terça-feira, 14 de maio de 2019

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A cidade de Detroit, sempre conhecida pelas montadoras de automóveis, vem sofrendo com suas franquias nas grandes ligas americanas (o último título da cidade foi em 2008 com os Red Wings na NHL), mas o Detroit Lions é o que carrega o maior peso entre as franquias das grandes ligas da cidade. Sem vencer um título desde 1957, ainda na era Pré-Super Bowl, os Lions colecionaram derrotas, frustrações e talentos desperdiçados. Barry Sanders e Calvin Johnson, dois talentos top 5 em todos os tempos de suas respectivas posições, amontoaram números e recordes na franquia durante suas carreiras, mas no final das contas, a incapacidade de montar times competitivos ao redor deles desanimaram os dois, que se aposentaram precocemente por volta dos 30 anos, em épocas diferentes. Resumindo, os Lions jogaram fora quase 20 anos combinados de um running back fenomenal e de um wide reciever extremamente dominante com nomes como Andre Ware, Joey Harrington, Tytus Young, Drew Stanton e muitos outros.

Incomodados com o hiato de vitórias de um time que não vence nos playoffs desde a temporada 1991, decidiu-se que o time necessitava de uma mentalidade vencedora e foram buscar a inspiração na dinastia de Foxborough, primeiro trazendo Bob Quinn para ser o general manager, depois de trabalhar por anos em New England. Ano passado, os Lions trouxeram o Matt Patricia, coordenador defensivo de New England por muitas temporadas, para ser o head coach da franquia. Na free agency vieram Danny Amendola e Trey Flowers, ícones do Patriot Way dos últimos anos, e assinaram com Justin Coleman, cornerback que também passou pelos Patriots nos últimos anos.

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Antes de qualquer análise, deixo claro que gosto de que, times que estão acostumados com a derrota se mexam e tentem emular times vitoriosos dos últimos anos. A cultura de um sistema, de um coaching staff que tem suas convicções e confia nelas e principalmente, uma cultura de que os jogadores, acima de qualquer fama ou nome, tenham de render e se pagar em campo, caso contrário, o corte vem sem muita cerimônia. Matt Patricia teve certos méritos em sua primeira temporada. Conseguiu estabelecer seu jogo corrido em algumas partidas, fazendo com que Kerryon Johnson tivesse um jogo de 100 jardas contra o próprio New England Patriots, depois de anos e anos sem um corredor atingir 100 jardas pela franquia de Michigan. Kenny Golladay se estabeleceu como um bom recebedor e a vinda de Damon Harrison ajudou a defesa terrestre a sair do buraco. Os três fatores são facilmente detectados como herança de filosofia que Patricia trouxe de New England. Historicamente, os Patriots estabelecem seus running backs com versatilidade e profundidade (Theo Riddick, Kerryon Johnson e Zach Denner formam o comitê do backfield de Detroit) para contribuírem de várias formas, tem um recebedor go-to para situações chaves do jogo e uma defesa terrestre consistente (excluindo a última temporada). Foram pontos que Patricia aplicou o Patriot Way de maneira correta e, se não obteve total sucesso, teve um leve alívio de não ver o time piorar no aspecto.

Em compensação, tenho algumas ressalvas a esta primeira temporada do head coach dos Lions. Matt Patricia pode ter herdado a competência e todo talento de como se comandar um time de Bill Belichick, mas não tem o peso no vestiário e nos bastidores que Belichick tem com 6 anéis de Super Bowl em New England. Cortar veteranos improdutivos, exigir esforço de estrelas do time e trocar líderes do vestiário são coisas delicadas para se fazer quando se está em um time há um ano e a franquia está há mais de 27 anos sem vitória na pós-temporada. Bob Quinn e Matt Patricia não podem ter todos os poderes que Belichick tem em New England justamente pelo fato do currículo dos dois, não ter 10% do impacto que o currículo de Bill Belichick tem no campo e fora dele.

Outro fator que se nota diferente de Foxborough é o overpay em jogadores na free agency. O famoso quebrar a banca não é uma especialidade de Bill Belichick, mas em Detroit, Justin Coleman e principalmente Trey Flowers, assinaram contratos muito acima do talento dos dois em campo. Sem contar o contrato dado a Stafford por Quinn, antes de Patricia ser contratado, de 135 milhões de dólares, que não refletem sua produção nos últimos dois anos. A falta de uma mente ofensiva brilhante, como Belichick tem em New England com Josh McDaniels, também atrapalha Patricia, um técnico defensivo que as vezes é incapaz de interferir em erros crassos como a subutilização de Kerryon Johnson no ataque dos Lions.

Por fim, os Lions estão certos em querer mudar a cultura da franquia que desperdiça talentos e não ganha há 62 anos, mas existem algumas questões onde o Patriot Way precisa ser polido e até aperfeiçoado, para que as vitórias, escolhas de draft, contratações via free agency e até as trocas e cortes sejam bem sucedidas como na dinastia de Foxborough.


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