sexta-feira, 17 de agosto de 2018

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Em uma liga tão competitiva quanto à NFL, praticamente todos tem o direito de sonhar com uma soberba evolução de desempenho de um ano para outro. Seja pela classe de calouros, pela contratação de um novo HC ou mesmo uma intertemporada a mais de treinamentos sobre o antigo regime, sonhar não custa nada. Tamanho equilíbrio encontrado nesta liga só dá ainda mais valor às dinastias construídas ao longo da história, mas isto é papo para outra hora. Hoje, falaremos sobre os times que não foram tão bem na última temporada, mas que tem seus motivos para crer em uma evolução na temporada que se aproxima, quem sabe com uma classificação para os playoffs na melhor das hipóteses.

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Chicago Bears

Ao analisar o desempenho do QB Mitchell Trubisky em sua primeira temporada entre os profissionais, ficou muito claro que o Bears não queria atrapalhar o desempenho do calouro e o colocava nas situações mais tranquilas possíveis dentro das partidas: ele apenas procurava mover as correntes e cometer o mínimo de erros. Agora tudo pode ser diferente em 2018.

A maneira que o Bears o cercou de jovens talentos dentro da unidade ofensiva é algo interessante para analisarmos na temporada que se aproxima. A maior contratação com certeza foi a do jovem HC Matt Nagy, um criativo coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs que aflorou o melhor desempenho possível de Alex Smith em um estágio mais avançado de sua carreira. Muito do potencial deste ataque passa pelo jogo corrido, composto pelos RBs Jordan Howard e Tarik Cohen além do próprio Trubisky representar um potencial de ameaça com diversas formações explorando este lado atlético do jovem QB.

Só que as armas do ataque não param por aí: os TEs Adam Shaheen e Trey Burton (sim, ele mesmo) representam uma excelente dupla de jovens recebedores na posição. Os WRs Allen Robinson, Taylor Gabriel e (tomara que) Kevin White completam o grupo que irá receber os passes de Trubisky na próxima campanha e com certeza são melhores que a média em geral tida na NFL.

A defesa, que já ficou entre as dez melhores em pontos e jardas cedidas na última temporada agora conta também com o atlético Roquan Smith – recrutado com a 8ª escolha geral do Draft, para atuar ao lado de Danny Trevathan. Akiem Hicks é uma grata surpresa na posição de DT e vem se tornando um atleta cada vez mais sólido juntamente com Eddie Goldman. Pelas extremidades, Leonard Floyd e Aaron Lynch representam uma respeitosa ameaça de sack a cada snap, o que facilita e muito o trabalho da defesa no geral. Por fim, a secundária com Eddie Jackson e Adrian Amos como Safeties é uma das menos faladas porém com mais talentos entre toda a a NFL, com o bom Kyle Fuller e Prince Amukamara atuando como Cornerbacks. A NFC Norte, com Aaron Rodgers liderando o Packers, Kirk Cousins no Vikings e o Lions com esperança de playoffs promete e muito para 2018, mas eu não ousaria deixar este Chicago Bears de fora da disputa.

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Tennessee Titans

Dentro da AFC Sul, um time bastante intrigante é a franquia de Nashville. Quando olhamos este time no papel, fica difícil observar entre todas as posições, aquela que indiscutivelmente não há talento disponível. Em uma divisão em que todos os times estão praticamente equiparados – com exceção da soberba defesa do Jacksonville Jaguars, o Titans se coloca como uma equipe que pode fazer barulho.

Tudo parece estar atrelado a Marcus Mariota, o Quarterback da franquia. Após uma ótima temporada de 2016, ele retrocedeu e muito seu desempenho em 2017 e gerou dúvidas nos mais céticos acerca de sua capacidade para liderar a equipe a coisas maiores dentro da temporada. Pessoalmente acredito que seja um exagero, afinal ele já mostrou que é bastante talentoso e, com o novo coordenador ofensivo em Matt LaFleur, o bom rendimento de 2016 é algo extremamente palpável nesta altura da curta carreira de Mariota.

A dupla de RBs com Derrick Henry e Dion Lewis – por alguns chamada de “raio e trovão”, combina atletas de estilos totalmente diferentes mas que podem conviver em harmonia no backfield e utilizar os pontos fortes de cada um na busca pelo sonhado equilíbrio entre jardas terrestres e aéreas que qualquer coordenador ofensivo sonha. Henry é um verdadeiro trator com a velocidade para dobrar a esquina e obter grandes ganhos territoriais pelos extremos da linha ofensiva, enquanto Lewis representa uma ameaça real no ataque aéreo, podendo ser um desafogo para Mariota e uma bola de segurança em diversas situações.

Mesmo com apenas quatro escolhas neste Draft de 2018, o Titans fez valer cada uma delas e saiu do recrutamento com dois prospectos muito interessantes a serem inseridos nesta defesa: o ILB Rashaad Evans, líder da defesa de Alabama Crimsom Tide que foi campeã nacional e o OLB Harold Landry, tido como um talento de primeira rodada mas que por algum motivo foi recrutado apenas na segunda, para a sorte da equipe. Juntamente com atletas dominantes em suas posições como o DT Jurell Casey e o FS Kevin Byard, a unidade defensiva tem tudo para superar a saída do lendário Dick LeBeau – então consultor/assistente e se colocar na parte de cima entre diversos rankings na posição. O calendário pode ser um empecilho, já que enfrentará a poderosa NFC Leste no confronto inter-conferência em 2018, mas há todo o cenário de animação em Nashville para este time, caso o ataque “clique os pontos” e consiga repetir o bom desempenho de duas temporadas atrás.

