018

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Obviamente nenhuma partida é vencida em Maio. Mesmo que seja difícil fazer qualquer prognóstico da próxima temporada nesta altura – isto é, com os primeiros treinamentos tendo início nesta semana, é sempre interessante o exercício de tentarmos prever o que pode ou não acontecer na temporada que se iniciará em Setembro para os 32 times da NFL.

Equipes muitas vezes ficam aquém das expectativas (como o New York Giants) e outros superam qualquer prognóstico criado para si ao longo da temporada com um desempenho soberbo (como o Los Angeles Rams) e é isto que torna a NFL única, a singularidade de possibilidades de um time atingir ou não seus objetivos ao longo do ano.

Com isso em mente, não se engane: o Los Angeles Chargers está pronto para fazer barulho em 2018, se evitar os erros que a equipe vem cometendo todos os anos desde que se classificou aos playoffs pela última vez, no longínquo ano de 2013. O principal erro citado com toda a certeza é o péssimo início de campanha que a equipe seguidamente vem tendo desde então, isto é, um desempenho miserável em Setembro que sempre os coloca atrás dos rivais de divisão tendo que correr atrás do prejuízo em Outubro, Novembro e Dezembro. A principal figura da equipe, o QB Philip Rivers declarou à ESPN americana que este é o principal objetivo imediato do Chargers em 2018: “nós conversamos sobre não pontuar o suficiente nas primeiras semanas, e é isto que não estamos fazendo. Então sim, penso que é nosso foco agora e torço para que possamos mudar isso, é mais como nos aperfeiçoarmos nos pequenos detalhes de como converter uma situação de terceira descida e não chutar um FG numa situação chave e continuar com a posse da bola”, declarou.

O Quarterback de 36 anos ainda detém as chaves para qualquer sucesso da unidade ofensiva do Chargers em 2018. Você pode não ter ouvido falar muito dele, mas suas estatísticas em 2017 foram dignas de respeito dentro da NFL: 4515 jardas aéreas com 62% de acerto nos passes, 28 TDs e apenas dez interceptações lançadas (baixando de 21 em 2016). Para a temporada que se aproxima, ele não poderá usar a desculpa da falta de talentos ao redor de si dentro do ataque do Chargers.

No jogo terrestre, o RB Melvin Gordon vem de duas temporadas consecutivas compilando mais de 1400 jardas de scrimmage (soma das jardas terrestres e de recepção) sendo que a marca de 1105 jardas pelo chão em 2017 foi a melhor da curta carreira desde que foi recrutado de Wisconsin no Draft da NFL. O grupo de WRs também não deixa nada a desejar, contando com os ótimos WRs Keenam Allen e Tyrell Williams além de Mike Williams, que teve a temporada de calouro reduzida à poucos jogos por conta de uma lesão, mas que o Chargers vê com muito potencial, do contrário não o selecionaria com a sétima escolha geral do Draft de 2017. Mesmo que a posição de TE tenha sofrido um baque com a súbita lesão de Hunter Henry, que rompeu o ligamento do joelho em uma lesão sem contato com nenhum outro atleta, a reunião com o veterano Antonio Gates parece no horizonte para mais uma temporada com a equipe e assim a chance de seguir compilando recordes de recepção com seu Quarterback de longa data.

Se o ataque conta com ótimos nomes, a defesa não fica nem um pouco atrás – pelo contrário, promete ser o ponto forte da equipe em 2018. A dupla de pass-rushers é discutivelmente a melhor de toda a NFL com Joey Bosa (calouro defensivo em 2016) e Melvin Ingram, que finalmente encontrou seu melhor estilo de jogo entre os profissionais. Tanta pressão no Quarterback adversário também facilita o trabalho da secundária, que por si só também é muito talentosa: baseada nos veteranos S Jahleel Addae e CB Casey Heyward (este último o melhor Cornerback da NFL pelo Pro Football Focus) a equipe cedeu pouco mais de 197 jardas aéreas por jogo, o que na atual fase da NFL é um número soberbo. Somente Vikings e Jaguars cederam menos jardas por partida neste quesito e foram até seus respectivos jogos de título da conferência enquanto o Chargers sequer se classificou para os playoffs. A secundária, aliás, agora conta também com o S Derwin James, tido por muitos como um dos melhores prospectos defensivos deste Draft que tem a versatilidade de atuar em todas as posições no fundo de campo bem como atuar de forma ativa no combate ao jogo terrestre, este o calcanhar de Aquiles do time, já que foi a pior equipe neste quesito em 2017.

Tenha isso em mente: o Chargers é um dos times mais completos de toda a NFL e briga pelo posto de equipe mais completa, no papel. Claro que transformar tal declaração em um desempenho monumental dentro de campo é mais complicado e cargo do HC Anthony Lynn, mas o material humano que o treinador terá em sua segunda temporada é incrível.

Caso Lynn consiga concentrar seus atletas e a equipe pare de “dar tiros no próprio pé”, como um desempenho lamentável de seus Kickers nos últimos anos – que custaram vários jogos, o Chargers pode sim dar as cartas dentro da AFC Oeste, que por si só promete ser muito disputada. Eles só não se classificaram para os playoffs em 2017 pois perderam nos critérios de desempate para o Buffalo Bills após vencerem nove dos doze últimos jogos após o citado desempenho lamentável nas rodadas de abertura.

A AFC Oeste está aí para ser conquistada: o Denver Broncos perdeu algumas peças da outrora dominante defesa (e contratou outras, é verdade) mas também contratou um Quarterback que teve uma única ótima temporada com todas as peças à seu redor e torce para uma réplica do desempenho em 2018; o Kansas City Chiefs, atual campeão, se desfez do Quarterback Alex Smith e estará também com um QB novo em sua segunda temporada como profissional, que precisará contar com o apoio de todas as peças; já o Oakland Raiders de John Gruden está tomando um rumo no mínimo questionável, envelhecendo um elenco como se estivéssemos no começo deste século novamente. Falando do Raiders, inclusive, não duvido que ganhem a alcunha de “grande time da NFL se fosse formado há cinco anos atrás”, devido ao citado envelhecimento do elenco de um modo geral além de uma atuação questionável dentro do Draft, optando por recrutar jogadores talentosos é verdade, porém igualmente problemáticos. Isto é, pode funcionar maravilhosamente bem ou falhar vertiginosamente mal.

Enquanto isso, o Los Angeles Chargers tem o Quarterback mais estabelecido que vem de grande temporada em que ninguém fala nada à respeito, talentos em todas as posições do ataque e uma linha ofensiva segura na proteção ao jogo aéreo (que terá a adição do C Mike Pouncey) além de uma defesa soberba, com pass rush e secundária dignos de destaque entre os melhores setores de toda a NFL.

Caso mantenham um bom desempenho desde a primeira semana da temporada regular e parem de cometer erros infantis em situações cruciais dentro das partidas, não há motivos para dizer que não podem se dar ao direito de sonhar com uma caminhada consistente nos playoffs em Janeiro e se isto acontecer, por favor não se esqueçam: vocês viram aqui primeiro.

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