quarta-feira, 24 de outubro de 2018

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Mais uma semana, mais um duelo divisional na Visão Aérea. A coluna dessa quarta-feira fala sobre a vitória do Washington Redskins sobre o Dallas Cowboys, que perdeu um field goal com o cronômetro zerado, por 20 a 17. O resultado deixou os donos da casa na liderança isolada da NFC Leste, com campanha de 4-2, enquanto os visitantes amargam uma primeira metade ruim, com 3-4.

Os dois times apresentam sérios problemas com a posição de wide receiver e reclamam sobre a predisposição aos passes curtos de seus quarterbacks. Em Washington, porém, existe bem mais criatividade do que em Dallas. Mais do que isso, também há mais talento. Como veremos a seguir, o Redskins conseguiu neutralizar bem a principal arma do adversário e isso foi fundamental para o triunfo.

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Ataque do Cowboys x defesa do Redskins

Mais do que a decadência da linha ofensiva ou a falta de bons wide receivers, o problema mais assombroso no ataque do Dallas Cowboys é a falta de criatividade. De 61 snaps, 43 forem em shotgun e 51 usaram o pacote 11 (um running back e um tight end). As rotas costumam não esticar muito o campo e o quarterback Dak Prescott continua tendo altos e baixos. De certa forma, podemos dizer que o coordenador Scott Linehan é o principal responsável pelas dificuldades do time em pontuar.

Washington sabia dos problemas de Dallas com wide receivers e tight ends e por isso tratou de neutralizar a maior virtude do rival: o jogo corrido com Ezekiel Elliott. O running back somou apenas 33 jardas em 15 tentativas, média baixíssima de 2,2. Essa foi apenas a sexta vez na carreira do jovem atleta que ele não alcançou a marca das 60 jardas corridas e, advinhem: o Cowboys perdeu todas essas partidas.

Não é sempre que a culpa é de Linehan. Na jogada abaixo, os bloqueios são todos bem desenhados e há uma grande chance de sucesso, mas a falha é de execução. Repare como tudo se encaminha para um grande ganho de Elliott, faltando apenas a última peça do quebra-cabeça: La’el Collins tirar Zach Brown do caminho. Em vez disso, ele é humilhado, jogado ao chão e permite uma infiltração que causa perda de 1 jarda.

Logo no início da partida, ainda na primeira campanha de Dallas, vimos um grave erro de execução de Prescott no que poderia ser um touchdown. A defesa de Washington erra feio e comete uma falha de cobertura que é difícil explicar sem saber qual era exatamente a chamada, fazendo com que Cole Beasley entre absolutamente sozinho no meio – o único safety fora atraído para o lado direito do campo. O quarterback demora um segundo para efetuar o lançamento e acaba atrapalhado pelo pass rush, fazendo com que a bola fique curta e vá no pé de seu muito aberto recebedor.

Nos três primeiros quartos, Dallas teve apenas uma jogada no campo de ataque. Ela aconteceu na linha de 49, mas acabou em touchdown. O mérito principal aqui é do calouro Michael Gallupp, que consegue um visceral double move para deixar Fabian Moreau comendo poeira. Também é importante a atuação de Prescott, primeiro manipulando o safety para que se desloque ao outro lado do campo, depois lançando uma bola perfeita.

A jogada mais importante da partida aconteceu a cinco minutos do final. Washington liderava por 13 a 10 e Dallas tinha a bola nas profundezas de seu próprio campo. É uma terceira para 14, situação complicada. Gallupp mais uma vez consegue um brilhante double move para deixar seu marcador de tornozelos quebrados e corre livre pelo campo, mas dessa vez Prescott hesita. Ryan Kerrigan, que tinha a função de ser o “espião” do quarterback na jogada, tem um caminho livre para o sack e força também o fumble que acaba em touchdown. Se o camisa 4 fosse um pouco mais rápido em sua reação, a jogada gigante seria do outro lado.

Não me parece que a adição de Amari Cooper pode levar um grande progresso a esse ataque, ao menos em 2018. Dak Prescott ainda é irregular demais e falta criatividade para Scott Linehan usar suas armas. Quando Elliott é anulado, sobra muito pouco. Talvez sejam necessárias grandes mudanças para que o ataque de Dallas seja mais competitivo em 2019.

Ataque do Redskins x defesa do Cowboys

Conhecemos muito bem Alex Smith: veterano de muitos anos, é um quarterback mediano, capaz de organizar bem o jogo, mas falho quando precisa fazer algo de diferente. Seus números nesse duelo refletem bem suas condições gerais: 14-25, 178 jardas, um touchdown. Uma boa notícia foi que a linha ofensiva de Washington fez um ótimo trabalho de proteção e cedeu apenas um sack.

A grande diferença dessa partida foi na atuação do running back estrela. Enquanto Ezekiel Elliott teve dificuldades e postou números terríveis, Adrian Peterson foi capaz de brilhar. O veteraníssimo atleta conseguiu 99 jardas em 24 tentativas, média não tão alta de 4,1, mas muito disso foi criado com as próprias pernas em situações de improviso.

Vejam abaixo que essa corrida foi desenhada para ser para a esquerda, possivelmente entre o tight end e o left tackle. Peterson tem a paciência para ver que nenhum buraco se abriu e faz um arriscado movimento para a direita, encontrando um espaço vazio após toda a defesa ter sido afastada para o lado contrário. Um excelente corte em Kavon Frazier ajuda com que essa jogada inicialmente perdida acabe em um ganho de 20 jardas.

Peterson não teve sucesso o tempo todo, porém. Quando tentou correr em uma terceira para o gol, foi negado por um desenho inexplicável do ataque de Washington: veja que DeMarcus Lawrence, o melhor defensor de Dallas e um dos melhores do jogo, fica desbloqueado. Não, não é ilusão – ele tem um caminho absolutamente livre para o backfield. O mais provável é que a linha ofensiva tenha se confundido na hora de ajeitar os bloqueios, mas o resultado é uma perda de 2 jardas.

Nem tudo é tragédia: o único touchdown aéreo de Alex Smith veio em um screen pass para Kapri Bibbs que foi perfeitamente desenhado. Veja por essa câmera como todos os defensores são bloqueados e o running back precisa apenas costurar esses pontos do campo com jogadores para chegar à endzone. O único atleta que poderia impedir que a jogada acabasse em seis pontos é Jaylon Smith, que estava do outro lado e chega atrasado na sua tentativa voadora de tackle – tudo isso por ter sido enganado pelo play-action e acreditado em uma corrida para a esquerda.

Para finalizar, um péssimo momento de Alex Smith. Sob pressão, ele força um passe para um Josh Doctson muito bem coberto do lado direito do campo e só não é interceptado porque Chidobe Awuzie nunca se vira para tentar uma jogada com a bola. O melhor a fazer aqui seria aceitar o sack, já que não existia separação para fazer o lançamento.

O jogo entre Washington e Dallas não foi dos melhores, mas os donos da casa mostraram ser um time superior, com mais talento e mais bem treinado. Há questões com os quarterbacks e corpos de recebedores dos dois lados, mas podemos dizer que as defesas são subestimadas. De toda forma, a temporada já mostra quais devem ser as ambições desses rivais nos duelos que faltam.

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