quarta-feira, 8 de agosto de 2018

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Em toda pré-temporada da NFL, uma palavra volta a aparecer nos noticiários: “holdout”. Essa é a expressão usada para quando um atleta, insatisfeito com seu contrato atual e pedindo por mais dinheiro, decide não aparecer para o período de treinos que antecede o início dos jogos – às vezes, até mais do que isso, ficando o ano inteiro de fora. Em 2018, duas das maiores estrelas defensivas da liga estão passando por esse processo: Khalil Mack, do Oakland Raiders, e Aaron Donald, do Los Angeles Rams.

Na coluna histórica dessa semana, portanto, vamos falar sobre holdouts! Quais foram os que mais marcaram a NFL? Que trouxeram mudanças na situação dos atletas e das negociações? Que tiveram resultados inesperados? Há muito o que se dizer!

O tema da semana passada dessa coluna foi a história do Hall of Fame Game, mas também já falei sobre o surgimento da AFL, seu crescimento e sua fusão com a NFL, sobre as implementações de Seattle Seahawks e Tampa Bay Buccaneers, sobre a ida do Baltimore Colts para Indianapolis na calada da noite, sobre a famosa greve de 1982 e como a free agency mudou através dos tempos. Agora, vamos aos cinco holdouts mais memoráveis que já aconteceram!

5. JaMarcus Russell

Sim, sim, um dos maiores busts da história da NFL. JaMarcus Russell foi um péssimo quarterback e até hoje deixa os torcedores do Oakland Raiders de cabelo em pé só de lerem seu nome. Mas ele foi a primeira escolha do draft de 2007, veio do College com status de futura grande estrela e tinha uma expectativa enorme sobre ele. Assim, é claro que esse holdout não aconteceu após sua carreira profissional se iniciar, mas sim logo após o seu recrutamento!

Naquela época, holdouts de calouros eram comuns. Isso mudou em 2011, quando foi acordado o novo CBA que tinha o escalonamento de salário para os novatos pré-definido, fazendo com que não houvesse mais muito sentido em eles não se apresentarem (apesar de Roquan Smith estar relembrando esses velhos tempos em pleno 2018). Quando tudo era aberto, porém, as grandes estrelas do College iam por esse caminho com frequência.

Assim, JaMarcus Russell entrou numa eterna novela para assinar seu contrato de calouro (que seria o único de sua carreira) com o Raiders. O quarterback ficou de fora de todo o training camp, pré-temporada e só encontrou um acordo com a equipe após a primeira semana de temporada regular. Para um calouro, é tempo e treino demais perdido. Apesar de conseguir o maior contrato da história para alguém recém-saído do draft (61 milhões de dólares, com 29 garantidos), ele só entraria em campo na semana 13 daquele ano – e só seria titular na semana 17, começando a pavimentar seu caminho para bust de proporções rocambolescas.

4. John Riggins

Se em 2007 as coisas eram diferentes, imaginem em 1980. Já citamos em outros textos como os atletas eram mal pagos naquela época – isso é um ponto. O outro é que running backs eram as maiores estrelas. Assim, John Riggins, do Washington Redskins, um dos principais corredores da NFL e líder de uma equipe que estava entre as melhores liga, decidiu que era hora de ser pago como ele merecia. E que levaria isso até as últimas consequências.

O problema para Riggins é que o poder estava mais concentrado nos donos e que o dinheiro não ia tanto para os atletas. Ele não apareceu para o training camp. Ele não apareceu para a pré-temporada. Ele não apareceu para a temporada regular. E, bom, ninguém em Washington deu a mínima. Sem ser pago, sem jogar, o atleta percebeu que era uma época que os jogadores não tinham a menor condição de vencer uma quebra de braço com as franquias – especialmente se fossem poderosas.

Um ano depois, Riggins se apresentou normalmente ao Washington Redskins para o training camp. Declarou: “Estou entediado. Estou quebrado. Estou de volta”. E dentro de campo, nunca mais foi o mesmo jogador. Mais uma volta da Terra em torno do Sol e chegaria a famosa greve de 1982, mudando para sempre a condição dos jogadores.

