sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

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A procura do New York Jets por um novo head coach chegou ao fim com o time contratando Adam Gase para o posto. A franquia optou por Gase após entrevistar outros oito candidatos, incluindo o ex-técnico do Packers Mike McCarthy, o técnico de Baylor Matt Rhule e o coordenador ofensivo do Buccaneers Todd Monken. A cidade de New York (ao contrário do restante da AFC Leste) não recebeu a notícia da contratação do antigo técnico do Dolphins muito bem, com críticas chovendo no Twitter. E nem são apenas pelo rival de divisão tê-lo demitido mês passado. Essa desconfiança sobre a contratação tem justificativas e isso é um problema.

Primeiramente, está cada vez mais aparente essa constante busca das franquias por um novo Sean McVay, um técnico jovem, de mente ofensiva e que possa potencializar o jogo do quarterback, como vimos no Cardinals ao contratar Kliff Kingsbury e no Packers ao chamar Matt LaFleur. Aparentemente a esperança é de encontrar em Gase este perfil para virar a mesa no próprio Jets e dentro da divisão. Mas ao que parece esse caso é um tiro na água.

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Vamos pegar como exemplo os últimos anos de Gase na NFL. Em 2015, com o cargo de coordenador ofensivo do Chicago Bears, liderou um ataque que ficou em 21º em jardas e 23º em pontos na temporada. Em 2016 assumiu o Dolphins como head coach, tendo sua melhor campanha com a franquia e alcançando a pós-temporada. O ataque teve o melhor desempenho dentre seus três anos lá, mas engana-se quem acha que isso é algo bom: foi o 24º em jardas e o 17º em pontos. Em 2017 piorou: 25º em jardas e 28º em pontos. E em 2018? Pior ainda, ficando na vice-lanterna em jardas e em 26º em pontos.

Outro ponto que pesou para a contratação de Gase foi a possibilidade de tê-lo como um guru para o jovem Sam Darnold. Experiência com quarterbacks não podemos negar que ele tem. Foi técnico de QBs do Lions em 2007, do Broncos em 2011 (trabalhando com Tim Tebow) e 2012 (treinando Peyton Manning). Além disso, foi coordenador ofensivo de Manning em 2013 e 2014, anos mágicos do quarterback no Broncos, liderando um dos ataques mais prolíferos já vistos. Porém, obviamente que com Manning no time e com todo o talento presente naquele ataque o trabalho fica mais fácil.

Mas será que isso é o suficiente para comprar a credencial de mentor para Darnold? Seu trabalho com Ryan Tannehill não foi bom para dizer o mínimo. Pode-se argumentar que muita dessa falta de sucesso se deve à saúde do quarterback do Dolphins, que perdeu 27 jogos nas últimas duas temporadas. Porém mesmo quando saudável Tannehill nunca progrediu o esperado, tendo inclusive desempenhos semelhantes em 2016 (seu melhor ano sob Gase) e nos 2 anos anteriores, antes da chegada do técnico. A única explicação é que o front office do Jets acredita que a culpa neste quesito foi mais do quarterback do Dolphins que de Gase e que com Darnold será diferente.

Cabe citar também que algumas red flags (pontos de atenção nada positivos) acompanham o técnico. Em Miami, Gase não conseguiu criar um relacionamento bom com o wide receiver Jarvis Landry. E lembre-se também que sob sua tutela foram mandados embora Jay Ajayi, Ndamukong Suh e Jordan Phillips. Além disso, sua relação com Stephen Ross (chefão da franquia) se deteriorou à ponto de ficar insustentável, sendo este um dos principais motivos da demissão.

OK. Digamos que Gase nos prove errados e seja a mente ofensiva que muitos afirmam, conseguindo fazer Darnold evoluir do jeito que ele merece e encaixando bem o ataque do Jets. Isso é o suficiente para que ele seja um técnico de sucesso? Não.

Mesmo que isso ajude, ele não terá somente o ataque como sua responsabilidade. Um head coach deve lidar com o time todo, seja ataque, defesa ou especialistas, além de manter uma relação boa com os dirigentes. Para ter uma chance de sucesso e fazer um trabalho melhor do que fez em Miami, Gase deve melhorar muito sua liderança e a habilidade de lidar com pessoas e, como não teve nenhum tempinho desempregado, essa melhora deve acontecer para ontem.


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