segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

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32 por 32 - L32

Quando Patriots e Seahawks asseguraram a cabeça de chave nas suas respectivas conferências, o número de pessoas que já apostavam nesse possível Super Bowl era grande. Essas pessoas acertaram em cheio, mas não foi fácil para nenhum dos dois. Cada um passou por um jogo fácil e outro bem complicado nos playoffs até chegar ao grande momento. Patriots sofreu diante do Ravens e passou bem pelo Colts, enquanto o Seahawks não encontrou dificuldades para bater o Panthers, mas se viu muito próximo de ser eliminado pelo Packers.

Esse jogo vai marcar a história de vencedor e derrotado, como todo Super Bowl o faz. Com o quarto anel em mãos, Belichick ficaria empatado com Chuck Noll como os técnicos que mais venceram o título. O Seattle Seahawks também pode conquistar um recorde invejável e se tornar apenas o segundo time no milênio a vencer dois títulos seguidos. Para isso, obviamente, Patriots ou Seahawks precisam vencer e para vencer eles tem que superar o adversário na maioria dos itens listados abaixo. Preste atenção no que você deve ficar de olho enquanto a bola oval estiver voando nesse domingo:

  • Linha ofensiva do Seahawks vs Front seven (linha defensiva + LBs) do Patriots

Primeiro, um fato. A linha ofensiva do Seahawks não é boa. Sendo mais específico, é uma péssima linha na proteção do QB Russell Wilson e um pouco menos ruim quando precisa abrir corredores para as corridas do Lynch, mas ainda assim é consideravelmente falha também nesse aspecto e os méritos do bom desempenho da “besta” é quase que exclusivamente dele e de sua força física e inteligência. E como o Seahawks pode evitar o pass rush do Patriots? Vai precisar impor seu jogo corrido – mesmo diante de uma defesa que é boa contra as jogadas terrestres – e vai ter que recorrer às jogadas de read option que foram pouco utilizadas contra o Packers em boa parte do jogo e vimos o que quase aconteceu em Seattle. Sobre as corridas do Russell Wilson, é extremamente importante que o Patriots deixe um jogador como spy, ou seja, um jogador de defesa que fique com a função de observar e acompanhar o QB, caso ele fique com a bola para correr. Uma boa opção para essa tarefa é o LB Dont’a Hightower, que é rápido e ágil. Jamie Collins pode ser mais usado na cobertura do TE Luke Wilson. Em formação Nickel, o Patriots já mostrou que pode usar o S Patrick Chung no TE.

O pass rush do Patriots não é a grande força dessa defesa mas, diante de uma linha problemática, um cara como Chandler Jones pode aparecer bem. New England deve atacar muito o Right Tackle, ponto fraco na proteção. Para evitar isso, a linha defensiva precisa se posicionar corretamente e buscar manter o Russell Wilson no pocket, já que é um jogador que gosta e precisa sair do pocket frequentemente para correr ou lançar. Mantendo ele naquela região, New England conseguirá reduzir bastante o perigo que o ataque de Seattle possa trazer a campo. Observe os jogadores nas pontas da linha de defesa do Patriots, eles não podem vacilar e vir pelo interior, precisam marcar presença nas extremidades e “fechar” o pocket, ou Russell vai se movimentar e estender a jogada. Hightower como spy, como já falei, completa a estratégia.

  • Linha ofensiva do Patriots vs Front seven do Seahawks

A linha ofensiva de New England, assim como a de seu oponente, também não é boa. Mais especificamente, é uma linha que mau consegue proteger Tom Brady e foi o grande problema do time no início da temporada. Como resolveu isso? Essa mesma linha melhorou minimamente e Brady faz boa parte dos seus lançamento em menos de 2 segundos para evitar a pressão. Bloqueando para as corridas, é uma linha aceitável.  A estratégia de colocar Tom Brady para lançar muito rapidamente a bola pode se mostrar um pouco mais complicada contra o Seahawks como veremos mais adiante no item 4. Talvez seja necessário usar um sexto homem na linha ofensiva, coisa que Belichick já fez algumas vezes nessa temporada e, óbvio, Blount vai ser muito importante para essa decisão, bem como Vereen, especialmente para receber passes, como um escape.

Linha defensiva do Seattle é excelente. Integra uma das melhores defesas da história do esporte e praticamente não tem falhas. Ela gera bom pass rush e é igualmente eficiente contra o jogo corrido. Blount vai precisar de bons bloqueios para conseguir atravessar essa barreira e você deve ficar de olho se o Patriots está conseguindo bloquear o Bobby Wagner ou não. É essencial ao menos incomodá-lo na partida. Para pressionar o Brady, Cliff Avril pode ser o nome.

Mebane é um desfalque muito grande para Seattle e o Patriots pode explorar com corridas pelo meio.

