terça-feira, 15 de Maio de 2018

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Nos últimos meses, levando em conta a montagem do elenco campeão pelo Philadelphia Eagles e as contratações estelares feitas pelo Los Angeles Rams, algo foi muito repetido, quase como se fosse um mantra: a maior “janela de oportunidade” de um time para ser campeão é quando você tem um QB competente atuando em seu contrato de calouro. Quando Carson Wentz e Jared Goff assinarem seus acordos multimilionários, a chance de ter um time competitivo ao redor deles diminuiria bastante. As maiores provas disso seriam o Seattle Seahawks, que foi a dois Super Bowls quando Russell Wilson estava em seu primeiro contrato e não voltou mais depois da renovação; também Baltimore Ravens e Indianapolis Colts, que atolaram na mediocridade após os mega acordos de Joe Flacco e Andrew Luck. O Atlanta Falcons estaria fadado ao mesmo destino agora que Matt Ryan se tornou o QB mais bem pago da NFL.

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Mas até que ponto isso é verdade? Bem, na humilde opinião deste escriba, a conta é um pouco mais complexa. Claro que um contrato grande e mal feito pode sim atrapalhar uma franquia por anos, mas há outros fatores que também devem ser lembrados na hora de analisar porque um time não consegue se reforçar adequadamente.

O primeiro porém a ser levantado é justamente a única coisa na NFL mais cara do que um franchise quarterback: não ter no seu time um jogador que possa receber essa designação. Basta ver o que o San Francisco 49ers era e no que o time se transformou após a chegada de Jimmy Garoppolo. Em poucos meses o Niners saiu de saco de pancadas de 2017 (um dos, não esqueci de você, Browns) a candidato a playoffs em 2018. Jogadores desacreditados passaram a render quase como astros e o moribundo Levi’s Stadium ganhou toda uma nova atmosfera. Tudo isso por causa de um homem, e isso porque, raciocinando friamente, Jimmy G ainda nem pode ser considerado como um astro estabelecido na Liga. Claro que mantê-lo iria custar muito, e John Lynch não hesitou em pagá-lo muito bem. E não poderia ser diferente: fazer com que o 49ers passasse novamente por todo o processo de encontrar um QB do futuro poderia custar o seu próprio emprego. O mesmo raciocínio vale para todas as outras franquias: muito pior que um contrato a primeira vista ruim para o seu bom QB, é vê-lo ir embora.

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Mas vamos a números para embasar melhor o raciocínio. Joe Flacco atua sob o seu tão criticado contrato de 6 anos e US$ 120 milhões com o Baltimore Ravens desde 2013. O acordo fez com que boa parte dessa grana ficasse pendente para a segunda metade do contrato, ou seja: a partir de 2016, que é o caso que vamos analisar aqui. Naquele ano, Flacco ocupou sozinho 14,96% do teto salarial do Baltimore Ravens. Achou muito? Matt Ryan, que foi ao Super Bowl daquela temporada com o Falcons, engoliu 15,44% do teto da sua equipe. Drew Brees, outro jogador que foi “acusado” de ter um contrato que prejudica a equipe, apenas em um ano ocupou mais do que 15% da folha salarial do New Orleans Saints (2015).

O que então diferencia as equipes e coloca algumas nos playoffs e outras no limbo? Um fator é bem óbvio, até: saber draftar, e em todas as posições. Como – por causa do teto – é impossível manter todos grandes jogadores no time no longo prazo, é necessário sempre estar a procura de opções mais jovens e mais baratas para quando for necessário repor a saída de algum jogador importante. Além disso, repor jogadores saídos na Free Agency com atletas criados na própria equipe ao invés de outros medalhões gera mais escolhas no draft (as tais escolhas compensatórias), o que faz a roda girar ainda mais rápido.

Outro ponto muito importante é evitar o máximo possível o chamado dead money (dinheiro morto, em tradução livre), que é a grana do teto salarial que vai para jogadores que não estão mais na equipe. Esse gasto quase sempre é oriundo de bônus de assinatura devidos a jogadores já dispensados. Tomamos como exemplo o New Orleans Saints de 2016: o salário de Drew Brees ocupou 11,79% (US$17,2 milhões) do teto do time, o maior entre os jogadores do elenco. Mas o dead money da franquia naquele ano foi de bizarros, inacreditáveis US$ 42,1 milhões – 27% do total, bem mais que o dobro de Brees. Claro que aquela temporada não acabou bem para eles.

Um ano depois, não teve mistério: com uma das melhores classes de draft de toda a década e com o dead money caindo para US$ 25 milhões (ainda assim um valor muito alto – mas 17 milhões de sobra podem reforçar vários setores de um time), New Orleans voltou aos playoffs, e com ótimas perspectivas também para os 2 próximos anos.

Portanto, caro leitor, se o seu time abrir o cofre pelo seu QB titular no futuro próximo, não se desespere. Os salários dos quarterbacks vão continuar subindo enquanto o teto salarial também estiver. Pense que o jogador mais importante da franquia terá sua continuidade garantida nos próximos anos, e fique de olho nas outras movimentações de técnicos e diretoria.

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