segunda-feira, 20 de agosto de 2018

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Vencer o Super Bowl não é fácil. Embora a dinastia imposta pelo Patriots neste século possa talvez lhe dizer o contrário, não se deixe enganar pelo trabalho monumental feito pelo time de Tom Brady e Bill Belichick: para as outras 31 equipes da NFL, a conquista do Troféu Vince Lombardi é algo almejado, mas difícil de ser alcançado devido a variados fatores, dentre eles a alta competitividade e a consequente alteração dos postulantes ao título a cada ano.

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Mesmo para o Green Bay Packers, que pode se dar ao luxo de ter um dos melhores Quarterbacks da atualidade em Aaron Rodgers, a vida não é nada fácil. Rodgers entrará em sua 11ª temporada como titular absoluto da franquia do Wisconsim (a 14ª no geral) e, mesmo com dois títulos de MVP e uma proporção fantástica entre TDs e interceptações lançadas – a melhor da história, tal combinação rendeu apenas uma aparição no jogo máximo da temporada e consequentemente um título, a vitória contra o Pittsburgh Steelers no Super Bowl XLV em Fevereiro de 2011, após a convincente vitória por 31 x 25, em que o placar apertado não demonstrou exatamente o tamanho do domínio dos cabeças de queijo naquele embate.

A excluir esta campanha vitoriosa no começo desta década, a franquia coleciona fracassos e decepções na pós-temporada, que é naturalmente onde nascem as lendas deste esporte que tanto amamos. Você pode até pensar que estas são palavras fortes para definir as temporadas com a citada dificuldade em alcançar a glória máxima deste esporte, ou que anualmente acontecem coisas que simplesmente escapam do controle da franquia, mas tantos insucessos na parte final da temporada podem começar a ser o marco da carreira de um atleta marcado por dominar a temporada regular e compilar números e estatísticas ridículas, no bom sentido da palavra.

Após a citada temporada de glórias de Rodgers, o Packers era o grande favorito a duplicar a conquista. O QB teve a melhor temporada da carreira, inclusive com a citada proporção ridícula de 45 passes para TDs contra apenas sete interceptações. Praticamente ninguém foi páreo para aquele time de 2011, que obteve o recorde de 15-1 e rendeu o primeiro título de MVP ao então atleta em sua quarta temporada como titular absoluto. Eles entraram nos playoffs como grandes favoritos, e afinal, quem duvidaria disso? Até o Quarterback reserva era uma estrela (Matt Flynn, que lançou seis passes para TD na semana 17 quando todos os titulares descansaram), mas aí, veio a decepção. Uma acachapante derrota por 37 x 20 para o futuro campeão New York Giants. Em casa. Contra um time que havia ficado com o recorde de 9-7 na temporada regular. Tudo bem, imprevistos acontecem. Aquele time do Giants estava predestinado ao sucesso e viria a confirmar seu segundo título em poucos anos. A dinastia estava apenas nascendo, correto?

Errado. Estamos em 2018 e Rodgers sequer liderou seu time após o NFC Championship Game, o que significa que o outrora subsequente segundo título ainda não veio, e por tabela, nenhuma dinastia foi criada. É correto afirmar ainda que a equipe sequer vem de um título de divisão na disputada NFC Norte, em que o Minnesota Vikings pode se gabar de tal fato. Aliás, a título de curiosidade, o QB Teddy Bridgewater, titular do Vikings de 2016 que também venceu a divisão era apenas um jovem atuando no futebol americano de colegial quando Rodgers guiou o Packers à glória máxima do esporte. O tempo está passando.

