segunda-feira, 22 de abril de 2019

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Um grande mérito na montagem de um elenco vencedor dentro da NFL se diz respeito à conseguir barganhas contratuais com jogadores cruciais para o bom desempenho ao longo da temporada regular. A capacidade de conseguir recrutar um jogador em rodadas intermediárias do Draft, que o permite atuar com um contrato de calouro extremamente vantajoso para a equipe em questão é um pré-requisito ao analisarmos este espectro da organização e montagem de um elenco. Embora tal atleta não dê nenhum desconto nas mesas de negociação quando for o caso (vide o DE DeMarcus Lawrence e o Cowboys recentemente) esta janela abre muitas possibilidades para uma equipe alçar grandes vôos nos playoffs – como o Seahawks de 2013 que foi campeão com Russell Wilson ainda em seu contrato de calouro, o que permitiu que a equipe gastasse os milhões que seriam alocados no Quarterback em uma impiedosa defesa que simplesmente dizimou o Denver Broncos de Peyton Manning no Super Bowl daquela temporada.

Voltando um pouco no tempo para a época em questão, salta aos olhos observarmos as mudanças gradativas que ocorreram no mercado dos Quarterbacks, situação capitaneada até mesmo por Russell Wilson, que aparecerá mais duas vezes nesta matéria por conta disto.

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De 2013 até 2016, o mercado dos valores para os atletas mais importantes de uma equipe permaneceu majoritariamente estabilizado. Sem nenhum grande jovem atleta tendo seu contrato expirando com a equipe, a NFL viveu um período tranquilo no que diz respeito às cifras garantidas para Quarterbacks ao longo das temporadas, contudo isto teve um preço.

O QB Aaron Rodgers, do Packers, viveu todo este período sendo o jogador mais bem pago da NFL, recebendo na época o montante de U$ 22 milhões por temporada em contrato assinado em 2013, até que o frenesi teve início, e a princípio não tem expectativa de final.

Em 2016, Andrew Luck e o Colts firmaram um contrato que paga U$ 24.5 milhões para o atleta, contudo Luck permaneceu pouco tempo como o recordista até o Raiders se comprometer a pagar U$ 25 milhões para Derek Carr, quebrando esta barreira simbólica ao fechar um contrato de U$ 125 milhões válidos por cinco temporadas. Com menos de 22 meses depois, estes valores já parecem ficar defasados  e tidos como pagos à jogadores intermediários da posição, e isto é preocupante.

O que aconteceu depois foram várias e várias renovações, uma após a outra, que sempre puxavam para cima a barra de valores pagos para QBs (nesta sequencia, e sempre representando o maior valor pago na época):

Matthew Stafford: U$ 27 milhões;
Jimmy Garoppolo: U$ 27.5 milhões;
Kirk Cousins: U$ 28 milhões;
Matt Ryan: U$ 30 milhões
Aaron Rodgers: U$ 33.5 milhões;
Russell Wilson: U$ 35 milhões (atual recordista).

Tudo isto aconteceu em um intervalo de menos de dois anos até a presente data. Vimos o jogador mais bem pago da liga passar de U$ 22 para U$ 35 milhões anuais para participar dos 16 jogos da temporada regular.

Esta pandemia de renovações lucrativas tem tudo para continuar nos próximos anos. O QB Dak Prescott do Cowboys e mesmo Ben Roethlisberger do Steelers podem facilmente integrar esta lista dos jogadores mais bem pagos, embora possivelmente não ultrapassem o valor pago à Wilson em seu novo contrato. Atletas como Patrick Mahomes, Baker Mayfield e mesmo Carson Wentz podem muito bem almejar despontar o QB do Seahawks, principalmente Mahomes e Mayfield, que tiveram temporadas muito promissoras e são extremamente jovens.

Este aumento significativo tem explicação também: novos acordos de TV que aumentam o valor de mercado da NFL (que aumentam o valor repassado aos times que consequentemente aumentam exponencialmente o teto salarial), o aumento crescente das apostas legalizadas no esporte, que também corroboram para o lucro das equipes e principalmente a expectativa para o novo acordo trabalhista a ser assinado no começo da próxima década – o atual vence em 2021. Há a expectativa de que contratos totalmente garantidos (como o que ocorre na MLB, NBA e NHL) invadam a NFL e jogadores consigam ter maior poder de negociação com as equipes.

Fato é que o teto salarial continuará aumentando, então o valor da franchise-tag também e com mais dinheiro para gastarem, é extremamente comum as médias salariais aumentaram.

Múltiplos Quarterbacks inevitavelmente ganharão mais que Wilson em um futuro próximo. Só nos resta saber quais deles.

Em sua penúltima renovação contratual, Wilson garantiu U$ 21.9 milhões por temporada, o que não era o maior à época, mas o colocava entre os três jogadores mais bem pagos de toda a liga. Tais valores atualmente dizem respeito a um jogador que possivelmente nem estaria entre os dez melhores de sua posição neste quesito, o que é realmente assustador se pensarmos no quesito administrativo do negócio que é a NFL.

Em uma liga regida pelo teto salarial, isto é, todos os times (do melhor ao pior) tendo exatamente a mesma quantidade de dólares para pagar aos 51 atletas que compõem o elenco principal, a porcentagem de participação de um único jogador no teto salarial (mesmo que seja o da situação mais importante) de 20% sobre ele é algo que acende uma luz amarela na administração das equipes e exige muita criatividade para pagar aos outros cinquenta atletas um total de 80% daquilo que lhes é permitido.

Isto obriga muitas equipes à capitalizar no tempo de duração de contrato de calouros de seu Quarterback. O Seahawks fez isso com Wilson, o Eagles fez (e busca fazer) com Carson Wentz e provavelmente o Browns fará com Mayfield, caso este continue sua constante evolução dentro da NFL, mas isto é papo para outra matéria.

Ao final de seu atual contrato (lá no ano de 2024) é bem provável que ele esteja nesta mesma situação, mas é fato que ele estabeleceu uma nova marca na NFL. Resta aproveitar enquanto pode, concorda?


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