sexta-feira, 19 de julho de 2019

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A prorrogação é um tema polêmico na NFL. Ano após ano, mudanças nas regras entram em pauta. Parece que ninguém está realmente satisfeito com o formato e pouco a pouco transformações tentam torná-lo menos injusto e talvez mais emocionante.

Existem formatos que são praticados em ligas de high school ou universitárias e que costumam ser pedidos na NFL. Mas sabemos que a chance de implementação é muito baixa, uma vez que as mudanças de regras na principal liga do esporte da bola oval são sempre lentas e raramente vão em uma direção radical.

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Mas a história da prorrogação no futebol americano é enorme. E o formato de morte súbita, com o primeiro time a conquistar uma pontuação vencendo, ajudou na popularização do esporte. Vamos contar essa história antes de trazer curiosidades dos dias atuais.

Nos princípios da NFL, os empates eram mais comuns do que hoje. Porém, não eram vistos exatamente como um problema. Só se precisava decidir o que aconteceria caso um jogo decisivo acabasse com os dois times com a mesma pontuação, e por isso as primeiras regras de prorrogação foram definidas na década de 1940. Elas eram as mesmas que foram praticadas por muitos anos até as mudanças recentes: o primeiro time a pontuar, vence.

Foi só em 1958 que a prorrogação precisou ser usada. Na final da NFL, que ainda não tinha o nome de Super Bowl pois ainda não havia acontecido a fusão com a AFL, Baltimore Colts e New York Giants se enfrentaram no Yankee Stadium. A partida foi absolutamente emocionante.

Colts e Giants trocaram turnovers nas primeiras posses até que os nova-iorquinos abriram o placar com um field goal. No segundo quarto, dois touchdowns do Colts, um deles em passe do lendário quarterback Johnny Unitas, viraram o placar e deixaram a margem de liderança até que confortável em 14 a 3. Esse foi o placar do intervalo.

O quarterback Johnny Unitas

O Giants conseguiu voltar à frente no placar com um touchdown no terceiro quarto e outro já na parte final do último período, fazendo 17 a 14. O conceito de “two-minute drill” ainda nem existia na NFL, mas Johnny Unitas precisava criar um para empatar ou virar a partida. E ele conseguiu, convertendo terceiras descidas e posicionando o field goal a sete segundos do final.

Estava armada, então a primeira prorrogação da história da NFL. Pelo menos oficialmente, já que a regra havia sido testada em uma partida de pré-temporada em 1955 que envolvia o mesmo New York Giants e o Los Angeles Rams. Naquela ocasião, apesar de as duas equipes terem concordado com a possibilidade de um eventual tempo extra, ninguém imaginava que ela poderia realmente acontecer. Os nova-iorquinos perderam, mas foi o técnico do Rams, Sid Gillmann, que reclamou da injustiça da regra.

Mal o Giants sabia que três anos depois teria o mesmo destino em uma prorrogação muito mais importante.

Porém, a equipe de Nova York tivera a primeira posse. Após um muff no kickoff, conseguiu ainda impedir o turnover. Em vão, já que isso apenas adiou a derrota: um three and out devolveu a bola para Unitas e o Colts, que conseguiram mais uma campanha de altíssimo nível. Nove minutos após o início do tempo extra, Alan Ameche entrou na endzone para dar o título à equipe de Baltimore.

Essa partida ficou conhecida como “o maior jogo já jogado”. Ele foi responsável por um aumento significativo na popularidade do futebol americano profissional e fez com que o esporte e a NFL nunca mais fossem os mesmos. A audiência televisiva foi de 45 milhões de pessoas, muitas delas tocadas por tudo que aconteceu em campo. Dois anos depois, por exemplo, seria criada a AFL.

Não é irônico que uma regra tão contestada e que parece não agradar ninguém tenha sido responsável pela transição da NFL como ela é hoje?

O formato do futebol americano universitário é muito mais celebrado. Mas também existe aí uma curiosidade: só na década de 1990 que a possibilidade de tempo extra foi adicionada às regras do College Football. Antes, como não existia playoffs e os campeões eram decididos por comitê, não existia uma real necessidade. E as regras foram baseadas no sistema usado nas high schools do estado do Kansas.

Nele, os times têm posses de bola alternadas começando da linha de 25 jardas do campo de ataque. Como em uma disputa de pênaltis do futebol, sempre haverá a chance de os dois pontuarem, com o fim chegando quando um alcançar pontuação maior que o outro, seja via touchdown ou field goal.

Mas existem outros formatos usados pelos Estados Unidos e alguns deles são interessantíssimos. Vamos destacar o chamado “California tiebreaker”, que é absolutamente fantástico:

A bola começa na linha de 50 jardas e cada time tem o direito a quatro jogadas ofensivas, que são feitas de forma alternada. Não há a possibilidade de chutar field goals. A partida acaba se uma das equipes entrar na endzone adversária ou, ao final das oito jogadas totais, vence quem estiver com a bola no campo adversário.

Por exemplo: time A tem a primeira jogada e completa um passe de dez jardas para a linha de 40 jardas do time B. O time B tem a jogada seguinte e completa um passe de quinze jardas para a linha de 45 do time A. O time A lança um passe incompleto. O time B corre 4 jardas e chega à linha de 41 do time A. O time A faz um passe de nove jardas, voltando a bola para a linha de 50. O time B corre cinco jardas e coloca a bola na linha de 45 do time A. O time A faz um novo passe incompleto. Nesse cenário, ao fim de oito lances, a bola está no campo do time A, fazendo com que a vitória seja do time B.

Fantástico, não? Eu gostaria de ver o “California tiebreaker” na NFL!

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