quinta-feira, 18 de julho de 2019

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A offseason da NFL serve para muitas coisas, entre elas analisar os novos elencos que se formaram para a temporada e discutir possíveis candidatos ao Super Bowl. É também nesse período que declarações consideradas rotineiras acabam repercutindo mais do que o esperado. A mais recente delas envolve o WR Golden Tate, atualmente no New York Giants. Em entrevista, jogador elogiou o ex-companheiro Matthew Stafford e afirmou que o camisa 9 do Lions é o melhor Quarterback com o qual atuou. É importante lembrar que a declaração de Tate ignora o fato do recebedor ter sido companheiro de Carson Wentz e Russell Wilson em sua carreira. A opinião, no mínimo questionável, nos levou a analisar os 10 anos de Sttaford como profissional e se ele faz jus ao elogio.

Estrela da universidade de Georgia, Stafford foi draftado em 2009 pelo Lions com a 1ª escolha geral. Em uma classe de QBs que ainda contava com Mark Sanchez e Josh Freeman, ele é sem duvidas o atleta da posição que teve a carreira mais duradoura e em alto nível em suas 10 primeiras temporadas. Mais do que uma simples escolha de 1ª rodada, Stafford representou em 2009 a virada de página do Lions após a temporada de 16 derrotas no ano interior, um dos recordes negativos mais impressionantes da história do futebol americano. Sob o seu comando, a franquia abandonou o status de saco de pancadas e se tornou competitiva, chegando nos playoffs em três oportunidades e somando quatro temporadas com mais vitórias que derrotas.

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Individualmente, Stafford também somou ao longo da sua carreira alguns números expressivos; No currículo do camisa 9 estão sete temporadas entre os 10 QBs com mais passes completados e jardas totais, além de outras seis no Top 10 de jogadores com mais viradas produzidas, o que demonstra liderança e capacidade de ser decisivo. Com um dos braços mais fortes da liga e sem perder um jogo sequer por conta de lesão desde 2011, não é difícil entender o motivo do Lions não ter questionado a posição de Sttaford como o QB que poderia levar a franquia ao inédito título do Super Bowl, oferecendo ao jogador uma renovação de contrato em 2017 no valor de US$ 135M, válido até a temporada de 2022.

O problema para a franquia da NFC Norte é que, sozinho, o jogador ainda não é capaz de operar milagres. Mesmo levando o Lions aos playoffs em três oportunidades, Stafford não conseguiu vencer nenhum jogo de pós-temporada em sua carreira. O jejum da equipe fora do mata-mata já dura dois anos e agora, em sua 2ª temporada sob o comando do técnico Matt Patricia, as expectativas não são as melhores, também por conta do nível alto que Packers, Vikings e Bears prometem impor em 2019. Na liderança de um elenco que carece de talento e playmakers nos dois lados da bola, o camisa 9 se viu na posição de chamar a responsabilidade e nem sempre essa decisão foi a mais acertada; Stafford também soma sete temporadas no Top 10 dos QBs com mais passes retornados para TD e outras cinco em lançamentos interceptados.

Em uma avaliação geral, os 10 anos do atleta como profissional e QB titular do Detroit Lions foram marcados pela evolução da franquia como um todo, mas também por uma grande irregularidade expressada nos números do jogador. Embora tenha oferecido à Detroit a capacidade se tornar um time relevante e competitivo, Stafford ainda não foi capaz de dar o passo adiante na carreira e se tornar o quarterback que supera a fragilidade do material humano ao seu redor para conquistar resultados expressivos. Aos 31 anos e sob o comando do 3º treinador diferente, ele já não se encontra em uma posição tão confortável para continuar adiando a sua primeira vitória na pós-temporada.

Mas afinal, ele é melhor que Russell Wilson?

Apesar do carinhoso elogio do ex-companheiro de equipe, que teve os melhores números da sua carreira em Detroit somando em média 66,8 jardas por partida em 4 temporadas e meia, é impossível comparar o sucesso obtido por Wilson em menos tempo como profissional do que Stafford. Em uma comparação básica entre os dois QBs, o camisa 3 apresenta números superiores em três quesitos fundamentais: Porcentagem de passes completos, de vitórias e desempenho nos playoffs e jardas corridas. Com quatro temporadas a menos que Stafford, o QB do Seahawks ja é mais regular, decisivo e vitorioso que o rival.

Em defesa do companheiro, Tate ainda argumentou que a falta de elencos com maior talento individual foram prejudiciais para os números e a performance de Stafford na pós-temporada, o que não deixa de ser uma realidade. No final das contas, a declaração emocionada do recebedor soou mais como uma lembrança das suas temporadas em alto nível do que uma análise fria dos fatos. Em 2019, Tate receberá passes de Eli Manning (ou Daniel Jones?) e a tendência é que ele sinta ainda mais falta de Stafford como companheiro de ataque.


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