terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Compartilhe

A grande notícia no mundo do futebol americano antes da rodada do fim de semana foi a divulgação de um vídeo, por parte do site TMZ, no qual o running back Kareem Hunt agredia uma mulher que teria o insultado racialmente,em um hotel em Cleveland, cidade onde ele vive nos períodos sem treinos e jogos. Horas mais tarde, Hunt foi dispensado pelo Kansas City Chiefs. Este lamentável incidente, além de ter consequências muito grandes dentro de campo, potencialmente arruinando uma carreira que tinha tudo para ser brilhante e impactando o Chiefs na corrida pelo Super Bowl, mostra algo muito mais grave no ponto de vista ético e humano: a NFL não tem a menor noção de como lidar com casos de violência doméstica.

O episódio que causou a demissão de Hunt aconteceu em fevereiro. A NFL sabia do ocorrido. O Kansas City Chiefs sabia do ocorrido. No entanto, absolutamente nada foi feito. A Liga não ouviu a versão da mulher agredida. Também não ouviram o que Hunt tinha a dizer sobre a história. Diz a NFL que eles tentaram obter o vídeo, mas nem o hotel onde a agressão aconteceu e nem a polícia de Cleveland cederam as imagens. Meses depois, o vídeo caiu nas mãos do TMZ. Temos aqui dois pontos importantes:

Leia Mais: Mike McCarthy é demitido do Green Bay Packers

Leia Também: apesar de segunda prisão por violência doméstica, Reuben Foster encontra novo time

– Foram nove meses, entre a agressão e a divulgação do vídeo pelo TMZ, sem que nenhuma informação sobre o caso viesse a público

– A NFL é uma organização muito mais rica, influente e poderosa que o TMZ. Se este conseguiu obter o vídeo, por que razão a NFL também não o conseguiria?

Juntos, esses pontos levam a uma indagação: será que a NFL realmente se importou em saber o que aconteceu naquele dia em Cleveland? Estaria a Liga mais preocupada em manter as aparências e arrastar a sujeira para baixo do tapete? Afirmar isso seria leviano, e a mensagem oficial, evidentemente, é outra, de que essas situações não serão toleradas. Mas a total falta de transparência, aliada a atuação da NFL em alguns casos similares no passado recente não ajudam a afastar especulações, teorias da conspiração ou pelo menos manter uma boa imagem.

O episódio mais famoso (e mais parecido com o de Hunt) é o de Ray Rice, antigo astro do Baltimore Ravens. Ele foi preso em fevereiro de 2014, após brigar com sua noiva. Dias depois, o mesmo TMZ obteve as imagens do ocorrido, que mostravam Rice arrastando a mulher, que estava sem consciência, para fora de um elevador. Ele nunca mais voltaria a jogar na NFL, mas mesmo com as imagens fortíssimas de sua agressão (que a Liga também não fez força para obter), sua punição desportiva oficial foi de apenas 2 jogos. Nem precisamos ir longe no tempo. Na semana passada, Reuben Foster, imediatamente depois ser dispensado pelo San Francisco 49ers após ser preso por bater em sua ex-namorada, foi recrutado nos waivers pelo Washington Redskins, sequer chegando a ser um Free Agent.

Kareem Hunt ainda não tem um novo time, e está suspenso provisoriamente (assim como Foster) até que Roger Goodell dê seu parecer definitivo sobre o caso. Mas a Liga e suas franquias precisam agir com pulso firme. Eles tanto batem na tecla que a NFL é um negócio. E se é importante para esse negócio que os astros estejam em campo, também é necessário entender que, quando casos de violência doméstica não são punidos como deveriam, não apenas a reputação da Liga é manchada, mas seu poder e influência também contribuem para que tantos e tantos casos semelhantes anônimos também passem incólumes.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.