  • Secundária do Patriots vs Recebedores do Seahawks

Se você acompanha minha coluna, sabe que escrevi sobre a importância de Revis e Sherman para seus times nessa caminhada na pós temporada. Uma coluna inteira sobre isso e aí estão eles, dois dos melhores cornerbacks da NFL disputando o Super Bowl.

Esse é um duelo que, em tese, é bem favorável ao New England Patriots. Possui uma secundária bem consistente – diria quase ou tão boa quanto a temida cobertura do Seattle – que enfrenta um time de recebedores que não é elite. Nem poderia ser! O ataque do Seahawks não é um ataque conhecido por sua verticalidade, é um time que usa muito as corridas para dominar um jogo – seja do Lynch ou do Wilson – e vez ou outra arrisca uma big play. Dificilmente Russell Wilson vai lançar para 300 jardas contra o Patriots e Seattle erraria se buscasse isso como estratégia de jogo. Esse duelo do item 3 é uma clara vantagem para New England, mas não é algo que possa decidir o jogo ou prejudicar profundamente as pretensões ofensivas do Seahawks, a não ser que gerem um turnover. De forma geral, o Seahawks vai insistir por terra e passar com segurança. First down a first down.

Revis deve cobrir – e provavelmente anular – o WR Doug Baldwin, que é o principal alvo do Russell Wilson. Lembre que a principal diferença entre Revis e Sherman é que Revis caça um recebedor o jogo inteiro independente do lado em que ele se alinhe, enquanto Sherman costuma cobrir quem cair do seu lado e não “escolhe” o jogador que ele marcará. Jermaine Kearse deve enfrentar Brandon Browner e o Patriots deve usar os dois safeties auxiliando na cobertura em profundidade, o que geraria cobertura dupla em até dois alvos que se mandarem para longe rumo à end zone. É uma medida importante contra um QB móvel que estende jogadas ao sair do pocket.

Esse detalhe que pode favorecer o Seattle. A mobilidade do Russell Wilson, como explicado no item 1. Se não segurarem ele no pocket, ele sai, estende as jogadas e a secundária do Patriots precisaria cobrir os recebedores por bem mais tempo que o comum. Ficaria exposta!

  • Secundária do Seahawks vs Recebedores do Patriots

O grupo de recebedores de New England tem mais capacidade para incomodar a secundária adversária que o respectivo grupo de Seattle possui. Deixando bem claro aqui que a legion of boom é composta pelo melhor time de cornerbacks e safeties da liga, é o melhor conjunto da NFL indiscutivelmente. Dito isso, o Patriots pode ser um problema desde que tenha um plano de jogo nada agradável para o Seahawks, um plano que tire essa defesa de sua zona de conforto. Uma possibilidade é a dink n dunk offense, movendo a bola aos poucos e jogando recebedores em profundidade quando o Seattle estiver em cover 3 (CB da direita cobrindo o fundo do campo direito, CB da esquerda cobrindo o seu lado e o Free Safety cobrindo o fundo, na área central), o que faria esses três jogadores recuarem e mandar a bola no jogador que fizer a rota curta pelo meio ou para um RB como o Vereen. Abriria no campo um espaço entre os jogadores que vão cobrir em profundidade e aqueles que vão para cima da linha ofensiva do New England e é justamente ali que Brady lançaria a bola.

Uma outra forma pode ser forçando o Richard Sherman cobrir o recebedor no slot, esse não é o forte do Sherman e ele não costuma se movimentar de um lado para outro. As participações do RB Shane Vereen nos screen passes e do TE Rob Gronkowski – falarei dele em um item exclusivo – são outras armas interessantes, mas a tendência é que o Patriots tenha dificuldades naturais de conseguir big plays contra esses caras. Vereen pode ser uma arma especialmente correndo a Wheel Route – onde ele corre em direção à sideline e de lá se manda rumo à end zone – para cima do LB Bruce Irvin. Este seria um duelo favorável para New England, fica de olho.

O Patriots – bem como qualquer time que enfrente o Seahawks – poderá escolher quem vai marcar cada um de seus recebedores, isso porque o Seattle raramente muda seus defensores de posição no campo. Quem se alinhar na ponta direita do ataque, por exemplo, vai enfrentar o Richard Sherman e o New England poderá escolher quem eles querem que dispute com o cornerback. Da mesma forma do outro lado.

Já Seattle precisa incomodar e impedir Brady de fazer o que mais gosta. Ninguém é melhor que Tom Brady nos passes curtos e rápidos na lateral ou em rotas cruzadas e é aí que a secundária do Seahawks e seus linebackers podem povoar essa região de curta distância e desafiar Brady nos passes longos. Assim, caras como Sherman, Maxwell e Chancellor podem tirar proveito.

