quinta-feira, 22 de outubro de 2015

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32 por 32 - L32

A coluna 32 por 32 faz “observações gerais” sobre a semana que passou, em seguida aborda a parte tática do jogo em “olho tático”, “vem por aí” é uma prévia do que esperar na próxima rodada, enquanto “perguntas que ficam” é a área para responder as principais dúvidas geradas após os jogos e “no huddle” traz curiosidades e números bem interessantes da semana. Anotem na agenda e leiam toda quinta a 32 por 32! Qualquer opinião, crítica ou sugestão, a caixa de comentários está disponível sempre.

observações gerais

O Seahawks não é o mesmo?

Bastaram 6 jogos da temporada 2015 para que começassem os questionamentos sobre um dos times mais bem sucedidos da NFL nos últimos anos, mas a dúvida sobre a capacidade da franquia de Seattle faz total sentido quando nos deparamos com um recorde 2-4. Esse número assusta ainda mais se lembrarmos que essas duas vitórias vieram diante do Lions – jogo que houve erro de arbitragem – e Bears (que teve Jimmy Clausen como QB!). É tudo culpa da linha ofensiva? Obviamente que não. A equipe precisa superar esse obstáculo e, embora seja um dos fatores de limitação, não explica o todo.

O Seahawks perdeu dois jogos em que forçou dois turnovers e não sofreu nenhum desde que Pete Carroll chegou ao time. Esse era um verdadeiro atestado de força, porém não é o que acontece mais. Só nessa temporada já são mais dois jogos que saem derrotados de campo mesmo forçando dois ou mais turnovers e cuidando perfeitamente da bola no ataque. Por que? Coloca na conta do ataque e mais ainda na linha ofensiva que é o calcanhar de aquiles do setor: Não estão capitalizando os turnovers forçados. De nada adianta roubar a bola se na campanha seguinte não conseguem punir o adversário anotando pontos.

Ainda falando do setor ofensivo, Seattle sempre teve problemas na Red Zone e até por isso investiu no Jimmy Graham, mas nada melhorou nesse aspecto. Em apenas 28.6% das posses nas últimas 20 jardas do campo um TD foi anotado e essa é a pior marca da NFL, o que mostra uma dificuldade imensa em trabalhar no campo reduzido quando Russell Wilson precisa conectar rapidamente com seus recebedores lançando de dentro de um pocket que quase nunca está limpo.

A tão bajulada defesa cedeu pelo menos 27 pontos em 4 dos 6 jogos da temporada e o que mais choca é o fato de que foram apenas 64 pontos sofridos do 1º ao 3º quarto somando todas as partidas, resultando no sexto melhor desempenho na NFL excluindo o último período. Justamente o derradeiro quarto tem sido o motivo de tormento na vida do torcedor do Seahawks e aqui entra o maior defeito do sistema defensivo: Não conseguir assegurar as vitórias. Foram 55 pontos no 4º período somente na atual temporada e, para efeito de comparação, durante todo o ano de 2014 foram 67 sofridos e, em 2013, 60 pontos. Nem chegamos na metade dos jogos disputados ainda! Dan Quinn, ex-coordenador defensivo do Seattle e atual técnico do Falcons, deixou saudades e faz falta em diversos momentos como quando ocorrem falhas de comunicação, coisa que raramente acontecia sob a tutela do treinador. Basta ver o TD da vitória do Panthers onde Olsen correu livre de marcação e tanto Sherman quanto Thomas jogaram em diferentes esquemas no mesmo lance (análise tática mais abaixo em “Olho Tático”).

Nem tudo está perdido. Olhando por um outro ângulo, o Seattle Seahawks chegou vencendo todos os jogos no último quarto e é lá que está o problema. A equipe precisa melhorar o desempenho na finalização do jogo e se consegue ir muito bem em 3 dos 4 quartos, é claro que tem talento. Jimmy Graham está aparecendo mais e conseguiu uma recepção de 45 jardas em uma terceira descida espetacular no domingo, o que indica que o próximo passo é evoluir a sintonia com ele na Red Zone.

A franquia foi derrotada para Rams (fora), Packers (fora), Bengals (fora) e Panthers (casa). São três de quatro times invictos da NFL e o Rams que sempre dá trabalho jogando nos seus domínios. Digamos que nenhuma delas foi algo vergonhoso.

