terça-feira, 11 de junho de 2019

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O Houston Texans anunciou na última sexta-feira a demissão do General Manager Brian Gaine. O cargo será ocupado interinamente por Chris Olsen, que já estava na franquia como vice presidente de administração do futebol americano. Tendo em vista que ele Gaine ocupou a posição por menos de dois anos, e o Texans veio de uma campanha 11-5 que acabou no título da AFC Sul na última temporada, a saída foi bastante surpreendente. O momento da tomada de decisão também causa estranheza, mais de um mês após o draft. No próprio comunicado oficial anunciando a saída, o presidente do time Cal McNair cita o timing “não usual”. No mesmo comunicado, McNair disse que a decisão foi tomada após “avaliação minuciosa” das operações de futebol americano do Texans.

Mas o que há de tão errado assim no time? E por que agora? A tal avaliação obviamente detectou alguma coisa muito séria, mas raciocine comigo: se os problemas detectados tem mais relação com a atuação do time em campo, tal decisão poderia ter sido tomada imediatamente após o fim da temporada. Se a questão reside na forma como draft e Free Agency foram conduzidos, qual o sentido em deixar para mudar mais de 40 dias depois do draft terminar? Nesse meio tempo tivemos apenas o minicamp específico para os calouros e as OTAs. O que de tão importante poderia ter acontecido para motivar decisão tão drástica e importante?

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Tentemos então analisar os fatos para entender melhor o contexto. O primeiro draft de Gaine, o de 2018, ainda é bastante recente para avaliações definitivas, mas a impressão deixada até aqui não é ruim. O Texans não tinha escolhas nem na primeira, nem na segunda rodadas, devido às trocas feitas com o Cleveland Browns para draftar Deshaun Watson e se livrar de Brock Osweiler. E mesmo assim ele conseguiu três figuras que contribuíram bem imediatamente na equipe. Justin Reid já é um dos líderes da secundária, Keke Coutee se mostrou um dinâmico wide receiver, e Jordan Thomas é uma arma interessante na red zone, tendo anotado 4 TDs como calouro, menos apenas que DeAndre Hopkins na equipe.

Olhando a Free Agency, é possível entender uma certa frustração. Gaine apostou no ano passado em Tyrann Mathieu, dando ao Honey Badger um contrato de um ano. Foi uma excelente aposta, já que Mathieu teve em Houston uma das melhores temporadas de sua carreira. Ele jogou tão bem que recebeu um contrato longo e multimilionário para 2019 em diante. O problema é que esse contrato não é para jogar em Houston, mas sim pelo Kansas City Chiefs, um rival de conferência. A abordagem de Gaine na Free Agency de 2019 como um todo foi estranha. Tendo mais de US$ 70 milhões disponíveis, o Texans acabou não apenas perdendo Mathieu, mas também não renovou de maneira definitiva o contrato de Jadeveon Clowney (que recebeu a Franchise Tag), e não reforçou o setor mais carente (e por muito) do time: a linha ofensiva. Se é verdade que o principal tackle do mercado, Trent Brown, recebeu uma oferta “superfaturada” do Oakland Raiders, a aposta em Matt Kalil, um veterano com extenso histórico de lesões e qualidade técnica também duvidosa, não é das mais animadoras.

No interior da linha, a aposta será em Martinas Rankin, uma escolha de Gaine no draft de 2018 que atuou inicialmente como left tackle e não foi bem. Agora, será movido para guard. Um nome de veterano cotado para aquela posição era o de Rodger Saffold, de ótima passagem pelo Rams (e bem mais barato que Brown). Ele não apenas não foi contratado, como vai reforçar um rival de divisão, o Tennessee Titans.

A questão que fica pra mim é a seguinte: mesmo que as apostas de Gaine não sejam as mais óbvias, e ele mereça críticas por, por exemplo, deixar pendente a situação de Clowney, eu não vejo um motivo para que ele não mereça a chance de pelo menos ver se suas escolhas se pagam em campo. O que dá para saber, mesmo é que o homem forte do Texans é o técnico Bill O’Brien. BoB irá agora para o terceiro General Manager diferente em sua gestão, o que indica tanto o seu prestígio com os donos da franquia, quanto uma falta de habilidade para criar um bom ambiente de trabalho com o seu front office.


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