quarta-feira, 10 de outubro de 2018

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O Cleveland Browns não é mais a chacota da NFL. Depois de conseguir apenas uma vitória em duas temporadas somadas, já são duas em 2018. O elenco é recheado de jovens talentos em posições importantes como quarterback (Baker Mayfield), edge rusher (Myles Garrett) e cornerback (Denzel Ward), e o futuro parece promissor. Na Visão Aérea dessa semana, vamos ver como foi a parte tática e técnica do triunfo por 12 a 9 da franquia de Ohio sobre o bom time do Baltimore Ravens.

Como o placar demonstra, a partida foi um duelo defensivo, com só um touchdown anotado. Baker Mayfield e Joe Flacco tiveram bons momentos, mas na maior parte do tempo sofreram com decisões ruins – o que se justifica mais no caso do primeiro, que é um calouro. Os planos de jogo ofensivos também poderiam ter sido melhores. Como as duas defesas são bastante competentes, naturalmente levaram a melhor.

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Ataque do Ravens x defesa do Browns

Joe Flacco vinha surpreendendo em 2018. O quarterback, que já foi chamado de “elite”, fez temporadas muito fracas recentemente, mas começou o ano em alta, com algumas boas exibições. Nessa partida, porém, lembrou mais o jogador de 2016 e 2017. Tomou muitas decisões ruins, forçou passes e perdeu recebedores abertos.

Para piorar, o Ravens demonstrou uma inexplicável falta de balanço entre passes e corridas. Flacco fez nada menos que 56 lançamentos contra apenas 25 tentativas de corrida da equipe, mais que o dobro. O que deixa essa discrepância pior é que o time tem Alex Collins, um talentoso running back, e nunca esteve atrás do placar por mais de uma posse, situação que costuma realmente pedir por mais jogo aéreo.

Collins teve 59 jardas em 12 tentativas, média de 4,9. A sua melhor corrida na partida demonstra seu talento: é uma jogada em outside zone e a linha ofensiva faz um bom trabalho para abrir um buraco, mas o grande ganho só vem porque ele consegue fazer um belo corte no linebacker Joe Schobert, deixando-o no chão, para atingir o segundo nível da defesa e ainda arrancar mais algumas jardas após o contato:

Mas vamos voltar a Flacco e demonstrar seus momentos bons e ruins na partida, começando pelo segundo. Ainda no primeiro quarto, o Ravens alinha quatro recebedores do lado direito da formação, três deles em “bunch”. Dois correm praticamente juntos, mas um segue em direção à endzone, em uma deep post, enquanto outro corta cedo para a lateral. A defesa se confunde e deixa o recebedor mais superficial completamente livre para um avanço muito fácil, mas o quarterback não deixa a jogada se desenvolver e se precipita. Acaba arriscando o lançamento mais profundo, mesmo com esse recebedor estando em cobertura dupla. Passe incompleto.

Flacco se livrou rápido da bola na maior parte do jogo e, dessa forma, não fez muita progressão de leituras. No lance abaixo, completa o passe, mas mais uma vez correndo um risco desnecessário em uma janela muito pequena. Ele nunca olha para o lado direito, onde tinha uma situação de um contra um sem ajuda de safety, com um bom passe podendo resultar em touchdown. O lançamento para Michael Crabtree foi muito bom, mas um pequeno erro de precisão poderia acabar em interceptação.

Ainda assim, Flacco quase venceu a partida para o Ravens no tempo regular com uma jogada de altíssimo nível. Na red zone, o Cleveland Browns se posiciona em Cover 4 e Baltimore usa cinco wide receivers, com empty backfield. Michael Crabtree faz um ótimo trabalho se infiltrando atrás do linebacker e à frente do safety e, com uma janela mínima, o quarterback faz um passe perfeito. A bola, porém, acaba batendo nas mãos do recebedor e caindo no chão. Isso leva a partida para a prorrogação.

Ataque do Browns x defesa do Ravens

Baker Mayfield é um calouro. É um prazer vê-lo jogar com seu espírito vencedor, com a vontade de arriscar, com o braço e a mobilidade que tem. Apesar de tudo isso, comete erros que mostram bem o jogador de primeiro ano que ele é. Vamos analisar algumas situações que mostram tanto o lado bom desse jovem quarterback como os momentos nos quais ele deixa clara sua inexperiência.

Logo no começo do jogo, Mayfield lança uma interceptação por motivo inverso aos erros de Flacco no jogo: segura demais a bola. Baltimore manda uma blitz e usa a defesa em Cover 2 under man. Os dois recebedores no meio do campo conseguem separação, mas provavelmente prejudicado pela sua altura, o quarterback não consegue enxergar isso de dentro do pocket. Quando ele faz o passe, é tarde demais: os defensive backs já se recuperaram. Não há nenhum wide receiver nem capaz de brigar pela bola no lugar onde ela cai. Essa jogada só poderia acabar ou como passe incompleto, ou com bola do Ravens.

O lado ruim de Mayfield também aparece quando ele não consegue identificar uma blitz. O safety Eric Weddle fica junto à linha de scrimmage e mostra que vai atrás do quarterback, e aí seria função ou dele, ou do center, mudar o esquema de proteção e garantir que alguém ficaria responsável por esse defensor extra. Como ninguém faz nada, o caminho de Weddle para Mayfield é fácil demais, o que resulta em possivelmente um dos sacks mais fáceis de sua carreira.

Com ou sem blitz, a defesa de Baltimore foi capaz de gerar muita pressão. Foram cinco sacks em Mayfield e oito hits. A mobilidade do quarterback foi fundamental para evitar que esses números fossem ainda maiores.

Mas também precisamos falar dos pontos positivos de Mayfield. E reparem na coragem e na precisão desse lançamento de 30 jardas para um recebedor em movimento se infiltrando entre zonas. Esse é o tipo de jogada que qualquer erro, mais força ou menos força, acaba em interceptação, e o jovem quarterback consegue acertar na mosca. É esse tipo de jogada que faz com que ele seja realmente excitante de se assistir:

E por fim, a jogada mais importante da partida, um passe de quase 40 jardas na prorrogação e que possibilitou a vitória do Cleveland Browns. Mais uma vez, há um bunch do lado direito da formação. A defesa usa marcação homem a homem e um safety em profundidade. Pouco após o snap, o pocket se fecha e a pressão chega, mas Mayfield mostra muita compostura para arrumar um espaço e encontrar um recebedor em ótima condição.

Também é interessante analisar o quanto essa jogada é bem desenhada: o campo é esticado tanto horizontalmente, como verticalmente. Há recebedores correndo rotas 25 jardas de distância um do outro e nas duas laterais. Isso faz com que, quando a recepção acontecer, haja muito espaço livre para correr – e é justamente o que acontece.

O Cleveland Browns pode ainda não estar pronto, mas segue no caminho certo para ser uma potência em breve. Vencer um rival forte como o Baltimore Ravens é um ótimo sinal nesse sentido. Os visitantes, por sua vez, tem na defesa o maior mérito e possuem boas chances de irem aos playoffs, apesar de eu não acreditar que avancem muito neles pelas limitações de Joe Flacco.

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