quarta-feira, 28 de Março de 2018

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Em menos de um mês, os principais prospectos da classe terão seus nomes chamados por Roger Goodell na 1ª rodada do draft 2018. Jogadores como Saquon Barkley, Josh Rosen, Sam Darnold e Bradley Chubb assinarão belos contratos e terão a oportunidade de se provar na NFL. No entanto, outro atleta que, provavelmente, não será chamado no primeiro dia do recrutamento é a inspiração deste texto. Hoje iremos falar de Shaquem Griffin que possui a história mais sensacional deste draft e, por tudo que já demonstrou em campo, merece uma oportunidade na NFL.

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Shaquem, que é irmão gêmeo do CB do Seahawks, Shaquill Griffin, nasceu com uma síndrome rara que, aos 4 anos de idade, e devido às intensas dores, o levou a ter a sua mão esquerda amputada pelos médicos. Como foi discutido no texto destacado acima, chegar à NFL é uma tarefa dificílima por diversos fatores, inclusive pela gigantesca concorrência. Isto posto, imagine passar por todas essas etapas com uma deficiência física importante; esta é a batalha de Shaquem desde que decidiu jogar futebol americano.

Recentemente, Shaquem escreveu uma carta sensacional endereçada aos GMs da NFL publicada no “The Players Tribune” em que relata algumas dificuldades que passou durante toda a sua vida e, dentre outras coisas, agradece a todos que acreditam em seu potencial, e também aos que duvidam de sua capacidade, pois, ambos, de uma forma ou outra, contribuem para a sua evolução. Nesta carta, algo que nos chama bastante a atenção é o relato da primeira vez que Shaquem sentiu o preconceito por sua deficiência.

Com apenas 8 anos de idade, antes de uma partida de um campeonato infantil, um treinador da equipe adversária o pesou e disse que ele não estava dentro do limite exigido e, por isto, não poderia jogar. No entanto, o próprio Griffin, mesmo sendo uma criança, já havia se pesado anteriormente e tinha certeza que estava dentro dos padrões. Após uma nova pesagem, desta vez supervisionada por um treinador de Shaquem, ficou provado que o jovem estava certo. Sendo assim, o verdadeiro motivo foi explicado pelo Coach adversário que, resumidamente, disse que Griffin não poderia jogar, pois só tinha uma das mãos. Segundo o LB, deste dia em diante, ele percebeu que sempre teria que provar para as pessoas que elas estavam erradas.

Deste pequeno trecho da carta de Shaquem, uma qualidade do jogador fica muito ressaltada e é fundamental para o sucesso em qualquer atividade profissional, comprometimento. Com 8 anos de idade, ele se preocupava em não estar acima do limite de peso nas categorias em que jogava e relata que já havia se pesado antes de dormir, e ao acordar no dia do jogo. Hoje acompanhamos tantos jogadores de muito talento tendo suas carreiras encerradas de forma prematura por falta deste componente que sobra em Griffin. Vale destacar que, na partida relatada acima, Shaquem foi autorizado a jogar e, jogando como LB, fez a primeira interceptação de sua vida e garantiu a vitória de sua equipe nos minutos finais do jogo.

Durante sua passagem por UCF, mesmo após boas temporadas no High School, a história, de certa forma, se repetiu com o jogador praticamente não atuando em seus primeiros 3 anos no College. Aqui entra outra característica marcante de Griffin, a persistência. Não é fácil ver todos os seus companheiros jogando – incluindo seu irmão – e Shaquem continuava de fora, mesmo mostrando capacidade nos treinos. No entanto, a disposição marcante do LB foi recompensada, e o jogador passou a ter as oportunidades que merecia, principalmente, nos dois últimos anos de sua carreira em UCF. A título de comparação, em seus 3 primeiros anos, Griffin totalizou 29 tackles, 6 passes defendidos e uma interceptação. Nas últimas duas temporadas, onde foi titular em todas as partidas, foram 166 tackles (33,5 para perda de jardas), 10 passes defendidos, 18,5 sacks, 2 interceptações, 4 fumbles forçados e 4 fumbles recuperados.

Como podemos reparar nas estatísticas, quando teve uma oportunidade real, Griffin comprovou sua capacidade e, novamente, o fez com grande destaque. Entretanto, como sempre ocorre em sua vida, os questionamentos apareceram e, desta vez, ainda mais rígidos, pois estamos falando de uma possível ida para a NFL. Sobre algum destes questionamentos, a performance de Shaquem no último Combine já deu respostas marcantes. Com um tempo espetacular de 4,38 segundos no tiro de 40 jardas, o mais rápido para um LB em muitos anos, Griffin provou que velocidade não será um problema. Como pode ser visto no vídeo acima, o impressionante atleta ainda fez, utilizando uma prótese, 20 repetições no supino em um dos momentos mais marcantes da história do Combine.

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Falando apenas do campo, alguns analistas acreditam que Griffin não conseguirá jogar na NFL por conta de sua deficiência que o tornaria mais suscetível, dentre outros problemas, a um percentual maior de tackles perdidos. Infelizmente, isto é algo que pode ocorrer. Todavia, por tudo o que fez, Griffin merece mais uma chance de provar – como o faz deste os 8 anos de idade – que as pessoas que analisam desta forma estão mais uma vez equivocadas. E não pense que é uma questão de caridade ou alguma coisa do tipo, pelo contrário, Shaquem merece a chance, pois ele sempre provou em campo o seu valor. Griffin não quer um favor, ele não precisa disso, ele merece uma oportunidade. No Combine, o LB confirmou isto ao demonstrar que é mais atlético do que muitos jogadores que já estão na NFL.

Além de tudo que superou fora dos campos e da capacidade que demonstrou jogando, Shaquem é uma figura importante para uma equipe. O LB demonstrou ser uma liderança extremamente positiva, dando ótimos exemplos de: comprometimento, dedicação e persistência. No próximo draft, esperamos que os GMs das equipes da NFL não tenham uma atitude parecida com a do treinador que tentou tirar o menino Shaquem, com apenas 8 anos de idade, do campo. Como sabemos, isto se mostrou um grande erro. Shaquem Griffin espera apenas uma oportunidade para, mais uma vez, provar que faz parte deste jogo.


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