quinta-feira, 26 de março de 2020

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Morte, impostos, New England Patriots chegando pelo menos na final da conferência americana. Existem poucas coisas na vida, mas a eficiência e consistência dos comandados de Bill Belichick era uma delas. Afinal, o time estabeleceu a dinastia mais duradoura da história da NFL. São 11 (onze!) títulos seguidos na AFC Leste, eram oito aparições seguidas na final da AFC, até que o Tennessee Titans finalmente interrompeu a série. Durante anos, Belichick transformava em astros jogadores defensivos que eram não mais que ordinários em outros times, além de explorar como ninguém o sistema de escolhas compensatórias. Tom Brady emendava boas temporadas mesmo depois dos 40, e sua incrível longevidade fazia parecer que a dinastia patriota seria eterna.

Mas de repente, não mais que de repente, o infalível New England Patriots parece um time… mortal. O maior motivo disso, claro, é a saída de Brady. E não apenas pela sua qualidade técnica, liderança e significado transcendental na história da franquia. As últimas renovações de contrato do camisa #12 foram feitas pensando em alívio imediato no teto salarial, e jogando a “sujeira” para debaixo do tapete, com a conta a ser paga nos anos seguintes. A coisa chegou num ponto que, o acordo expirou, Brady agora é um Buccaneer (como isso soa estranho), mas ainda assim ele impacta US$ 13,5 milhões do teto salarial do Patriots (via OverTheCap), um dinheiro morto.

Aliás, falando em dinheiro morto, o Patriots é o terceiro time da NFL que mais gasta espaço do seu teto salarial com jogadores que não estão mais em seu elenco: US$ 25,9 milhões, também de acordo com o OverTheCap. Isso é mais, por exemplo, que o salário do próprio Brady em Tampa Bay. Além dele, há dinheiro relevante sendo desperdiçado com Antonio Brown e o recém dispensado Stephen Gostkowski. Tanto dinheiro morto pode ter tido consequências: com apenas US$ 1,4 milhão de espaço efetivo, Belichick jamais teve a oportunidade de pensar em aproveitar um dos mais recheados mercados da história da NFL na posição de QB, com Teddy Bridgewater, Philip Rivers, entre outros. Sobrou a ele trazer de volta Brian Hoyer.

Além de Brady, peças importantes na defesa saíram na defesa, como Jamie Collins e Kyle Van Noy, entre outros menos famosos. Mas, se eles são desfalques consideráveis, a unidade defensiva como um todo ainda é ótima. A grande interrogação está mesmo no ataque. Os quarterbacks disponíveis são Hoyer, Jarrett Sitdham e Cody Kessler. Stidham, escolha de quarta rodada em 2019, pelo menos tem algum potencial. O Patriots é um dos times que pode/deve adicionar um QB no próximo draft, mas eles não estão em condições de ir buscar os principais nomes da classe.

E seja lá quem for o QB titular, ele se verá lançando passes para Julian Edelman, Mohamed Sanu (que fez New England trocar sua escolha de segunda rodada em 2020), N’Keal Harry, Damiere Byrd e Matt LaCosse. Não parece lá muito promissor. A história já nos ensinou a não duvidar de Bill Belichick, e não serei eu o cara que vai faze-lo agora. Ele já conduziu o time a uma temporada 11-5 sem Brady, em 2008 – Matt Cassel foi o QB após uma lesão do #12 –  e pode perfeitamente faze-lo de novo.

Mas é fato também que o contexto de 2008 é diferente do de 2020, e o time tem vulnerabilidades bem claras. Se não dá, nem de longe, para descartar o Patriots indo aos playoffs (especialmente com a expansão da pós-temporada), também não é impossível imaginar o ataque degringolar e o time passar longe dos playoffs. Pior ainda: longe dos playoffs e também possivelmente longe das primeiras escolhas do draft, onde ano que vem provavelmente estarão Trevor Lawrence e Justin Fields.

Enfim, pela primeira vez em muitíssimo tempo, o New England Patriots não entrará em uma temporada como o favorito amplo e destacado para vencer sua divisão. O Buffalo Bills, pela continuidade do trabalho e a adição de Stefon Diggs, está pelo menos em igualdade de condições nesse momento. O horizonte em Foxborough é incerto, e isso torna o Patriots uma das grandes histórias da temporada.

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