O que o futuro nos reserva? Não sei. Minha parte de analisar o time já fiz acima, mas prever o futuro não consigo. O que podemos fazer é olhar a tabela de jogos e ter uma noção do que pode rolar.

49ers (fora), Cardinals (casa e fora), Steelers (casa), Rams (casa) e Vikings (fora) são os jogos mais complicados até o fim da temporada regular e, imaginando o Cardinals como líder da divisão até o fim, Seattle precisaria vencer pelo menos três deles, além dos duelos mais fáceis. Esse é o desenho para um time que hoje tem 4 derrotas e duas vitórias, no que seria uma disputa pela última vaga de Wild Card com Vikings, Cowboys ou Giants (levando em conta que Falcons ou Panthers levam a primeira). Esse último parágrafo é meramente especulativo, óbvio.

Peyton Manning em declínio técnico

É verdade. E não, não é tão surpreendente assim. Estamos falando de uma lenda que sofreu cirurgias seríssimas, inclusive no pescoço – que o deixou sem sentir a ponta dos dedos-, e que já tem 39 anos. Infelizmente, nem os grandes duram para sempre e a realidade da temporada indica um duro fato: O Denver Broncos está invicto na temporada, apesar de ter Manning como QB. É forte, eu sei.

Justamente pela posição de QB hoje eu não acredito na força do Broncos nos playoffs no frio de janeiro, jogando em estádio aberto. O vídeo não mente e Manning perdeu muita força no braço, são inúmeros lançamentos que ele sempre costumou acertar e que simplesmente a bola não vai como ele pensa, foram muitas interceptações e a maioria delas em passes que são muito mais erros de mecânica, força e colocação do que uma leitura errada. O físico não tem acompanhado a parte mental – Peyton lê muito bem a defesa, escolhe o que fazer, mas o braço não corresponde. O ataque do time marcou apenas 54 pontos até então e a defesa/times especiais foram os responsáveis por 85, é muito difícil que isso se mantenha e que o ataque seja carregado até um Super Bowl, por exemplo.

Manning vem escapando de críticas mais pesadas porque o time está vencendo, mas os números dele são muito próximos das estatísticas de Brett Favre em seu último ano na NFL (quando foi duramente criticado). Levando em conta as 6 primeiras semanas:

Peyton Manning – 61% dos passes completos, 7 TDs e 10 INTs

Brett Favre – 58% dos passes completos, 7 TDs e 10 INTs

Não é nada provável que os números de Manning melhorem daqui para frente, pois QBs em fim de carreira quanto mais partidas jogam mais sentem o desgaste. Peyton precisa do melhor jogo corrido possível e que a defesa siga pontuando e colaborando para vencer jogos, infelizmente para o fã da NFL não devemos ver mais ele carregando um time nas costas como fez por muitas e muitas vezes.

Panthers veio para ficar

Sempre falei aqui que era bom aguardar até o Panthers enfrentar um adversário mais forte. Agora que venceu o Seahawks em Seattle podemos afirmar com segurança: Carolina veio para ficar e deve ir forte aos playoffs. Dá para notar uma evolução no jogo de Cam Newton que definitivamente se colocou nas conversas sobre o MVP da temporada. Ele tem sido efetivo mesmo sem alvos de qualidade após a perda do melhor WR do time, Kelvin Benjamin, e tendo que lidar com uma linha ofensiva que apresenta fraquezas nas pontas – Right e Left Tackles.

É um time que conta com uma ótima defesa liderada por Luke Kuechly e um CB disposto a ser mais um grande nome da franquia, Josh Norman. Aliás, Russell Wilson lançou apenas uma bola na direção dele que é um dos melhores corners da NFL nessa temporada. No ataque, Newton, Olsen e Stewart é o trio responsável por dar consistência a um setor raquítico de bons recebedores, já que Jerricho Cotchery, Ed Dickson, Ted Ginn Jr., Philly Brown e Devin Funchess não é lá um grupo de alto nível. Newton fez e continua fazendo o nome de Ted Ginn, enquanto Funchess, rookie de bom porte físico, ainda não mostrou a que veio e sofreu três drops ridículos no domingo, aparecendo somente no fim do jogo com alguma contribuição.

Números de Cam Newton:

Primeiros 52 minutos de jogo contra o Seahawks – 9 de 23 passes completos, 112 jardas, duas INTs e 14 pontos.

Últimos 8 minutos – 11 de 13 passes completos, 157 jardas, 1 TD e 13 pontos.