Arizona Cardinals

Praticamente ninguém fala do Arizona Cardinals nesta altura da pré-temporada. Contudo, é uma equipe removida de uma temporada em que tiveram o recorde de 8-8 sem o Quarterback titular, o melhor jogador do ataque e o segundo melhor pass-rusher pela parte majoritária desta campanha, o que é muito impressionante. Vai ser interessante analisar quem irá liderar a equipe na semana 1 – se será o veterano QB Sam Bradford ou o caloro QB Josh Rosen, recrutado na 10ª escolha geral do último Draft. Ambos os atletas tem talento, mas também carregam consigo um histórico de lesões, principalmente Bradford.

Indiferentemente disto, o QB titular terá algumas peças interessantes para trabalhar sua evolução. O interminável WR Larry Fitzgerald encontrou no slot, a “parte suja” do campo, seu melhor lugar para aflorar o desempenho na vanguarda da carreira e será a bola de segurança deste ataque. O WR Christian Kirk chega via Draft para ser uma ameaça dinâmica na posição e tem tudo para compilar bons números imediatamente, já que o time perdeu Jaron Brown na free agency. O melhor jogador deste ataque é o versátil RB David Johnson, que buscará se tornar um dos únicos atletas na história a ter 1000 jardas terrestres e aéreas em uma mesma temporada, o que ressalta sua versatilidade.

A maior mudança contudo é na chamada das jogadas. Mike McCoy ganhará outra chance de comandar uma unidade defensiva e o então adepto da West Coast trabalhou com o jogo vertical da Air Coryell juntamente com Josh McDaniels. Nos últimos anos ele mostrou alguns ajustes interessantes em seu estilo de ataque, então espera-se uma variedade de esquemas e formações para aproveitar o melhor de cada talento do Cardinals.

Do outro lado, a defesa irá se converter ao esquema 4-3, com Chandler Jones, o atual líder em sacks, e Markus Golden tentando a difícil conversão para Defensive End, ou seja, alinhando com as mãos no chão. Haason Reddick tem o atleticismo necessário para ajudar na rotação da posição e quem sabe se tornar o titular, mas teve uma temporada de calouro decepcionante, é verdade. O CB Patrick Peterson ainda é um dos melhores da NFL em sua posição e coleciona seguidas seleções ao Pro Bowl desde 2011, quando entrou na liga. A dispensa do S Tyrann Mathieu foi de certa forma estranha, mas o Honey Badger como é conhecido já colecionava algumas recorrentes lesões, sem falar que agora Budda Baker terá a chance de se firmar como o titular absoluto, após uma temporada que foi um verdadeiro espetáculo atuando nos times especiais. O Rams fez grandes investimentos e a NFC Oeste pode voltar a ser competitiva como foi no começo desta década, mas analisando apenas a busca por uma vaga no Wild Card, eu não descartaria este Cardinals de 2018.

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Denver Broncos

Ok, vamos voltar um pouco no passado e analisar o Denver Broncos que venceu o Super Bowl na temporada de 2016: foi uma equipe com defesa dominante, jogo terrestre equiparado e um Quarterback com desempenho um tanto questionável que contava com dois bons recebedores. Alguma coincidência com esta equipe de 2018?

Defensivamente, tudo começa com o MVP daquele Super Bowl Von Miller, e o veterano DeMarcus Ware causando o caos pelas extremidades. Miller vem sendo um dos melhores atletas da NFL há anos e, coincidência ou não, o Broncos recrutou o melhor prospecto defensivo deste último Draft, o LB Bradley Chubb para jogar ao lado dele.

Mesmo sem um jogador atlético no miolo da linha como Malik Jackson, Derek Wolfe faz um bom trabalho na posição e ainda demanda marcações duplas; com Shane Ray e Shaq Barrett na rotação de OLBs, a equipe pode chegar com seus pass-rushers inteiros ao final das partidas. Ao contar com o CB Bradley Roby como apenas a 3ª opção de Cornerback é um luxo que nenhuma outra equipe da NFL tem, o que só denota a quantidade de talentos nesta secundária, que com certeza precisará ter Justin Simmons atuando por mais snaps, devido seu alcance e instintos para ser um atleta na NFL.

No ataque, o estilo de jogo físico que CJ Anderson e Ronnie Hillman provinham talvez seja a grande mudança para 2018. Com um grupo muito jovem e versátil de RBs, a evidente melhora da linha ofensiva é a principal razão de esperanças para um ataque mais equilibrado em Denver na temporada que se aproxima. Vejo um cenário em que repetirão o bom desempenho terrestre e contarão com o motivado QB Case Keenum, que trocou Minnesota pelo Colorado após levar o Vikings até o NFC Championship Game na temporada passada. Keenum pode ser um bom atleta neste esquema ofensivo e, igualmente comparando com o QB do Cardinals, terá muito talento para trabalhar consigo.

Mesmo que não estejam mais no auge da forma física, Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders são dois recebedores que me agradam e muito. Fora eles, chegam via Draft os WRs Courtland Sutton, tido por muitos como prospecto de primeira rodada graças a um monumental desempenho na red zone e DeSean Hamilton, que entende como poucos como criar espaços dentro de sua rota.

O Oakland Raiders carrega consigo toda a expectativa pela volta de John Gruden ao cargo de HC após vários anos, o Chargers tem no papel um dos melhores elencos de toda a NFL e o Chiefs se voltará ao segundo-anista QB Patrick Mahomes para comandar a franquia na próxima década, mas dentro desta AFC Oeste, simplesmente não dá para esquecer de um time com uma quantidade de talentos na defesa e jogadores especiais em posições de habilidade no ataque.


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