segunda-feira, 15 de julho de 2019

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A franchise-tag é uma artimanha das equipes que é igualmente poderosa ao mesmo tempo que polêmica. Ela garante aos times um contrato de uma temporada para um jogador importante que chega ao fim do antigo vínculo pagando a média dos cinco maiores salários da sua posição entre todos os outros atletas ou 120% do valor anual de seu último contrato, aquilo que for maior.

Desavenças entre o sindicato dos jogadores, a NFLPA e a Liga em si nos últimos anos transformaram a franchise-tag em um item a ser odiado pelos atletas, já que praticamente os “obriga” a assinar um contrato de apenas uma temporada enquanto havia a expectativa de capitalizar ó ótimo desempenho nas últimas temporadas com uma gigantesca extensão contratual com milhões de dólares garantidos por mais de meia década. A eminente expectativa de lesões que mudam carreiras a cada snap é o grande medo por aqui, em que jogadores ficam inseguros sobre a vida pós-carreira na NFL e mesmo a saúde física para realizarem o sonho que é atuar nesta gigantesca liga.

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Fato é que os jogadores já não se sentem confortáveis para atuar sob esta opção e finalmente sair sem nenhuma compensação à antiga equipe na próxima temporada como vimos em anos anteriores. Greves e mais greves como a do RB Le’Veon Bell em 2018 ficaram cada vez mais comuns frente à isto, o que não evitou algumas equipes de se valerem deste direito presente no acordo de barganha coletiva assinado em 2011 (e expira em 2020). Vale o parênteses que alguns especialistas dão como certa a extirpação desta artimanha no próximo acordo a ser assinado (que já está em negociação), mas enquanto isto não acontece, alguns atletas tem no dia 15 de Julho como uma data crucial para as negociações.

O DT Grady Jarrett (Atlanta Falcons) e o LB Jadaveon Clowney (Houston Texans) são dois dos principais defensores da NFL. O primeiro foi recrutado apenas na 5ª rodada do Draft de 2014 (137ª posição geral) e teve um caminho duro até se estabelecer como como um dos ótimos atletas de linha defensiva de toda a NFL. Por ter sido recrutado tão tardiamente no Draft, ele assinou um contrato de quatro temporadas que lhe rendeu pouco mais de U$ 2.5 milhões, uma verdadeira barganha por seu ótimo desempenho nos últimos anos. Já o segundo foi muito mais badalado: após uma carreira meteórica na universidade de South Carolina, Clowney foi o primeiro atleta recrutado naquele mesmo Draft ao reunir força física e uma tremenda velocidade descomunal e extremamente incomum para alguém do seu tamanho. Clowney assinou pelas mesmas quatro temporadas, mas com os vencimentos acima dos U$ 22 milhões totalmente garantidos e diluídos ao longo dos últimos quatro anos.

A dupla que ficara sem contrato ao fim da última temporada rapidamente teve o direito da franchise-tag exercido pelas respectivas equipes, como forma de negociar um contrato de longo prazo.

15 de Julho marca o último dia em que os times podem negociar um novo contrato com jogadores nesta situação, e a expectativa não é muito boa para a dupla. O K Robbie Gould do San Francisco 49ers era outro jogador nesta situação, mas que conseguiu a sonhada renovação contratual por várias temporadas na manhã desta segunda-feira, bem no limite da possibilidade de negociação e agora ao que tudo indica ficará em SanFran por várias e várias temporadas após um bom desempenho no último ano, relegando a dupla ao fato de serem os últimos jogadores nesta situação.

Dois pass-rushers talentosos também receberam a franchise-tag lá em Março, o DE DeMarcus Lawrence (Dallas Cowboys) e o DE Frank Clark (então no Seattle Seahawks). Enquanto Lawrence garantiu sua monstruosa extensão contratual com a própria franquia texana, Clark encontrou no Kansas City Chiefs a possibilidade de renovação contratual e fora trocado pelo Seahawks por escolhas de Draft – incluindo uma de primeira rodada da edição deste ano do recrutamento anual universitário.

Arthur Blank, o bilionário dono do Falcons, declarou alguns meses atrás que o principal objetivo da equipe nesta intertemporada era fazer de Jarrett um “Falcon para toda a vida” e agora, após meses de negociação, restam apenas algumas horas para cumprir tal promessa e recuperar um dos pilares da defesa de Atlanta, dizimada por lesões durante a última campanha que impediram o time de ser competitivo dentro da NFC.

A situação de Clowney é bem mais complicada: o Texans demitiu seu antigo GM há algumas semanas e simplesmente optou por não contratar um executivo para o mais alto cargo administrativo da franquia; em vez disto, uma espécie de conselho com vários outros executivos é que de fato tomará as decisões importantes acerca da montagem do elenco – o que foi altamente criticado por especialistas no setor. Fato é que, relegar uma importante renovação de contrato a um conselho com várias pessoas com pouquíssimo tempo hábil para tal não foi uma decisão muito inteligente dos proprietários da franquia, que ao que tudo indica parece caminhar ao fato de Clowney jogará a temporada de 2019 sob a franchise-tag e depois será um free agent irrestrito, podendo assinar com qualquer franquia sem render praticamente nada ao Texans – somente alguma escolha compensatória de Draft no ano posterior à isso, valor irrisório tanto pelo desempenho do jogador nos últimos anos como pelo potencial de desenvolvimento de um atleta relativamente jovem (apenas 26 anos).

Salvo grande reviravolta nos próximos momentos, a dupla caminha para esta situação incômoda. Resta sabermos se eles arriscarão seus corpos por um contrato totalmente garantido, mas válido por apenas um ano, ou se partirão para os meios mais ríspidos como o RB Le’Veon Bell, que simplesmente não se apresentou ao Pittsburgh Steelers na última temporada estando praticamente na mesma situação que a dupla. O RB, agora no New York Jets, venceu esta “queda de braço” contra a franquia que nada pode fazer frente a um jogador claramente descontente mas que por outro lado havia deixado claro que não atuaria sob a franchise-tag, algo que o Steelers insistiu para que acontecesse e o resultado foi péssimo para a franquia da Pensilvânia.

Vamos aguardar o desfecho desta segunda-feira em que já podemos exalar a pré-temporada da NFL chegando afinal, setembro sempre chega.


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