O ponto chave para o Panthers daqui para frente é o nível de jogo de seus recebedores. Isso vai determinar até onde esse time pode chegar.

Brandon Marshall ainda é o cara

Ele é o primeiro jogador do Jets com 4 jogos seguidos de 100 jardas recebidas desde Don Maynard em 1968. Para quem dava Marshall como aposentado ou questionava como ele iria render em um time com problemas na posição de quarterback, essa é uma grande surpresa. Só para se ter uma idéia, QB mediano ou ruim não impede diretamente um bom rendimento de um grande WR em vários casos, isso porque esse recebedor será o alvo preferido na maioria das jogadas. Observe o desempenho de DeAndre Hopkins no Texans, onde não se sabe nem quem é o QB titular. Caso houvesse um cara dono da posição e de qualidade, certamente ele teria bons números também, mas com absoluta certeza não seria tão procurado pelo QB e não receberia portanto essa quantidade de passes em sua direção, pois é notório que grandes quarterbacks distribuem melhor o jogo.

Marshall é o cara de confiança, corre muito bem suas rotas e tem porte físico para romper secundárias e ganhar jardas após a recepção. Ele e Chris Ivory são os dois maiores motivos de o Jets hoje ser um time que tem condições de brigar por uma vaga no Wild Card e chegar aos playoffs, caso contrário certamente seria um ataque muito problemático.

olho tático

No “Olho Tático” dessa quinta, trago duas jogadas da mesma partida que, por sinal, foi a melhor da rodada. São duas jogadas do Panthers, uma muito bem armada e pensada e a outra que se beneficiou muito de uma falha crucial na cobertura do Seahawks, onde Richard Sherman estava em Cover-2 e Earl Thomas em Cover-3. Entenda abaixo.

seattle1

As duas jogadas que separei para analisar taticamente hoje envolvem um dos melhores Tight Ends da NFL no momento: Greg Olsen. Mas aqui não é ele o foco, e sim a falha da defesa do Seahawks. Richard Sherman (amarelo) está em uma cobertura Cover-2 (que foi a chamada do coordenador defensivo), onde ele é responsável pelo lado esquerdo e apenas pelas 10/15 jardas após a linha de scrimmage. Nesse tipo de cobertura, os dois safeties devem cobrir cada um a metade do campo em profundidade, daí o nome Cover-2. Como Sherman estava jogando nesse esquema, acreditou que se algum jogador do Panthers passasse em uma rota longa para o fundo do campo pelo lado esquerdo, seria marcado pelo Earl Thomas (azul).

seattle2

Mas não foi o que aconteceu. Earl Thomas foi vítima de uma falha de comunicação e estava em uma cobertura diferente daquela que foi pedida para essa jogada – o safety se posicionou conforme uma Cover-3. E como funcionaria? Nesse esquema de cobertura, o Strong Safety fica no box (em dúvida sobre nomenclaturas consulte nosso dicionário no menu do site), o Free Safety (azul) toma conta do meio do campo e cada CB das pontas se responsabilizam pelo seu lado até o fundo do campo, é como se dividissem o campo em 3 faixas – meio, lado esquerdo e lado direito – e cada um acompanha o recebedor que cair por lá até a end zone se for necessário. Como Earl Thomas (azul) estava em Cover-3, acreditou que teria que cobrir a parte central e que Sherman (amarelo) era quem acompanharia Greg Olsen (vermelho) por estar correndo no lado esquerdo da defesa. Uma verdadeira lambança. Caso fosse uma Cover-3, Olsen seria do Sherman nessa jogada, mas a chamada foi Cover-2, então do meio até o lado esquerdo em profundidade é área do Safety posicionado por lá, no caso o Thomas que falhou na jogada.

panthers1

Nessa outra jogada da mesma partida, temos o Panthers em 12 personnel (um RB e dois TEs) com quatro homens no backfield (amarelo). O recebedor na ponta direita corre uma rota In (vermelho) para trazer Richard Sherman – que está marcando ele – para dentro do campo.

panthers2

Com a rota In do recebedor aberto na ponta direita (vermelho), ele leva a marcação do Sherman para dentro do campo, atrai a atenção do Safety (linha azul) e abre espaço na extrema direita para o TE Greg Olsen (verde) correr uma wheel route (preta) sendo marcado pelo LB Kevin Pierre-Louis – que substituiu Bobby Wagner -, um duelo favorável ao Tight End. Outro detalhe é que dos três homens no backfield além de Cam Newton, dois ficaram ajudando nos bloqueios (amarelo).