  • Jogo corrido do Seahawks

A Besta. Marshawn Lynch tem 1306 jardas corridas, 13 TDs e é o motor desse ataque. Pelo ar são 367 jardas e 4 TDs. Será essencial que ele tenha uma participação efetiva no grande jogo, bem diferente do último Super Bowl em que ele correu para menos de 40 jardas e nem foi necessário contra o Broncos. Se Lynch corre bem, Seattle ganha de cara duas boas armas para confundir e dar trabalho à defesa do Patriots: Read Option e Play Action. Sem contar os ganhos efetivos por terra que Marshawn traz para o seu time. E ele vai ter uma batalha dura pela frente, já que enfrentará Wilfork, Hightower e Chung conforme vá progredindo sua corrida. Creio que Lynch consiga correr razoavelmente bem, especialmente se houver a ameaça do Read Option e o Seahawks precisa colocar essa jogada na mesa para variar o máximo possível o playbook com as corridas da Besta, que vai bem até como recebedor como vimos contra o Packers.

  • Jogo corrido do Patriots

É outra coisa que o Seahawks precisa evitar. O cenário ideal para Seattle seria um Patriots sem jogo corrido que dê resultado e uma cobertura que force Brady a mandar passes longos. Para isso, precisam vencer nas trincheiras e parar o Blount, que é um trator. Running Back ágil e forte. Ele tem 7 jogos nessa temporada pelo Patriots, onde correu para 430 jardas e 6 TDs.

  • Russell Wilson

Os seis tópicos anteriores retrataram tudo o que deve rolar no jogo. Esse item 7 chama sua atenção para um cara que pode jogar mau e, de uma hora para outra, decidir o jogo. Sabe por que? Porque ele tem uma das melhores defesas da história jogando no seu time, uma defesa que manteve o Seattle no jogo mesmo após CINCO turnovers contra o Packers. Por mais novo que seja ainda, Wilson já passou por todo tipo de situação em um jogo de football, já venceu Super Bowl e é extremamente capaz de apagar uma ou várias jogadas ruins que tenha feito para começar de novo e acertar. Vai precisar muito do Marshawn Lynch, em alguns momentos deve ameaçar correndo também e precisa ser paciente já que enfrenta um excelente time e não pode cometer tantos erros como na final da NFC. Patriots e Belichick não perdoam erros.

São 3475 jardas aéreas e 20 TDs esse ano para o QB. Ele é, claro, uma ameaça também por terra e conta com 849 jardas corridas e 6 TDs.

  • Tom Brady

Tom Brady é velho conhecido de todo fã de futebol americano. O veterano tenta conquistar seu quarto Super Bowl e, com ele, se igualar ao maior QB de todos os tempos em números de títulos do grande jogo conquistados. Joe Montana venceu quatro SBs com o 49ers.

Brady conta com um grande elenco à sua disposição, tanto no ataque quanto na defesa. Talvez seja o melhor time do New England Patriots desde 2007. Para Brady, será essencial manter seu estilo de jogo e fazer com que a defesa do Seahawks se ajuste a ele, pois caso contrário, se o Seattle forçar o QB a arriscar passes mais longos e mais frequentes que o usual,  poderão complicar sua vida.

Assim como Wilson, precisa saber a hora certa de não arriscar e aceitar sair do campo sem pontos. Deverá ser um jogo de poucos pontos e qualquer erro ou precipitação poderá decidir a sorte dos dois lados. Brady precisará da ajuda do seu velho companheiro Rob Gronkowski e esse irá duelar contra alguns dos melhores marcadores da NFL, como falaremos no próximo tópico. O jogo que Brady fez contra o Ravens não vence esse adversário (50 passes no jogo é pedir para perder aqui), bem como o jogo que o Patriots fez contra o Colts não encaixaria contra esse time do Seahawks – Blount não vai correr para mais de 140 jardas. Será um jogo mais duro e mais estratégico para esse ataque que qualquer outro que tenham feito nessa temporada.

São 4109 jardas e 33 TDs para Tom Brady em 2014/2015.

  • Kam Chancellor e Rob Gronkowski

Aqui teremos um duelo épico, em vários momentos do jogo. Quando Gronkowski estiver alinhado por dentro, mais próximo da linha ofensiva, deve receber cobertura de um linebacker, provavelmente o Wagner e ser dobrado pelo Chancellor (cobertura dupla), em especial nas rotas mais longas. Na final da NFC, Kam Chancellor cobriu os Tight Ends do Packers mesmo quando se posicionaram nas pontas, como verdadeiros recebedores. Na cobertura por zona, certamente teremos ou Sherman ou Maxwell ligados no Gronk.

O TE vai precisar aparecer mais que no último jogo contra o Colts, quando em boa parte do jogo ficou sumido. Será, por óbvio, peça importante demais para New England e Brady, especialmente quando esse estiver em situações sufocantes e sob pressão.

  • Meu Palpite

Uma parte dos leitores vão olhar só para esse último ponto. É seu direito, mas aconselho ler os outros nove para ter uma ideia completa do que deve acontecer no jogo. Foi um trabalho de pesquisa para trazer para vocês todos os duelos possíveis entre os jogadores desses dois timaços. Esse ponto 10 é o menos importante e o mais imprevisível. Isso posto, chutaria aqui 21 x 16 para New England.

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