A era de dominação que Rodgers de certa forma conseguiu impor não resultou naquilo que é de mais importante: títulos. Em defesa do veterano, não é totalmente sua culpa. Em treze partidas como titular em playoffs, ele tem um rating médio de 98.2. Em comparação, o QB Tom Brady, maior vencedor e virtual detentor de todos os recordes da posição nesta etapa da temporada coleciona um rating de mais de dez pontos menor, cravado em 88. Você pode até se lembrar daquele infame jogo contra o Seahawks no NFC Championship Game de 2015, em que completou 19 de 34 passes e duas interceptações, mas aquela era a respeitável defesa do Seahawks e Green Bay ficou a uma recuperação de onside kick da vitória. A derrota na prorrogação foi um punhal no coração dos torcedores e da equipe, mas com toda a certeza não foi a melhor exibição de Rodgers, longe disso.

Com isso, a pressão será imensa para esta equipe em 2018. O novo GM Brian Gutekunst, que assumiu o comando máximo da montagem do elenco neste ano no lugar de Ted Thompson promoveu uma mudança repentina na franquia. Antes acostumada a praticamente ignorar a free agency e construir um elenco competitivo através de seguidas classes talentosas no Draft, a torcida viu Gutekunst atacar a free agency e conseguir ótimos talentos a um preço razoável para a equipe competir de forma imediata. Destacam-se o DT Muhammad Wilkerson e o TE Jimmy Graham, dois dos melhores atletas disponíveis em suas respectivas posições e que representam uma melhora imediata em dois pontos fracos do time na última temporada. O veterano TE Marcedes Lewis, o OT Byron Bell e o CB Tramon Williams (que volta ao Packers após alguns anos) representam uma injeção de experiência ao mesmo tempo que podem ser atletas úteis se colocados na correta situação dentro das partidas.

No Draft, a equipe se voltou quase que exclusivamente a dois setores cruciais: secundária e recebedores. Ao abrir mão da escolha de 1ª rodada deste ano em uma troca com o Saints, a equipe ainda conseguiu recrutar dois ótimos CBs: Jaire Alexander e Josh Jackson. Para o corpo de WRs, que agora estará sem Jordy Nelson, dispensado, foram três jogadores via recrutamento anual universitário: J’Mon Moore, Marquez Valdes-Scantling e Equanimeous Saint Brown. Todos estes movimentos foram necessários para melhorar a qualidade da equipe, mas ainda há muito trabalho a ser feito. O site da NFL lançou um ranking apontando os dez melhores elencos para a temporada que se aproxima e, mesmo com Rodgers saudável e vindo de uma temporada curta – reduzida a apenas seis jogos, o Packers não se fez presente nesta lista. Não é que a equipe não seja talentosa, mas ainda há algumas interrogações sobre este elenco (principalmente a linha ofensiva e o pouquíssimo investimento para melhorar o setor). Mesmo a preparação para as partida0 foi questionável, como por exemplo o fato do CB LaDarius Gunter, que sequer foi recrutado no Draft de 2015 foi colocado para marcar atletas como Antonio Brown e Julio Jones – este durante os playoffs em 2016 e o resultado foi desastroso para a equipe, já que não a toa veio a embaraçosa derrota para o Falcons no último jogo da equipe em playoffs.

Mas não tem jeito. Pelo tamanho e pelo que representa não apenas para a equipe mas sim para a NFL, tudo se reduzirá a Aaron Rodgers e seu desempenho é a chave para o papel do Packers ao longo da temporada regular. Embora a janela de títulos para o QB não tenha se fechado totalmente, é fato que ele não fica mais jovem ao longo do tempo e completará 35 anos ao longo da próxima temporada. Ele mesmo já ressaltou que pretende atuar até a “faixa de idade de Tom Brady” recentemente, mas há uma grande diferença entre querer e estar apto para tal, o que ninguém pode garantir até lá, afinal carreiras são definidas a cada snap dentro da NFL.

Para uma franquia acostumada com a grandeza, é realmente a hora de novamente disputar o Super Bowl. Para os mais supersticiosos, Rodgers teve a melhor temporada da carreira após ter a campanha anterior reduzida por conta de uma lesão no ombro, exatamente a mesma situação em que começará a temporada de 2018 em poucos dias. Eu não ousaria deixar o Packers de fora da lista dos favoritos, mas o relógio começa a correr para esta atual base, incluindo seu Quarterback, concorda?


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