panthers3

E aí é só concluir a inteligente jogada, quando o recebedor corre mais um pouco, seu QB lança a bola. O Panthers foi criativo para deixar a ponta direita do campo completamente livre para Olsen e ainda, ao posicioná-lo no backfield, marcado por um LB reserva, o que lhe deu clara vantagem. O TE só foi derrubado na linha de 1 jarda e, após mais uma jogada, TD Panthers.

vem por aí

– Teremos mais uma reedição de Super Bowl através de Seahawks vs 49ers e com o Seattle errando muito especialmente no último quarto e jogando fora de casa, é a melhor chance que o San Francisco terá contra esse time em algum tempo.

– Em Saints e Colts teremos o primeiro duelo entre Luck e Brees. Deverá ser interessante e a bola vai voar bastante pelas mãos dos dois.

– A AFC Leste traz um dos jogos mais interessantes da rodada: Jets vs Patriots. Sei que em NY deve ser mais equilibrado no papel, mas o Jets fez jogo duro contra o New England mesmo ano passado quando tinha um time bem pior.

– O New York Giants terá mais uma chance de ganhar vantagem na liderança da divisão diante de um desfalcado Cowboys, mas depois de ressucitar o Eagles não dá para imaginar jogo fácil. Eli vai ser muito pressionado pelo front seven do Dallas.

– Mais uma vez o horário nobre não promete muito. Eagles e Panthers é jogo de favorito claro e Ravens vs Cardinals da mesma forma. Arizona vacilou diante de um Steelers apático no ataque e não pode se dar ao luxo de perder de novo. Precisa aproveitar a má fase do Seahawks e a do adversário da partida de segunda também.

perguntas que ficam

Tiago, me explica o que Chuck Pagano tentou fazer naquela jogada vergonhosa contra o Patriots.

Tentou forçar uma falta por parte do Patriots. Ou offside ou 12 homens em campo caso tentassem substituir. A ideia da jogada não foi vergonhosa, mas sim a execução dela por não ter sido muito bem treinada. O punter do Colts, McAfee, disse que Whalen não era o cara responsável por (não) fazer o snap e que não participou dos treinos desse lance, quem seria designado para estar ali e sabia o que fazer era Clayton Geathers que saiu do jogo lesionado.

 Você espera uma evolução do Dolphins com a troca de técnico?

Gostei da atitude dele, mas que fique claro que a temporada do Miami acabou. Dito isso, só o fato de ele ter se comprometido mais com o jogo corrido e com Lamar Miller – algo que Philbin nunca fez – já representa um avanço. Ademais, a defesa jogou de forma mais física e achei também interessante, mas vamos ver contra adversários mais fortes. Dolphins tinha talento para fazer muito mais e quando a equipe tem material humano de qualidade, é hora de cobrar o técnico, então também concordei com a demissão.

no huddle

Curiosidades e números legais da rodada é aqui: No Huddle!

– WR DeAndre Hopkins é o primeiro na história da NFL com pelo menos 9 recepções e 145 jardas em 3 jogos seguidos.

– Philip Rivers foi apenas o segundo QB a anotar menos de 26 pontos mesmo lançando para mais de 500 jardas. Drew Brees é o outro.

– Passamos da semana 6 e Broncos, Patriots e Steelers já perderam seu Left Tackle por toda a temporada.

– Dorial Green-Beckham participou de apenas 15,3% dos snaps na semana 1. Na semana 5 foram 26,1% e na 6, 42%. A coluna 32 por 32 também é “Dicas de Fantasy”.

– Chris Ivory é o terceiro RB da NFL em jardas nessa temporada mesmo com dois jogos a menos (bye week e outro jogo perdido). Média de mais de 130 por jogo e 5.54 jardas por carregada. Wow!

– Domingo foi o primeiro dia na NFL em que tanto Peyton Manning quanto Tom Brady lançaram pick-sixes (consulte o dicionário no menu).

– O Patriots está 5-0 pela primeira vez desde…2007. Naquele ano o time terminou 16-0 e seguiu invicto até perder o SB para o Giants.

– Jets é o único time na temporada a não sofrer nenhum ponto no terceiro quarto.

– Ryan Tannehill acertou todos os passes que lançou para o lado esquerdo no domingo (12/12 completos).

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