sexta-feira, 13 de julho de 2018

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Um dos atletas mais polarizantes que pisaram em um campo de futebol neste século é com certeza Eli Manning, do New York Giants. Alguns o lembram como  o Quarterback da franquia que em sua quarta temporada como profissional derrubou o então invicto New England Patriots, naquele tido como o melhor Super Bowl de todos os tempos, em que o azarão Giants derrubou o favorito Patriots por 17 x 14 no maior palco do esporte. Que posteriormente conduzira o Giants a outro título de Super Bowl, derrotando três fortes adversários da NFC fora de seus domínios e o novamente favorito Patriots no Super Bowl. Outros o tem como um QB limitado, que consegue apenas jogar bem em um sistema de jogo totalmente montado para ele, e que não lhe pode ser confiada a capacidade de definir os rumos de uma franquia por si só, isto é, ele brilha quando há todas as peças ao redor para brilhar.

Todos sabem que ele já teve ótimas temporadas e outras nem tanto assim (para dizer o mínimo, principalmente nos últimos anos, com exceção de 2016). Analisando friamente do ponto de vista especulativo, quais as expectativas palpáveis para o Quarterback de 37 anos de idade que entrará em sua 15ª temporada como profissional?

É fato que o Giants deu um voto de confiança à seu QB de longa data em Maio. Com a possibilidade de escolher três dos quatro melhores QBs disponíveis com a 2ª escolha geral do Draft, a equipe se voltou ao jovem RB Saquon Barkley, de Penn State, para equiparar as ações de ataque com o jogo aéreo e assim prolongar ao máximo a vida útil de Manning. Eis os números de Eli nos dois últimos anos e naquele tido como seu melhor ano, lá em 2011:

Em 2017: 61.6% de passes completos, 3,468 jardas aéreas, 19 TDs e 13 TD interceptações, 31 sacks and 11 fumbles.

Em 2016: 63% de passes completos, 4,027 jardas aéreas, 26 TDs e 16 interceptações, 21 sacks and 7 fumbles.

Em 2011 (ano da conquista do primeiro Super Bowl do QB): 61% de passes completos, 4,933 jardas áereas, 29 TDs e 16 interceptações, 28 sacks, 8 fumbles.

Claro que será muito difícil imaginar qualquer réplica de desempenho do começo desta década no estágio atual da carreira de Eli, que caminha para suas últimas campanhas entre os profissionais, porém, não é utópico imaginar um cenário em que ele possa liderar um time de forma competente ao longo da temporada regular e também dos playoffs, onde normalmente aflora o melhor do veteraníssimo QB.

O lado bom

O novo técnico do Giants, Pat Shurmur, disse que uma das primeiras atitudes como HC da equipe foi assistir todos os lançamentos feitos por Manning em 2017 e concluiu: “ele ainda tem ‘aquilo'”.  Goste ou não, o Giants abriu mão do sucessor imediato de Manning naquela escolha tida como a mais alta da equipe desde o longínquo ano de 1981 e com isso passou um recado: vamos com Eli até o final. Davis Webb e Kyle Lauletta são prospectos interessantes para se desenvolver a médio prazo, mas confiar que algum deles se torne um verdadeiro Quarterback da franquia é ser extremamente confiante para o futuro. Eles são jogadores com médio/bom potencial, e só.

Grande parte de qualquer esperança em um ressurgimento do QB nesta altura da carreira passa pelo novo HC. Shurmur pegou o QB Case Keenum, um verdadeiro nômade da NFL e o guiou ao melhor ano de sua carreira, levando o Minnesota Vikings até o NFC Championship Game e rendendo uma escolha ao Pro Bowl para Keenum. O Pro Football Focus, site especializado em avaliação de jogadores, deu uma grade de 85.5 parra o desempenho de Keenum em 2017, uma melhora de dez pontos em comparação ao melhor ano de sua longa carreira construída por vários times.

Há de se destacar o poderio ofensivo do Vikings, é verdade. Mesmo que o calouro-sensação Dalvin Cook tenha se machucado logo no começo da temporada, o trio de recebedores formado pelos WRs Stefon Diggs e Adam Thielem e o TE Kyle Rudolph formaram uma das melhores combinações ofensivas de toda a NFL. Ainda segundo o PFF, Diggs e Thielen foram classificados respectivamente em 1º e 6 no quesito “percentual de recepções contestadas”, isto é, passes lançados pelo QB e que exigem do recebedor a habilidade de brigar pela posse com o marcador adversário. Claro que contar com uma dupla do tipo para lançar facilita e muito o trabalho de um QB limitado como Keenum se mostrou em toda a carreira, mas em 2017 ele foi mais que apenas uma máquina de balões para seus WRs, ele foi diferente.

Se demonstrou muito mais decisivo e preciso em seus passes, principalmente nos lançamentos em profundidade. Mergulhando no estudo do PFF sobre Keenum, vamos identificando as influências de Shurmur em seu estilo de jogo. Keenum teve 42 passes que viajaram entre 10 e 19 jardas que seus recebedores estavam completamente livres – é nesta faixa de campo que QBs se consagram e fazem seu nome. Foi a terceira melhor marca entre todos os QBs na última temporada e praticamente o dobro de lançamentos do tipo de Manning.

O que é interessante em análises do tipo é que (com uma amostra menor, é verdade) Eli se demonstrou muito mais preciso nos passes em questão do que o antigo comandado de Shurmur. Caso os números se repitam, veremos uma melhora significativa de Eli em seus números dentro da temporada, muito devido ao talento do HC em montar um esquema ofensivo capaz de dar a seu Quarterback passes fáceis a nível intermediário do campo, o que também leva a grandes ganhos após a recepção caso o recebedor seja ágil.

O lado ruim

Este gráfico é com certeza o pesadelo de qualquer torcedor do Giants. Ele denota o declínio anual de Manning desde a temporada de 2011 – a sua melhor na carreira. O detalhe fica para o ano de 2016, seu pior em uma década e mesmo a ligeira melhora na próxima campanha marcou sua terceira pior marca em toda a carreira, um número lamentável.

O gráfico mostra que Eli está definitivamente no declínio em praticamente todos os quesitos, inclusive aqueles que o consagraram, como os passes sob pressão e conversões de terceira e quarta descida, o que é absolutamente normal para um atleta desta idade, mas a questão é o quanto Shurmur consegue atrasar o relógio. Mesmo com esta queda de desempenho, se Shurmur conseguir maximizar o que ainda resta de gasolina no tanque para Manning e colocá-lo em situações que ele está acostumado a fazer estrago, chance de sucesso ou de ao menos evitar o fracasso é grande para este time do New York Giants. Isto é, poderemos ver um vintage Eli já no estágio final de sua carreira, o que pessoalmente acredito que pode muito bem acontecer em 2017, tamanha expectativa criada pela contratação do novo técnico.

Ele ainda é capaz de fazer bons jogos – foram três com mais de 80.0 pontos pela métrica do PFF e ainda é um QB confiável dentro da red zone, já que seu rating de 108.4 nesta faixa do campo foi o sexto melhor de toda a NFL. Contudo o relógio está definitivamente batendo para o Giants e Eli,

A habilidade de Shurmur em conseguir retardar um pouco relógio e conseguir um, talvez dois bons anos de Eli Manning no alto de seus 37 com certeza será a chave para qualquer expectativa criada acerca do New York Giantas para a temporada de 2018, concorda?

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