3. John Hannah e Leon Gray

Um pouco antes de John Riggins, porém, um holdout teve sucesso: John Hannah e Leon Gray, guard e tackle do New England Patriots, foram encorajados pelo agente Howard Slusher a não se apresentarem para a temporada de 1977 enquanto não recebessem um aumento. A prática, que parecia incomum, daria certo porque a franquia que hoje é uma dinastia, na época tinha sérios problemas para conseguir resultados.

O Patriots era um time ruim no princípio da NFL moderna. Não só ruim, mas muito ruim. Tanto que, mesmo existindo desde 1960, ele só foi aparecer nos playoffs em 1963 (ainda da AFL) e em 1976. Muito tempo sem saber o que é uma pós-temporada, muito tempo de fracassos. E quando finalmente a glória foi alcançada em 1976, o principal condutor foi o jogo terrestre. Com uma linha ofensiva de muita qualidade, a equipe liderou a liga no quesito naquele ano.

Quando a temporada regular de 1977 começou, Hannah e Gray ainda não tinham dado as caras. E nas três primeiras semanas, o jogo terrestre que era tão incrível virou pó. O Patriots começou o ano com 1-2 e pouquíssima produção ofensiva. Em desespero, a diretoria deu o desejado aumento aos dois linemen. Para aquele ano, era tarde demais: mesmo um 9-5, mais uma vez impulsionado pelo chão, não foi suficiente para voltar aos playoffs.

2. Emmitt Smith

A situação de Emmitt quando seu holdout se iniciou era a melhor possível: seu time, o Dallas Cowboys, tinha acabado de vencer o Super Bowl e ele fora o principal destaque da campanha. Líder em jardas corridas da NFL em 1992, estrela indiscutível na liga, adorado por todos os torcedores… não tem uma forma muito mais óbvia de não aparecer querendo um aumento de salário e deixar todos ainda ao seu lado.

Do outro lado, Jerry Jones, que na época já era um dos donos mais influentes de toda a NFL. Poderia ser um enorme choque de personalidades e interesses, e a princípio foi. O empresário se segurou enquanto pôde para não aumentar o salário do running back. Só que, assim como no caso anterior, a situação ficou insustentável quando a temporada regular começou com duas derrotas consecutivas para o Cowboys.

Esse início com 0-2 em 1993 fez com Jerry Jones perdesse a queda de braço e desse a Emmitt Smith o maior contrato da história até então para um running back: 13 milhões de dólares divididos em quatro anos. E o atleta provou que seu valor era realmente enorme ao levar a franquia a mais um título do Super Bowl. Certamente, mesmo com todo o seu orgulho, Jones não se sente mal por ter cedido.

1. Bo Jackson

Todos os holdouts que citamos até aqui foram por causa de dinheiro. O principal, não: Bo Jakcson, estrela do futebol americano e do baseball, tinha em mente que não queria jogar pelo Tampa Bay Buccaneers. A equipe, que na época era tenebrosa, tinha a primeira escolha do draft de 1986 e insistiu em selecionar o talentosíssimo running back. Só que ele foi fiel à sua palavra até o fim e, como também tinha outro esporte no qual era muito bom, simplesmente ignorou a NFL e foi atuar no Kansas City Royals, na MLB.

Durante um ano, o Bucs fez de tudo para ter os serviços de Jackson. Tentou até proibi-lo de jogar baseball profissionalmente. Só que nada adiantou e, por regra, se um jogador selecionado no draft não tem um contrato após um ano, ele pode voltar para o recrutamento no ano seguinte. A equipe da Florida simplesmente jogou uma primeira escolha geral no lixo e, em 1987, o running back foi escolhido pelo Raiders, a equipe pela qual finalmente entraria em campo na NFL.

Foram alguns anos de duplo estrelato para o jogador, brilhando no baseball entre março e agosto, no futebol americano entre setembro e janeiro. 141 home runs e 16 touchdowns terrestres na carreira são números que a maioria dos atletas jamais atingirá em apenas um dos esportes, imaginem, então, nos dois. E esse é um capítulo muito trágico do Tampa Bay Buccaneers.

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