segunda-feira, 17 de junho de 2019

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Para montar um elenco talentoso e capaz de construir caminhadas duradouras na pós-temporada, muitas vezes as franquias da NFL precisam lidar com atletas  tidos como problemáticos, que vêem na inevitabilidade de sua necessidade para obter qualquer sucesso como o grande motivo para não terem um bom comportamento perante à equipe e comissão técnica. Se tais jogadores tem ou não razão nesta situação não vem ao caso, mas é de certa forma utópico pensar um elenco que todos coexistam em harmonia e não há nenhum atrito gerado por divergências morais e de pensamento, isto são fatos.

Talvez o time que sintetize a linha de pensamento descrita no parágrafo acima é o Pittsburgh Steelers. Dois dos atletas mais prolíficos e importantes da história da franquia são também conhecidos por não serem exatamente as figuras mais simpáticas dentro do vestiário – e sequer parecem fazer esforço para nos convencer do contrário: o WR Antonio Brown e RB Le’Veon Bell. Há quem diga que, em condições normais de temperatura e pressão, a dupla representa os melhores jogadores da NFL em suas respectivas posições. Compilar o melhor corredor e o melhor recebedor dentro da mesma equipe garantiu ao Steelers vários anos de hegemonia na lista dos melhores ataques de toda a NFL. Mesmo que isto não tenha sido traduzido em títulos ao longo desta caminhada, nós expectadores pudemos ver um ataque extramente vertical e diversificado que compilou jardas e dizimou as defesas adversárias.

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Para 2019, o cenário vai se alterar um pouco. Brown está em Oakland para atuar pelo Raiders e Bell optou por assinar com o New York Jets, o que denota que o Steelers não terá dois dos integrantes originais do “Killer B’s”, apelido dado ao triplete QB-RB-WR que também contava com Ben Roethlisberger. O Quarterback aliás, chegou a comentar sobre como está sendo a intertemporada do time.

“Você sabe que tem sido um pouco maluco nos últimos anos, talvez mais que o normal que estamos acostumados a lidar naturalmente. Então, voltar para esta espécie de calmaria neste ponto do ano é algo realmente divertido” declarou o atleta recentemente.

Haviam inclusive motivos para que a calmaria não reinasse em Pittsburgh como há muito tempo não se via. O CB titular Mike Hilton tecnicamente ainda é um free agent restrito já que ainda não assinou seu novo contrato com a equipe. Após não ser recrutado no Draft de 2016 vindo de Ole Miss, Hilton assinou com o Steelers e rapidamente ganhou a titularidade após apresentar um desempenho sólido na curta carreira. O Steelers tem total controle sobre ele em seu novo contrato, mas o fato do atleta ter se apresentado aos treinos não-obrigatórios de Maio e Junho denota que o jogador está feliz em Pittsburgh e ao que tudo indica, um novo contrato será assinado em breve.

Mas nem tudo são flores nesta situação. A dupla que agora faz parte da rica história da franquia precisa ser substituída pelo núcleo de talento que lá está, além da classe de Draft que começa a se ambientar com o livro de jogadas. Combinados, Bell e Brown tiveram ao longo de suas carreiras 2409 toques (entre recepções e tentativas terrestres) para 19322 jardas e 116 TDs nas carreiras construídas na Pensilvânia. Replicar tal monstruosa produção ofensiva parece utópico nesta altura, mas é dever da comissão técnica ao menos minimizar a ausência dos dois jogadores que não defendem mais as cores do time. No caso de Bell, o RB James Conner representou uma alternativa bastante viável na última campanha (em que Bell fazia greve buscando um novo contrato) e agora é definitivamente a face da franquia no jogo terrestre, sem mais pensamos no ex-RB do time.

A posição de WR é um pouco mais complicada. O time conta que o WR JuJu Smith-Schuster continuará a franca evolução em sua jovem carreira e se torne o principal alvo de Roethlisberger ao longo da temporada. Vale o destaque que Smith-Schuster sempre atuou com Brown, o que denota de certa forma que ele não está acostumado às marcações que receberá em 2019, já que de fato ele é o principal recebedor. Além dele, espera-se uma franca evolução de James Washington, WR recrutado na segunda rodada do Draft de 2018 e também de Donte Moncrief, principal reforço para a posição que chega após anos irregulares atuando pelo Jacksonville Jaguars, mas que já demonstrou ser um recebedor útil em seus tempos atuando pelo Indianapolis Colts.

São tempos tranquilos agora em Pittsburgh, talvez necessários para limpar a imagem de um time marcado por polêmicas e declarações controversas durante toda a temporada (e mesmo fora dele) graças aos falastrões que já não integram mais o elenco da franquia.

Se a dupla não fará falta neste quesito, veremos o quão impactante será a ausência deles no plano de jogo, e como uma das equipes que se coloca em condição de competir pelo título da AFC responderá à isto.


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