quarta-feira, 17 de abril de 2019

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O Draft de 2019 se aproxima e a essa altura todos os analistas já se debruçaram e destrincharam todos os aspectos sobre os prospectos que chegam para a NFL. Reconhecidamente por todos, temos talento em abundância na linha defensiva, sendo uma das melhores classes dessas posições nos últimos anos, tanto na parte exterior, com os EDGE Rushers, como principalmente no interior, com Defensive tackles espetaculares. São constantemente destacadas ainda as classes de tight end, ofensive line e a profundidade de opções entre os wide receivers, mas pouco se fala sobre uma posição que apresenta mais talento e opções do que o que vêm sendo comumente reportado: Os Safeties.

Cumpre incialmente destacar que o momento é de uma retomada de relevância e importância para a posição, no que atine a sua colocação no mercado e a valorização de contratos. Após dois anos com negociações e acordos fechados de valores baixos, onde inclusive alguns bons e experientes jogadores ficaram sem time a maior parte das temporadas, o mercado de safeties da NFL reaqueceu e tivemos vários grandes contratos realizados, com a chegada de nomes de peso na free agency, como Earl Thomas, Landon Collins, Adrian Amos, Tyrann Mathieu, entre outros. Tal fato reacende o brilho da posição e abre espaço para a chegada de uma classe que tem tudo para colocar alguns de seus nomes como expoentes da função em pouco tempo na NFL.

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Embora carente de um nome de grande impacto que esteja cotado para sair dentro do Top 10 ou Top 15, como aconteceu nos últimos dois Drafts, a classe de safeties de 2019 tem uma certa profundidade e muita versatilidade, principalmente pensando em nomes para os 3 primeiros rounds. Seu principal jogador, na minha avaliação e na de muitos analistas, Nasir Adderley até tem o talento e potencial necessário para ser avaliado como uma escolha para a primeira metade do 1º Round, mas o fato de jogar na pequena Delaware, da FCS (equivalente ou similar a uma 2ª divisão do College) levanta uma série de questionamentos sobre a competitividade enfrentada e chamou bem menos atenção ao longo do processo.

Mas é um Jogador impressionante, com um tape absurdamente revelador de um prospecto completo para a posição. Ótimo na cobertura, também vai muito bem e é efetivo no box, assim como cobrindo o slot de corner, embora pouco testado e provado nessa posição, sendo um dos poucos pontos a serem ainda mais observados. Possui ótimo “ball skills”, tendo várias e lindas interceptações ao longo da carreira, mostra sempre ótimas leituras de jogadas e uma incrível compreensão do jogo e do ataque adversário. Talvez o principal aspecto a ser valorizado é a capacidade, tanto mental quanto física, para ficar e ter a responsabilidade de single/high, no fundo do campo.

Em sequência, ainda na conversa para sair possivelmente no final da primeira rodada, aparecem Chauncey Gardner-Johnson de Florida e Juan Thornhill de Virginia. O primeiro é um verdadeiro canivete suíço, extremamente versátil e competente em tudo que faz, retratando bem o papel que um safety moderno deve executar na NFL. Consegue ir muito bem na cobertura e mesmo não sendo o ideal, pode ocasionalmente ser o safety profundo em algumas jogadas, tendo a velocidade e entendimento necessários. É bastante sólido no box, se aproximando da linha de scrimmage, e até fazendo blitz para cima do QB, assim como ajudando a parar o jogo terrestre.

Já o segundo, moveu as atenções para si ao ter uma performance espetacular no combine, bem acima das expectativas. É um Jogador que se destaca pela Inteligência e poder de reconhecimento de jogadas e esquemas, sobretudo. Jogou os primeiros anos da carreira como Cornerback e foi deslocado para safety, quando muitos alegavam uma falta de atributos físicos e dificuldade de espelhar rotas para jogar como outsider corner. Em 2018, já atuando como safety, obteve ótimos números e esteve espalhado por todo o campo, jogando como SS, slot corner e muitas vezes até como ILB no box, fator que lhe dá vantagem de conhecimento e traz uma importante versatilidade para o jogo. Tem o potencial, habilidade e inteligência para jogar também no single-high, no entanto, demandará um tempo de adaptação e compreensão da função.

