quarta-feira, 19 de setembro de 2018

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Entra ano, sai ano, uma velha narrativa da NFL se repete: o caos na linha ofensiva do Seattle Seahawks. Russell Wilson está sempre correndo pela sua vida, os running backs tem dificuldades para estabelecer qualquer coisa pelo chão e os sacks são empilhados em sequência. O time faz movimentações nas inter-temporadas, mas elas nunca aparentam ser suficientes e, quando os jogos voltam a acontecer, mostram que de fato não eram.

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A última vez que o Seattle Seahawks não esteve entre os dez times que mais cederam sacks na NFL foi em 2012, o ano de calouro de Russell Wilson. Desde então, já até venceu um Super Bowl, mas sempre tendo problemas com a proteção ao seu quarterback. Tackles foram selecionados no draft e contratados na agência livre, técnicos de linha ofensiva foram demitidos e contratados, e absolutamente nada funcionou.

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Em 2018, o começo é ainda mais preocupante: Wilson foi sackado seis vezes em cada uma das duas primeiras partidas da temporada, além de estar seriamente pressionado em várias outras ocasiões. A equipe somou uma média de 69 jardas terrestres por partida. Mais uma vez, há um problema sério impedindo que o ataque de Seattle engrene. Mas, afinal, o que pode ser?

O acusado da última inter-temporada foi o ex-técnico da linha ofensiva, Tom Cable. Ele foi criticado por não ter desenvolvido nenhuma das escolhas altas de Seattle para o setor dos drafts recentes, bem como de ter esquemas não funcionais. Mas essa narrativa já parece estar se quebrando rapidamente: contratado pelo Oakland Raiders após sua demissão da franquia, Cable está fazendo um ótimo trabalho com o calouro Kolton Miller e, mesmo enfrentando duas grandes potências defensivas nas semanas iniciais, o time californiano viu Derek Carr ser derrubado apenas uma vez em cada partida.

Nos quatro drafts mais recentes, o Seahawks selecionou oito jogadores de linha ofensiva, com destaque para Germain Ifedi, na primeira rodada de 2016, e Ethan Pocic, na segunda de 2017. Isso sem falar na troca por Duane Brown, que enviou para Houston uma escolha de segunda e uma de terceira rodada. Apesar de tudo isso e de um novo técnico, a linha continua sendo um enorme problema.

Trocar jogadores não resolve. Trocar técnico não resolve. Investir em atletas de talento não resolve. Com toda essa situação, talvez seja hora de fazer uma constatação: o problema é Russell Wilson.

Não me levem a mal: Wilson é um tremendo quarterback. Já vimos várias vezes o que ele é capaz de fazer tanto nos passes em profundidade, quanto com as pernas. Improvisa jogadas que pareciam impossíveis, sempre produz melhores momentos. Mas sua presença de pocket é terrível e ele segura a bola muito mais do que o desejado, o que torna o trabalho da linha ofensiva quase impossível.

Em 2017, Wilson foi o segundo quarterback com o maior tempo médio entre snap e passe: 3,05 segundos, à frente apenas dos 3,1 de DeShaun Watson. Está um pouco melhor em 2018 até aqui, com 2,86, mas isso ainda o coloca entre os dez que mais seguram a bola na NFL. Por mais que você tenha uma linha ofensiva cheia de atletas talentosíssimos, o que não é o caso de Seattle, fica muito difícil impedir o avanço dos pass rushers dessa forma.

Abaixo, duas jogadas analisadas pelo especialista do Seahawks no The Athletic, Sam Gold, mostram os problemas de Wilson no pocket. Na primeira, notamos como ele tem amplo espaço para caminhar para frente e ganhar tempo enquanto um recebedor fica livre entre as zonas no meio, mas simplesmente se desespera, corre para o lado errado e sofre o sack:

Na jogada seguinte, mais uma vez Wilson sai apressadamente de um pocket limpo, corre para trás sem qualquer necessidade, perde a oportunidade de fazer um passe para seu tight end livre e acaba jogando a bola fora:

Já um veterano de sete temporadas, parece improvável que Russell Wilson mude seus hábitos. Como já disse, ele é um quarterback que faz muitas jogadas mágicas, mas também é em grande parte responsável pelo fracasso sucessivo de seus atletas de linha ofensiva. Com certeza, é válido continuar com um jogador de tamanha qualidade, mesmo quando ele tem um defeito tão claro. Mas não parece ser possível ver uma melhora do Seattle Seahawks no setor enquanto ele estiver no comando do ataque.

Resumindo: mais uma vez, Seattle vai estar entre os times que mais cedem sacks na NFL. Mais uma vez, Russell Wilson vai estar entre os quarterbacks que mais seguram a bola. Os dois fatores são completamente interligados. E se a franquia for longe na temporada, o que parece improvável com sua defesa piorada e dificuldades na posição de wide receiver, será com o camisa 3 apanhando muito.

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