terça-feira, 9 de outubro de 2018

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Quem assistiu ao Sunday Night Football desta semana, entre Houston Texans e Dallas Cowboys viu um jogo que foi até emocionante. Nenhum time abriu larga vantagem em nenhum momento, tivemos turnovers, prorrogação – e por consequência a indefinição sobre o vencedor até o último lance – e uma jogada brilhante e decisiva de DeAndre Hopkins no final que encaminhou o resultado positivo para a equipe de Houston. Mas também temos de convir que, se a imprevisibilidade do placar foi suficiente para manter o jogo agradável, o nível técnico não foi dos melhores. E se os elencos de Texans e Cowboys não são lá os melhores de suas conferências, poderiam jogar em um nível bem melhor que o mostrado neste domingo. E boa parte disso é culpa dos técnicos. Jason Garrett e Bill O’Brien foram exemplos perfeitos de como dois Head Coaches não devem conduzir um jogo de futebol americano.

O Texans venceu o jogo, mas transformou uma partida que deveria ser um atropelo em um cortejo equilibrado. E isso se deve especialmente às situações de red zone, que foram um show a parte. Show de horrores, claro. Foram seis campanhas que chegaram nas últimas 20 jardas do campo, com apenas um touchdown anotado. Em quatro destas campanhas o time chegou dentro da linha de 5 jardas, e não anotou o touchdown em nenhuma. De 28 pontos possíveis, foram marcados apenas 9 (três field goals e um turnover on downs). Em todas as quatro, algo em comum: chamadas previsíveis em terceira e quarta descidas, facilitando o trabalho da defesa adversária. Foram 9 jogadas dentro da linha de 5 jardas de Dallas, e em apenas uma delas a bola foi entregue para um running back (Alfred Blue). O resultado deste lance foi uma perda de 3 jardas.

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Na coletiva pós-jogo, o próprio Bill O’Brien disse “não saber” porque o time não aproveitou estas oportunidades. Mas deveria, até porque não foi um problema isolado do último jogo. Em toda a temporada, foram 22 idas até a red zone, com apenas 8 touchdowns. Em alguns lances você até pode encontrar falhas de execução por parte dos jogadores. Mas quando as falhas são tão recorrentes, não tem como não colocar a culpa no técnico. Tendo um QB tão dinâmico como Deshaun Watson, e um wide receiver tão bom em recepções contestadas como é DeAndre Hopkins – entre outras armas – não há desculpas para um rendimento tão fraco justamente no lugar mais importante do campo. Ainda há tempo para consertar esses problemas, mas em uma divisão tão equilibrada, a eficiência na red zone pode ser o fiel da balança que decide se o Texans vai ou não para os playoffs.

Do outro lado, não é que o Dallas Cowboys deva agradecer por ter perdido de pouco. Os erros de Houston colocaram o time de Jerry Jones na disputa, e se eles não saíram com a vitória, também podem colocar boa parcela disso na conta de Jason Garrett. Pulemos direto para a prorrogação. Dallas tem a primeira posse de bola e um touchdown resolve o jogo. O time chega no campo de ataque e tem uma 4ª descida pra 1 jarda na linha de 42. A escolha de Garrett é incrível: punt. É inconcebível que você, tendo um running back que foi a quarta escolha geral no draft há tão pouco tempo, líder da NFL em jardas corridas no ano, e com uma linha ofensiva que, se não é mais tão dominante, ainda é bastante decente, não tenha confiança para tentar ganhar uma mísera jardinha, em uma situação decisiva dentro do jogo. O castigo pelo conservadorismo veio a cavalo.

Claro que não se deve resumir a derrota apenas ao punt na prorrogação. O Cowboys parece ter dado um tiro no pé ao “forçar” a aposentadoria de Tony Romo para manter Prescott, e embora essa decisão em si tenha muito de Jerry Jones, a estagnação do jovem QB passa muito mais por Garrett e sua comissão técnica. E o jogo de domingo mostrou que Garrett não confia em Prescott (e nem em Elliott) para ganhar o jogo. Talvez não haja espaço para todos eles na mesma franquia por muito tempo.


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