 

Juan Thornhill

Por trás deles, difícil estabelecer ou prever uma ordem para os demais jogadores, mas são vários que serão draftados a partir da segunda e até o início da quarta rodada que podem vir a produzir logo de início e virarem jogadores extremamente sólidos com o passar do tempo, desde que no ambiente e ajuste correto. Pensando mais como Strong Safeties e jogadores para atuar primeiramente no box, temos Taylor Rapp de Washington e Johnathan Abram de Mississippi State, ambos extremamente agressivos, adoram o contato e amam bater forte, com tackles e jogadas explosivas.

Deionte Thompson é um caso curioso, o produto de Alabama, antes do início da temporada 2018 do College era disparado tratado como o melhor jogador da classe, mas foi perdendo demais o valor, baixando seu stock e hoje é difícil até mesmo de imaginar onde pode vir a sair. Ao passo que é capaz de realizar incríveis jogadas, como turnovers e muita explosão física, também comete erros bizarros de processamento mental, leituras e compreensão do jogo, imagem que foi fortificada pelo fraco desempenho nos Playoffs do College Football. Ainda assim, é um jogador que, se bem trabalhado pode vir a dar um grande retorno, por reunir todas as características físicas necessárias para atuar por qualquer parte do campo, executando múltiplas funções.

Amani Hooker e Marquise Blair são outros dois jogadores que fizeram um ótimo combine, fazendo subir ainda mais seus valores. O primeiro tem como uma de suas grandes virtudes o QI de futebol, com uma ótima capacidade de ler e brincar com os olhos dos QBs durante as jogadas, reconhecendo muito bem rotas e conseguindo fazer ajustes de maneira muito rápida, com ótimo processamento mental. Falta aquele “splash” para conseguir produzir mais turnovers, mas é uma ótima opção tanto no box, quanto alinhando como nickelback. Já Blair é um cara que joga muito duro, bate forte e por vezes é até desleal em seu estilo de jogo, cometendo faltas desnecessárias, mas não dá para negar que essa agressividade e fisicalidade em seu jogo fazem os olhos brilhar de quem ver o seu tape. Se dosado, com serenidade e na medida certa, pode ser um grande diferencial para o jogador. Muito utilizado no box, impressiona a velocidade com que chega na linha de scrimmage. Tem bons extintos, habilidade e velocidade para ficar também de free safety, seu tamanho e composição corporal ajudam para tanto, mas não mostrou muito “ball skils”.

Por fim, mas não menos importante, vale destacar Darnnel Savage, jogador de Maryland, extremamente explosivo, que era um Cornerback e foi convertido para jogar de safety. Consegue se fazer presente e ser efetivo por todo o campo. Tem uma ótima visão e processamento mental, identificando rapidamente as jogadas, atacando bem e de maneira agressiva o backfield ou quebrando as rotas no meio de sua execução para conseguir a jogada. Tem um excelente ball skills, estando sempre perto e conquistando/recuperando a bola no ar, atingindo bons ângulos e se colocando em excelente condição para, no mínimo, desviar passes. Há de se ressaltar ainda que com a bola na mão é um perigo retornando. Cresceu demais ao longo do processo do Draft, ao ponto de não poder mais ser considerado um sleeper e talvez ter seu nome chamado bem antes do que todos estejam esperando.

Darnnel Savage Jr.

Ante todos os nomes falados, com o potencial e características demonstradas, não se surpreenda se em alguns anos ouvirmos falar que essa classe de safeties se provou como uma das melhores dos últimos tempos, ainda que ninguém pudesse imaginar ou vislumbrar muito disso nela.

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